Voleibol Método e Prática

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Idealizador programa de Voleibol de Iniciação a Competição - 1990 G.R.Barueri SP.

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*Performance Esportiva Avançada

02/08/2026
02/08/2026

Tipos de Periodização no Treinamento Esportivo: Fundamentos Científicos,
Modelos Contemporâneos e Aplicações Práticas©

Pesquisa elaborada para estudo pessoal Prof. Roberto De Oliveira

Agosto de 2026

Por que atletas com o mesmo volume de treino apresentam resultados tão diferentes
ao longo de uma temporada? A resposta raramente está na intensidade do esforço
individual — está na inteligência com que o treinamento é organizado ao longo do
tempo. A periodização é a ciência e a arte de estruturar o processo de treinamento em
fases progressivas e coerentes, de forma a maximizar as adaptações fisiológicas e
minimizar o risco de lesão e de estagnação. Compreender seus modelos é, hoje,
competência essencial para qualquer profissional de Educação Física, treinador
esportivo, gestor de alta performance e responsável por programas de
desenvolvimento humano em organizações.
Esta pesquisa foi desenvolvida a partir de uma extensa revisão teórica e análise crítica
das principais evidências científicas sobre os cinco grandes modelos de periodização
contemporâneos: linear, ondulatória, em blocos, conjugada e não linear
autorregulada. O estudo examina os fundamentos fisiológicos de cada modelo, suas
aplicações práticas, seus pontos fortes e limitações, e os contextos nos quais cada
abordagem produz resultados superiores.
As implicações práticas alcançam diretamente empresas públicas e privadas que
investem em programas de condicionamento físico para seus colaboradores,
academias e clubes esportivos, federações e confederações, além de profissionais de
saúde que trabalham com prescrição de exercício. Organizações que estruturam seus
programas de treinamento com base em princípios de periodização científica colhem
resultados mensuravelmente superiores em produtividade física, redução de
afastamentos por lesão e engajamento dos participantes com os programas de
atividade física.
Para gestores de recursos humanos, diretores de bem-estar corporativo e tomadores
de decisão que buscam estruturar ambientes organizacionais mais saudáveis e
produtivos, os fundamentos da periodização oferecem modelos de planejamento que
vão muito além do esporte — iluminando como qualquer processo de
desenvolvimento humano pode ser organizado de forma progressiva, inteligente e
orientada por resultados sustentáveis.
Tipos de Periodização no Treinamento Esportivo: Fundamentos Científicos,
Modelos Contemporâneos e Aplicações Práticas©
Pesquisa elaborada para estudo pessoal Prof. Roberto De Oliveira
Julho de 2026
Resumo
O presente artigo examina os cinco principais modelos de periodização do
treinamento esportivo — linear, ondulatória, em blocos, conjugada e não linear
autorregulada —, com o objetivo de oferecer uma análise científica aprofundada de
seus fundamentos fisiológicos, mecanismos de ação, vantagens, limitações e
contextos de aplicação preferencial. Fundamentado em extensa revisão bibliográfica
de literatura nacional e internacional, indexada em bases de dados científicas de alto
impacto, o estudo parte do princípio de que a periodização constitui a espinha dorsal
de qualquer programa de treinamento eficaz, seja no esporte de alto rendimento, na
preparação física de base ou no condicionamento orientado à saúde. A metodologia
adotada é exploratória e bibliográfica, com abordagem qualitativa, priorizando autores
clássicos e contemporâneos da ciência do treinamento. Os resultados indicam que
nenhum modelo de periodização é universalmente superior; a escolha ideal depende
de variáveis como objetivo do treinamento, nível de experiência do atleta, calendário
competitivo, disponibilidade de tempo e capacidade de recuperação individual. A
periodização linear demonstra eficácia particular para iniciantes e atletas em fase de
base; a ondulatória oferece vantagens na variabilidade de estímulos para atletas
intermediários; a em blocos maximiza adaptações concentradas em qualidades físicas
específicas em atletas avançados; a conjugada permite o desenvolvimento simultâneo
de múltiplas capacidades físicas; e a não linear autorregulada representa a
abordagem de maior personalização, ajustando as variáveis de treino à resposta
fisiológica individual em tempo real. Conclui-se que o profissional de Educação Física
contemporâneo deve dominar todos esses modelos, compreendendo suas bases
científicas e sendo capaz de selecionar, combinar e adaptar as abordagens às
demandas específicas de cada atleta ou praticante.
Palavras-chave: Periodização do treinamento. Treinamento de força. Adaptação
fisiológica. Alta performance. Planejamento esportivo.
