19/09/2026
Caros amigos benfiquistas, o nosso clube chega a este momento da temporada com sinais claros de crescimento. Depois de um início de campeonato que ainda deixava algumas dúvidas sobre a consistência da equipa, o Benfica conseguiu uma sequência de resultados que começa a dar outra dimensão ao trabalho de Marco Silva.
Na Liga, o Benfica venceu os últimos 5 jogos e mantém-se invicto (não perde, aliás, há 55 jogos de campeonato). A goleada por 7-0 frente ao Casa Pia, o triunfo por 4-0 em Moreira de Cónegos, o 3-0 no terreno do Marítimo e, mais recentemente, o 3-1 diante do Gil Vicente mostram uma equipa com capacidade para produzir golos e, principalmente, para encontrar soluções diferentes em função do adversário.
Mas é precisamente o jogo como Gil Vicente que merece uma leitura mais cuidadosa. O Benfica sofreu primeiro, esteve empatado ao intervalo e só resolveu a partida na reta final, com Pavlidis a marcar de penálti, aos 87 minutos, e Prestianni a fechar o resultado já no tempo de compensação.
Ou seja: o resultado é convincente, mas a exibição também mostrou que esta equipa ainda está a construir mecanismos para controlar jogos quando não consegue impor imediatamente o seu futebol.
E depois apareceu San Siro.
O 0-2 sobre o Milan, na estreia na Liga Europa, é seguramente o resultado com maior peso simbólico deste início de época. O Benfica foi tremendamente eficaz (ao contrário do que lhe tem sido hábito). Mais importante do que os golos, porém, na minha perspectiva, foi a capacidade de jogar num palco de enorme dimensão sem perder organização e sem perder a personalidade.
É aqui que podemos identificar a principal evolução do Benfica: a equipa parece estar a consolidar uma identidade (que define, sobretudo, o modo como encara os jogos e os procura jogar) e a ganhar confiança sem depender exclusivamente da inspiração individual.
Há, naturalmente, questões por resolver. Numa fase ainda tão inicial, há sempre questões por resolver, e é o próprio Marco Silva quem assume estar a equipa ainda longe do pretendido.
Na verdade, uma equipa que tem de lutar por títulos precisa de demonstrar que consegue manter intensidade e concentração durante 90 minutos, sobretudo frente a adversários que tenham qualidade para explorar os momentos de transição, que no meu tempo se designavam simplesmente por contra-ataques.
E a densidade competitiva começa agora a aumentar.
Como habitualmente, o clássico deste domingo é mais do que um jogo grande; e é, desta vez, um teste à maturidade competitiva deste Benfica.
A questão já não é apenas a de sabermos se o Benfica tem qualidade para ganhar. Isso a equipa já demonstrou. A questão é perceber se já está numa fase de maturidade que a leve a conseguir transportar para um contexto de máxima exigência as mesmas virtudes que mostrou em Milão: organização, eficácia, capacidade de sofrimento e personalidade.
Talvez seja esse o ponto mais interessante deste Benfica: a equipa ainda parece longe de estar totalmente acabada (nem poderia pedir-se que estivesse), mas já começa a parecer uma equipa com a tal identidade que referi.
O próximo passo é transformar essa identidade em regularidade, muito especialmente nos jogos que definem uma época!
Concordam comigo?