03/10/2026
O ano era 2004. Eu já alternava a faculdade com a Rádio Globo Curitiba noite após noite, a ponto de conseguir flexibilizar fazer algumas cadeiras pela manhã.
Era minha segunda faculdade. Sabia que queria ser comunicador, mas não sabia bem como. Fiz publicidade, me formei, mas a área não tinha muito respeito por isso. Mesmo com trabalhos na praça, fui trocado pelo sobrinho da dona da agência quando foi conveniente - espero que ele tenha dado Segmento a carreira ao menos.
Perdi meu pai e já tinha ido trabalhar de atendente de Telemarketing, vendedor de websites, de curso de inglês. Não estava fácil. Brincava de cantar na noite após três de técnica vocal. Foi aí que bateu o estalo: por que não voltar fazer jornalismo e passar a narrar jogos?
Minha mãe apoiou. Voltei. Foram anos mais maduros de estudo. Era outro cara. Tinha me encontrado.
Essa foi a monografia de conclusão. Até aqueles dias, a única nota 10 em jornalismo na Universidade Tuiuti do Paraná. Ainda uns anos depois recebia mensagens de alunos que queriam usar de base. Sempre atendo a todos com carinho. Regra de ouro de Pelé: tratar bem a todos, sempre.
De lá pra cá, muito caminhei e ainda mais caminharei. Estou longe de chegar onde sonho. Sigo tropeçando e aprendendo, tentando driblar as decepções e seguindo altivo. Sei quem sou, de onde venho e quanto ralei pra chegar até aqui.
Encontrei nas caixas da mudança e acho que o jovem Napo teria orgulho de ver onde o velho está. O velho tem orgulho de lembrar daquele jovem sonhador, batalhador, um pouco irado e muito empenhado em fazer o melhor sempre.