1 Introdução
A periodização do treinamento esportivo é reconhecida como um dos pilares
fundamentais da ciência do esporte contemporânea. Definida como a organização
sistemática e planejada das variáveis de treinamento — especialmente volume,
intensidade e frequência — ao longo do tempo, com o objetivo de promover
adaptações progressivas e alcançar o pico de desempenho nos momentos
competitivos mais relevantes, a periodização representa a tradução prática dos
princípios fisiológicos do treinamento em programas estruturados e aplicáveis (Bompa
& Haff, 2009; Matveyev, 1965). Sua história remonta às contribuições dos
pesquisadores soviéticos do século XX, especialmente Lev Matveyev, cujo modelo
clássico de periodização linear estabeleceu as bases conceituais sobre as quais todos
os desenvolvimentos posteriores foram construídos.
O problema central que a periodização busca resolver é o da estagnação adaptativa —
denominado na literatura como plateau de treinamento —, que ocorre quando o
organismo se adapta completamente a um estímulo repetitivo e deixa de apresentar
melhoras de desempenho. Esse fenômeno é explicado pelo princípio da acomodação,
descrito por Zatsiorsky e Kraemer (2006) como a tendência do organismo de reduzir
progressivamente sua resposta a um estímulo constante. A periodização, ao variar
sistematicamente volume, intensidade e tipo de estímulo ao longo do tempo, cria
condições para que o organismo seja continuamente desafiado e, portanto, continue a
se adaptar (Fleck & Kraemer, 2014).
A importância do tema transcende o esporte de alta performance. Com o crescimento
exponencial do mercado de fitness, a popularização do treinamento de força em
academias e a incorporação de programas de condicionamento físico nas políticas de
saúde organizacional de empresas privadas e públicas, o domínio dos modelos de
periodização tornou-se competência indispensável para profissionais de Educação
Física em praticamente todos os segmentos de atuação (American College of Sports
Medicine — ACSM, 2018; Ratamess et al., 2009).
O problema de pesquisa que orienta este estudo pode ser formulado da seguinte
maneira: quais são os fundamentos fisiológicos, os mecanismos de ação, as
vantagens, as limitações e os contextos de aplicação preferencial dos cinco principais
modelos de periodização contemporâneos — linear, ondulatória, em blocos,
conjugada e não linear autorregulada — e de que forma o profissional do exercício
pode selecionar e combinar esses modelos de acordo com as necessidades
específicas de cada praticante? A hipótese central é de que não existe um modelo
universalmente superior, mas sim um conjunto de abordagens com perfis de indicação
distintos que exigem do profissional domínio técnico-científico para sua aplicação
criteriosa.
O objetivo geral é analisar os cinco principais modelos de periodização do treinamento
esportivo, oferecendo uma síntese científica de seus fundamentos e aplicações. Os
objetivos específicos são: (a) descrever os princípios fisiológicos gerais que
fundamentam a necessidade de periodização; (b) caracterizar cada um dos cinco
modelos quanto a seus mecanismos, estrutura e aplicações; (c) comparar os modelos
com base nas evidências científicas disponíveis; (d) discutir os fatores que
determinam a escolha do modelo mais adequado para cada contexto; e (e) apontar
tendências contemporâneas e perspectivas futuras no campo da periodização.
A metodologia adotada é exploratória e bibliográfica, com abordagem qualitativa. A
revisão priorizou fontes indexadas em PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO e
Periódicos CAPES, contemplando clássicos da ciência do treinamento e estudos
publicados na última década, com especial atenção às revisões sistemáticas e
metanálises disponíveis sobre comparações entre modelos de periodização.
2 Princípios Fisiológicos da Periodização: Por Que o Corpo Precisa de Variação
Para compreender a necessidade e a eficácia da periodização, é necessário partir dos
princípios fisiológicos que governam as adaptações ao exercício. O princípio da
sobrecarga progressiva (progressive overload) estabelece que, para que o organismo
continue a se adaptar e melhorar seu desempenho, é necessário aumentar
progressivamente o estímulo de treinamento — seja pelo aumento da carga, do
volume, da frequência ou da complexidade dos movimentos (Kraemer & Ratamess,
2004). Esse princípio, embora simples em sua formulação, é de implementação
complexa na prática, porque o organismo humano possui capacidade limitada de
absorver estímulos progressivos de forma linear e indefinida.
O modelo de estresse-adaptação-supercompensação, derivado do trabalho de Hans
Selye sobre a Síndrome Geral de Adaptação (General Adaptation Syndrome — GAS),
descreve o processo pelo qual o organismo responde a um estressor — neste caso, o
exercício físico — com uma fase de alarme (perturbação da homeostase), seguida de
uma fase de resistência (adaptação) e, caso o estressor seja removido ou reduzido no
momento adequado, uma fase de supercompensação — na qual o organismo supera
o nível de desempenho pré-esforço, preparando-se para um próximo estímulo ainda
mais intenso (Selye, 1956; Bompa & Haff, 2009). A periodização organiza os ciclos de
treinamento de forma a explorar sistematicamente esse processo de
supercompensação.
O princípio da especificidade (Specific Adaptation to Imposed Demands — SAID)
estabelece que o organismo se adapta especificamente ao tipo de demanda imposta
pelo treinamento. Treinar com cargas altas e repetições baixas produz adaptações
predominantemente neurais e de força máxima; treinar com cargas moderadas e
repetições intermediárias estimula a hipertrofia miofibrilar; treinar com cargas baixas e
repetições altas desenvolve a resistência muscular localizada. A periodização, ao
organizar fases com ênfases diferentes, permite o desenvolvimento progressivo e
integrado de múltiplas qualidades físicas (Zatsiorsky & Kraemer, 2006).
O princípio da acomodação, já mencionado na introdução, é talvez o mais crítico do
ponto de vista da periodização. Quando o organismo é exposto repetidamente ao
mesmo estímulo, a magnitude da resposta adaptativa diminui progressivamente — até
que o estímulo deixa de produzir adaptações mensuráveis. A variação sistemática das
variáveis de treinamento ao longo de microciclos (semanas), mesociclos (meses) e
macrociclos (temporadas completas) é o principal instrumento para contornar esse
fenômeno e manter a progressão contínua (Issurin, 2010).
A fadiga acumulada é outro fator fisiológico de importância central para a
periodização. O treinamento de alta intensidade e/ou alto volume produz acúmulo de
fadiga que pode mascarar o desempenho e aumentar o risco de lesão e de
sobretreinamento (overtraining). A inclusão estratégica de semanas de deload —
redução temporária de volume e/ou intensidade — e de períodos de recuperação ativa
entre blocos de treinamento mais intenso é uma das ferramentas essenciais da
periodização para gerenciar o equilíbrio entre estímulo e recuperação (Kreher &
Schwartz, 2012; Meeusen et al., 2013).
3 Periodização Linear: A Abordagem Clássica e Seus Fundamentos
A periodização linear, também denominada periodização clássica ou tradicional, foi
sistematizada pelo pesquisador soviético Lev Matveyev na década de 1960 a partir da
observação dos ciclos de preparação de atletas olímpicos soviéticos. O modelo
propõe uma organização temporal na qual o volume de treinamento começa alto e
diminui progressivamente ao longo da temporada, enquanto a intensidade inicia em
níveis moderados e aumenta de forma gradual, atingindo seu pico nos momentos
competitivos mais importantes (Matveyev, 1965; Stone, Plisk & Collins, 2002).
Estruturalmente, a periodização linear organiza o treinamento em macrociclos
(temporada completa), mesociclos (fases com objetivos específicos, geralmente de
quatro a seis semanas) e microciclos (semanas individuais). Um exemplo típico em
treinamento de força incluiria um mesociclo de hipertrofia com cargas moderadas e
alto volume (três a quatro séries de doze a quinze repetições com aproximadamente
65 a 70% de uma repetição máxima — 1RM), seguido por um mesociclo de força com
cargas altas e volume intermediário (quatro a cinco séries de seis a oito repetições
com 75 a 85% do 1RM), e finalmente um mesociclo de potência ou pico com cargas
máximas e baixo volume (três a cinco séries de uma a três repetições com 85 a 95%
do 1RM) (Fleck & Kraemer, 2014; Bompa & Haff, 2009).
As vantagens da periodização linear são notáveis especialmente para iniciantes e
atletas em fase de base. A progressão gradual e previsível reduz o risco de lesão por
sobrecarga excessiva, facilita o desenvolvimento técnico dos movimentos, e
proporciona adaptações fisiológicas sólidas que servem de fundamento para modelos
mais avançados. A simplicidade de implementação e de acompanhamento também é
uma vantagem prática significativa — tanto para o profissional quanto para o
praticante (Kraemer & Ratamess, 2004; Peterson, Rhea & Alvar, 2004).
As limitações do modelo linear, entretanto, tornam-se mais evidentes à medida que o
atleta avança em nível de treinamento. A maior crítica ao modelo diz respeito à
manutenção das adaptações adquiridas ao longo das diferentes fases. No modelo
clássico, quando o treinamento transita do mesociclo de hipertrofia para o de força, o
volume de trabalho hipertrófico cai acentuadamente — o que pode resultar em perda
parcial das adaptações de hipertrofia conquistadas na fase anterior, fenômeno
denominado destreinamento parcial ou decaimento das adaptações (Issurin, 2010;
Verkhoshansky & Siff, 2009). Além disso, atletas experientes podem não responder
adequadamente a progressões puramente lineares, exigindo variações mais
sofisticadas nos estímulos.
Pesquisas comparativas entre periodização linear e outros modelos têm produzido
resultados mistos. Uma metanálise de Peterson, Rhea e Alvar (2004), envolvendo
estudos com populações diversas, demonstrou que a periodização linear produz
ganhos de força significativos em populações não treinadas e moderadamente
treinadas, com tamanho de efeito médio superior ao treinamento não periodizado.
Entretanto, ao comparar a periodização linear com a ondulatória em populações
treinadas, a segunda tende a apresentar resultados superiores de força e composição
corporal em protocolos de duração intermediária (oito a dezesseis semanas),
possivelmente devido à maior variabilidade de estímulos e à consequente menor
incidência de acomodação (Simão et al., 2012; Prestes et al., 2009).
4 Periodização Ondulatória: Variação Como Estratégia de Adaptação Contínua
A periodização ondulatória — também denominada periodização não linear em parte
da literatura anglófona e, mais especificamente, periodização diária ondulatória (Daily
Undulating Periodization — DUP) em sua versão de variação intrassemanal — surgiu
como resposta às limitações do modelo linear clássico, especialmente no que diz
respeito à manutenção de adaptações múltiplas ao longo do ciclo de treinamento. O
princípio central do modelo é a variação frequente das variáveis de treinamento —
volume e intensidade —, seja dentro de uma mesma semana (variação diária) ou entre
semanas de um mesmo mesociclo (variação semanal) (Kraemer & Ratamess, 2004;
Rhea et al., 2002).
Na periodização ondulatória diária, um praticante que treina três vezes por semana
pode, por exemplo, realizar na segunda-feira um treino de hipertrofia (quatro séries de
dez repetições com 70% do 1RM), na quarta-feira um treino de força (cinco séries de
cinco repetições com 80% do 1RM) e na sexta-feira um treino de resistência muscular
localizada (três séries de quinze repetições com 60% do 1RM). Essa alternância de
objetivos e zonas de intensidade dentro da mesma semana cria um ambiente de
estímulos variados que combate o fenômeno da acomodação e mantém múltiplos
sistemas fisiológicos em processo de adaptação simultânea (Simão et al., 2012;
Franchini, Takito & Kiss, 2000).
Os mecanismos fisiológicos que fundamentam a superioridade da periodização
ondulatória sobre a linear em populações treinadas incluem: a manutenção de
estímulos para múltiplas adaptações neuromusculares — hipertrofia, força máxima e
resistência muscular — de forma paralela, sem que o abandono temporário de um
estímulo cause seu decaimento; a maior variabilidade de recrutamento de unidades
motoras e de padrões de ativação muscular ao longo da semana; e a preservação da
motivação e do engajamento do praticante, que não se expõe a protocolos repetitivos
por semanas ou meses consecutivos (Fleck & Kraemer, 2014).
A revisão bibliográfica de Tefft (UFPR, 2019) sobre periodização ondulatória, linear e
não periodização concluiu que, comparativamente, a periodização ondulatória, devido
à sua alternância de volume e intensidade e à consequente mudança mais frequente
de estímulos, apresenta resultados mais satisfatórios do que a periodização linear ou
o treinamento não periodizado, especialmente em populações treinadas. O estudo
publicado na UNIFESP (2021) comparando os dois modelos em 60 homens durante
14 semanas confirmou que ambos produzem ganhos de força e massa muscular
mensuráveis, com os maiores ganhos de 1RM observados nos grupos que utilizaram
periodização ondulatória aliada à adequação nutricional.
É importante, no entanto, distinguir entre a periodização ondulatória e o simples
treinamento sem estrutura. A variação de estímulos dentro do modelo ondulatório
deve ser planejada e intencional — com objetivos claros para cada sessão,
progressão estratégica das cargas ao longo dos mesociclos e respeito às relações
entre os diferentes tipos de estímulo. A mera aleatoriedade não produz os benefícios
da periodização ondulatória e pode, inclusive, comprometer o desenvolvimento do
atleta por falta de progressão direcionada (Rhea et al., 2002; Brown, 2001).
5 Periodização em Blocos: Concentração de Cargas e Sequenciamento
Estratégico
A periodização em blocos (Block Periodization — BP) foi sistematizada pelo
pesquisador russo Yuri Verkhoshansky na década de 1970, a partir de sua experiência
no treinamento de atletas de alto rendimento soviéticos, especialmente nas
modalidades de salto e corrida. O modelo propõe a organização do treinamento em
blocos sequenciais, cada um com foco altamente concentrado em uma qualidade
física específica, de forma que as adaptações conquistadas em cada bloco sirvam de
base para o desenvolvimento das qualidades trabalhadas no bloco seguinte
(Verkhoshansky & Siff, 2009; Issurin, 2010).
A estrutura típica da periodização em blocos inclui três tipos de blocos com funções
distintas. O bloco de acumulação tem foco no desenvolvimento de capacidades
básicas — resistência aeróbia, força geral, hipertrofia funcional —, com alto volume e
intensidade moderada, formando a base fisiológica para os blocos subsequentes. O
bloco de transformação concentra o trabalho nas qualidades esportivas específicas —
força máxima, potência, velocidade —, com volume reduzido e intensidade
aumentada, convertendo a base construída no bloco anterior em capacidades
diretamente aplicáveis ao desempenho competitivo. O bloco de realização, também
denominado de pico ou taper, tem como objetivo a expressão máxima do desempenho
competitivo, com volume baixo, intensidade máxima e ênfase na recuperação e na
preparação psicológica (Issurin, 2008; 2010).
A principal vantagem do modelo em blocos é a possibilidade de concentrar o estímulo
de treinamento de forma suficientemente intensa e específica para produzir
adaptações de alta magnitude em qualidades físicas complexas, que exigem um nível
de exposição ao estímulo que o treinamento concorrente — com múltiplos objetivos
simultâneos — pode não proporcionar. Verkhoshansky demonstrou que atletas de
força explosiva atingiram maiores ganhos de potência quando o treinamento de força
máxima foi concentrado em um período dedicado antes do treinamento de velocidade-
potência, em comparação com abordagens onde os dois tipos de treinamento eram
realizados simultaneamente durante todo o ciclo (Verkhoshansky & Siff, 2009).
A sequência dos blocos não é arbitrária — ela reflete princípios de transferência de
adaptações. O trabalho de hipertrofia funcional no bloco de acumulação produz um
aumento do potencial de força que é então desenvolvido no bloco de transformação; a
força máxima conquistada neste bloco, por sua vez, fornece a base neuromuscular
para o desenvolvimento da potência e da velocidade no bloco de realização. Essa
lógica de construção sequencial e transferência intencional de adaptações distingue o
modelo em blocos do modelo linear clássico, onde a sequência é determinada mais
pela convenção pedagógica do que por princípios de transferência fisiológica (Issurin,
2008).
As limitações da periodização em blocos estão relacionadas principalmente à
complexidade de implementação e à necessidade de gestão cuidadosa do
decaimento de adaptações entre blocos. Dado que cada bloco se concentra em uma
qualidade específica com redução das demais, existe o risco de decaimento parcial
das adaptações adquiridas nos blocos anteriores. A gestão desse risco exige que a
duração de cada bloco seja calibrada com precisão — geralmente entre três e seis
semanas —, que a sequência dos blocos respeite os princípios de transferência
fisiológica e que o volume de manutenção (maintenance volume) das qualidades não
primárias seja preservado em níveis mínimos durante cada bloco (Issurin, 2010;
Hartmann et al., 2015).
6 Periodização Conjugada: O Desenvolvimento Simultâneo de Capacidades
Múltiplas
A periodização conjugada, popularizada no mundo ocidental pelo levantador e
treinador norte-americano Louie Simmons a partir de sua adaptação do sistema
soviético no Westside Barbell Club, representa uma abordagem radicalmente
diferente dos modelos sequenciais. Enquanto a periodização linear e a em blocos
organizam o desenvolvimento de diferentes qualidades físicas em fases
temporalmente separadas, a periodização conjugada propõe o treinamento
simultâneo de múltiplas capacidades — força máxima, potência e resistência muscular
— dentro de um mesmo ciclo semanal de treinamento (Simmons, 2015;
Verkhoshansky & Siff, 2009).
O modelo conjugado sistematizado por Simmons integra três métodos fundamentais
de treinamento de força. O Método de Esforço Máximo (Maximum Effort Method —
ME) consiste em realizar levantamentos com cargas próximas ou iguais ao máximo do
atleta para um determinado número de repetições — tipicamente uma a três
repetições com 90 a 100% do 1RM —, com o objetivo de desenvolver força máxima e
eficiência neural. O Método de Esforço Dinâmico (Dynamic Effort Method — DE) utiliza
cargas submáximas — geralmente 50 a 70% do 1RM — realizadas com a máxima
velocidade possível, com o objetivo de desenvolver a taxa de desenvolvimento de
força e a potência muscular. O Método de Esforço Repetitivo (Repetition Effort Method
— RE) consiste no trabalho complementar com séries de repetições moderadas até a
fadiga, com foco em hipertrofia e resistência muscular (Simmons, 2015; Westside
Barbell, 2023).
A principal vantagem teórica e prática do modelo conjugado é a capacidade de
desenvolver e manter simultaneamente múltiplas qualidades físicas, sem que o foco
em uma delas comprometa o desenvolvimento ou a manutenção das demais. O site
oficial do Westside Barbell (2023) defende que o método conjugado é o único sistema
de treinamento capaz de proporcionar ao atleta estímulo adequado ao longo de todo o
ano para ganhos contínuos em força absoluta, potência explosiva, resistência
muscular e composição corporal. Enquanto o treinamento linear, por focar em uma
qualidade específica por períodos extensos, sempre enfrenta o problema do
destreinamento das qualidades não trabalhadas, o método conjugado mantém todos
os sistemas neuromusculares relevantes continuamente estimulados (Westside
Barbell, 2023; Simmons, 2015).
Do ponto de vista fisiológico, a periodização conjugada alinha-se ao conceito de
plasticidade neural — a capacidade do sistema nervoso central de ajustar
continuamente os padrões de recrutamento e coordenação neuromuscular em
resposta a demandas diversas e simultâneas. Zatsiorsky e Kraemer (2006) descrevem
como o Método de Esforço Máximo é o mais eficiente para melhorar a coordenação
intra e intermuscular e reduzir a inibição do sistema nervoso central sobre a produção
de força, enquanto o Método de Esforço Dinâmico desenvolve a taxa de
desenvolvimento de força (Rate of Force Development — RFD) — variável crítica para
o desempenho em praticamente todos os esportes.
As limitações do modelo conjugado dizem respeito principalmente à sua complexidade
de implementação e à exigência de alto nível técnico e experiência do atleta. O risco
de acúmulo de fadiga do sistema nervoso central é também uma preocupação
legítima, especialmente quando o Método de Esforço Máximo é aplicado com
frequência elevada sem gerenciamento cuidadoso da recuperação. Por isso, o modelo
conjugado é mais indicado para atletas avançados e de alto rendimento —
especialmente no contexto de esportes de força e potência como o levantamento de
potência (powerlifting) e o levantamento olímpico —, e menos adequado para
iniciantes ou praticantes de condicionamento geral (Baker, 2018; Westside Barbell,
2023).
7 Periodização Não Linear Autorregulada: Individualização em Tempo Real
A periodização não linear autorregulada (Autoregulated Periodization — AP)
representa a abordagem mais contemporânea e personalizada entre os modelos
discutidos neste artigo. Diferentemente dos modelos anteriores, que prescrevem
cargas, volumes e intensidades com base em percentuais pré-determinados do 1RM
ou em esquemas fixos de progressão, a periodização autorregulada ajusta as
variáveis de treinamento em tempo real, com base na resposta fisiológica e
psicológica individual do atleta em cada sessão específica (Autoregulatory
Progressive Resistance Exercise — APRE, DeLorme & Watkins, 1951; Zourdos et al.,
2016).
Os fundamentos da autorregulação repousam no reconhecimento de que a
capacidade de desempenho de um atleta não é constante ao longo dos dias e das
semanas — ela flutua em função de variáveis como qualidade do sono, nível de
estresse psicossocial, estado nutricional, acúmulo de fadiga residual de sessões
anteriores e fatores ambientais. Quando um programa prescrito de forma fixa
estabelece que o atleta deve realizar cinco séries de cinco repetições com 80% do
1RM, sem considerar que naquele dia específico a capacidade real do atleta pode
estar significativamente reduzida, o treino pode tornar-se excessivamente
desgastante — aumentando o risco de lesão e comprometendo a recuperação — ou
insuficiente — produzindo estímulo abaixo do limiar necessário para a adaptação
(Zourdos et al., 2016; Graham & Cleather, 2021).
As ferramentas de autorregulação mais amplamente estudadas na literatura científica
contemporânea são a Escala de Percepção de Esforço específica para o treinamento
resistido (Rating of Perceived Exertion — RPE, na escala adaptada por Zourdos et al.,
2016), especialmente em sua versão baseada em Repetições na Reserva (Repetitions
in Reserve — RIR), e o Treinamento Baseado em Velocidade (Velocity-Based Training
— VBT). Ambas as ferramentas permitem que o praticante ou o treinador ajuste a
carga utilizada em cada série de acordo com a capacidade real expressa pelo atleta
naquela sessão, em vez de se guiar exclusivamente por percentuais de 1RM
calculados previamente.
Um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research por Graham e
Cleather (2021) comparou 31 homens treinados em um programa de agachamento
autorregulado (por RIR) versus um programa de carga fixa, durante doze semanas
com frequência de duas vezes por semana. Os resultados demonstraram que o grupo
autorregulado apresentou maiores ganhos de força ao final do período, indicando que
a autorregulação é capaz de acomodar o aumento progressivo da força do atleta ao
longo do programa de forma mais precisa do que os esquemas de carga fixa. Uma
revisão sistemática e metanálise publicada nos Frontiers in Physiology (Zhang et al.,
2021) comparando o método de autorregulação com o método de carga fixa em atletas
concluiu que as abordagens autorreguladas — especialmente o RPE baseado em RIR
e o VBT — produziram benefícios superiores em força e desempenho motor em
comparação com protocolos de carga fixa.
O estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research em 2024,
avaliando a autorregulação em um programa de periodização de sessões mistas
(Mixed Session Periodization — MSP) durante dez semanas, trouxe resultados mais
matizados: a autorregulação não proporcionou benefícios adicionais significativos
quando incorporada a um protocolo de periodização já bem estruturado. Essa
evidência sugere que a autorregulação não é uma panaceia — ela agrega maior valor
quando o programa base tem menor estrutura ou quando as flutuações na capacidade
de desempenho do atleta são particularmente pronunciadas, como em períodos de
alta demanda competitiva, acúmulo de estresse e privação de sono (Autoregulation
Does Not Provide Additional Benefits, JSCR, 2024).
A maior flexibilidade da periodização autorregulada é simultaneamente sua maior
vantagem e seu principal desafio de implementação. Requer que o atleta tenha
consciência corporal suficientemente desenvolvida para estimar com precisão suas
Repetições na Reserva — capacidade que estudos demonstram ser treinável, mas
que não está presente desde o início (Zourdos et al., 2021). Também exige do
treinador competência para interpretar as respostas individuais e tomar decisões de
ajuste de carga de forma fundamentada, sem cair em improvisação não estruturada. A
revisão de Larsen e colaboradores (2021), publicada no Healthier with Science e
fundamentada em fontes primárias indexadas, concluiu que, apesar da escassez de
estudos bem delineados sobre o tema, as evidências disponíveis indicam que o RPE
baseado em RIR é mais eficaz do que protocolos de percentual fixo, e que o VBT
apresenta vantagens adicionais quando aplicado em contextos coletivos.
8 Comparação Entre Modelos: Evidências, Indicações e Fatores de Escolha
A questão mais frequentemente levantada por treinadores e pesquisadores ao
examinar os modelos de periodização é: qual deles é superior? A resposta fornecida
pela literatura científica é inequivocamente contextual — não existe um modelo
universalmente superior, mas sim perfis de indicação distintos que dependem de
múltiplas variáveis relacionadas ao atleta, ao objetivo e ao contexto de treinamento
(Buford et al., 2007; Prestes et al., 2009).
O nível de experiência do praticante é talvez o fator mais determinante na escolha do
modelo. Iniciantes — aqueles com menos de seis meses de treinamento sistemático
— respondem de forma robusta a praticamente qualquer forma de progressão
estruturada, incluindo a periodização linear mais simples. Para essa população, a
variabilidade adicional dos modelos ondulatório e conjugado raramente produz
benefícios mensuravelmente superiores à progressão linear bem conduzida, podendo
inclusive dificultar o aprendizado técnico dos movimentos ao expor o iniciante a uma
variedade excessiva de protocolos (Kraemer & Ratamess, 2004; Fleck & Kraemer,
2014). À medida que o praticante avança para níveis intermediário e avançado — com
um ou dois anos e mais de dois anos de treinamento sistemático, respectivamente —,
a necessidade de variação de estímulos aumenta, e os modelos ondulatório, em
blocos e conjugado passam a oferecer vantagens progressivamente maiores.
O objetivo do treinamento é o segundo fator de diferenciação. Para o desenvolvimento
da força máxima em atletas avançados de esportes de força, o modelo em blocos de
Verkhoshansky e o modelo conjugado de Simmons apresentam as melhores
evidências de eficácia. Para a composição corporal e a hipertrofia em praticantes de
academia, a periodização ondulatória diária tem apresentado resultados consistentes
na literatura. Para esportes com calendário competitivo extenso e irregular —
modalidades coletivas, lutas, esportes de raquete —, a periodização não linear
autorregulada oferece a flexibilidade necessária para adaptar o treinamento às
flutuações de demanda competitiva sem comprometer a progressão (Issurin, 2010;
Buford et al., 2007).
O calendário competitivo exerce influência determinante, especialmente em esportes
com picos competitivos bem definidos. A periodização em blocos é particularmente
indicada quando existe um evento competitivo principal bem localizado no tempo, pois
permite organizar a sequência de blocos de acumulação, transformação e realização
de forma a atingir o pico de desempenho no momento exato. A periodização
conjugada, ao contrário, é mais indicada para atletas que precisam manter alto nível
de desempenho ao longo de toda a temporada, sem picos específicos de preparação
(Hartmann et al., 2015; Simmons, 2015).
A disponibilidade de recuperação é o quarto fator de diferenciação importante. O
modelo conjugado — especialmente na versão do Westside Barbell, com dois treinos
de Esforço Máximo e dois de Esforço Dinâmico por semana — impõe demanda neural
elevada e é, portanto, contraindicado para atletas com limitações de recuperação, seja
por alto volume competitivo, seja por fatores extrassportivos como estresse
profissional ou privação de sono. Nesses contextos, a periodização autorregulada
apresenta a vantagem de reduzir automaticamente a demanda de treinamento nos
dias em que a capacidade de recuperação do atleta está comprometida (Graham &
Cleather, 2021; Zourdos et al., 2016).
9 Tendências Contemporâneas e Perspectivas Futuras na Periodização
O campo da periodização do treinamento esportivo vive um momento de intensa
revisão e evolução. Três tendências contemporâneas merecem destaque especial
pela relevância de suas implicações práticas: a integração de tecnologia para
monitoramento objetivo da prontidão do atleta, a periodização baseada em evidências
individuais e a reconceituação do próprio conceito de periodização frente ao avanço
das ciências do exercício.
O desenvolvimento de ferramentas de monitoramento tecnológico tem expandido de
forma significativa as possibilidades de autorregulação do treinamento. Dispositivos
de rastreamento de velocidade de barra (como o GymAware e o PUSH Band),
aplicativos de percepção de esforço com registros históricos, e plataformas de
monitoramento de variabilidade da frequência cardíaca (Heart Rate Variability — HRV)
como indicador de prontidão diária estão transformando a capacidade do treinador de
personalizar as prescrições de treinamento em tempo real. Estudos publicados em
2023 e 2025 indicam que o uso combinado de autorregulação subjetiva (RPE/RIR) e
objetiva (VBT) produz os melhores resultados em termos de desenvolvimento de força
e potência, sugerindo que a periodização do futuro será cada vez mais baseada em
dados individuais e em tempo real (Chiang et al., 2025; Weakley et al., 2021).
A periodização baseada em evidências individuais — denominada por alguns autores
como precisão no esporte (sports precision) por analogia com a medicina de precisão
— propõe que cada atleta deve ter seu programa de treinamento construído não
apenas com base em dados populacionais de eficácia dos diferentes modelos, mas
levando em conta suas características fisiológicas individuais, incluindo polimorfismos
genéticos relacionados à resposta ao treinamento, status hormonal, histórico de
lesões e padrões de recuperação. Embora ainda incipiente em sua aplicação prática,
essa abordagem representa o horizonte mais promissor para a periodização
individualizada de alto rendimento (Timmons, 2011; Jones et al., 2016).
No plano conceitual, alguns pesquisadores têm questionado se o modelo clássico de
periodização — com suas hierarquias de macro, meso e microciclos — ainda é o mais
adequado para descrever e prescrever o treinamento contemporâneo, especialmente
em esportes com calendários altamente imprevisíveis. Kiely (2018) propôs uma
reconceituação crítica da periodização, argumentando que os modelos clássicos
superestimam a linearidade e a previsibilidade das respostas biológicas ao
treinamento e subestimam a complexidade, a não linearidade e a variabilidade
individual que caracterizam os sistemas biológicos. Essa perspectiva não descarta a
periodização, mas convida os profissionais a utilizá-la com maior flexibilidade e menor
dogmatismo, reconhecendo que os modelos são ferramentas orientadoras — não
receitas infalíveis.
Conclusão
Este artigo demonstrou que a periodização do treinamento esportivo constitui um
campo científico multifacetado, com modelos distintos e complementares que
respondem a diferentes necessidades, objetivos e contextos de treinamento. A revisão
sistemática dos cinco modelos — linear, ondulatória, em blocos, conjugada e não
linear autorregulada — evidenciou que cada abordagem possui fundamentos
fisiológicos sólidos, vantagens específicas e limitações inerentes que determinam
seus contextos de indicação preferencial.
Os principais achados indicam que: a periodização linear é a abordagem mais
indicada para iniciantes e atletas em fase de base, por sua simplicidade, segurança e
eficácia no desenvolvimento de adaptações fundamentais; a periodização ondulatória
oferece vantagens para atletas intermediários e avançados que buscam
desenvolvimento simultâneo de múltiplas qualidades físicas sem o risco de
decaimento associado ao modelo linear; a periodização em blocos maximiza
adaptações específicas de alta magnitude em atletas avançados com picos
competitivos bem definidos; o modelo conjugado é ideal para atletas de alto
rendimento que necessitam manter múltiplas capacidades físicas em nível elevado ao
longo de toda a temporada; e a periodização não linear autorregulada representa o
maior nível de personalização disponível, especialmente vantajosa em contextos de
alta variabilidade na capacidade de recuperação do atleta.
Do ponto de vista das implicações práticas para profissionais de Educação Física,
treinadores e gestores de programas de condicionamento, a mensagem central é de
que o domínio dos múltiplos modelos de periodização — e não a adesão dogmática a
um único deles — é o que define o profissional de alto nível. A capacidade de
selecionar, combinar e adaptar os modelos disponíveis de acordo com as
necessidades individuais de cada atleta ou praticante, sustentada por sólida
compreensão dos princípios fisiológicos do treinamento, é a competência mais valiosa
que a ciência da periodização pode oferecer ao profissional contemporâneo.
Para pesquisas futuras, recomenda-se: o desenvolvimento de estudos de longa
duração (superiores a vinte e quatro semanas) comparando os diferentes modelos de
periodização em populações diversas; a investigação do impacto de variáveis
individuais — genéticas, hormonais e psicológicas — na resposta diferencial aos
modelos de periodização; o aprofundamento das evidências sobre autorregulação em
contextos esportivos coletivos e em populações especiais (idosos, mulheres, pessoas
com doenças crônicas); e a exploração das potencialidades dos sistemas de
monitoramento tecnológico na individualização dos programas de periodização. O
avanço nessas frentes de pesquisa certamente consolidará e refinará o conhecimento
disponível, beneficiando atletas, praticantes e profissionais em todo o espectro do
exercício físico.

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