29/09/2026
Testemunho de AMBRÓSIO LEMOS, acerca do Concerto de Nair Nany.
Nair Coimbra
Nair Nany
Nair Nani fez aquilo que, para mim, entra facilmente para a lista dos maiores concertos gospel a solo que já vi em Angola.
Para encontrar na memória uma multidão semelhante, tenho de voltar uns 10 ou 12 anos, ao Estádio dos Coqueiros, num concerto grande Mestre Guy Destino - MNA
O que torna tudo ainda mais impressionante? O local do concerto da Nair foi anunciado praticamente no próprio dia, ou cerca de 24 horas antes. Não sei das reais razões que a organização teve mas permitam-me dizer, se não foi imprudência foi uma jogada perigosa a todos os níveis.
O local escolhido foi a Baía de Luanda.
Quem trabalha com eventos sabe o peso disso.
Ter o local confirmado tão em cima da hora e ainda conseguir montar acessos, segurança, logística, palco, som, luz, LED, equipas técnicas e toda a operação necessária para receber milhares de pessoas não é uma tarefa simples.
A organização pecou em alguns aspectos, claro. Houve coisas que podiam ter sido melhores. Mas aqui tenho de dar a mão à palmatória. Considerando as circunstâncias, houve muita maturidade na resposta. Parabéns a toda equipa da Nair.
O palco respondeu.
E montar uma estrutura daquela dimensão em tão pouco tempo não é para qualquer equipa.
O painel LED esteve muito bem, os motions usados, as transições, o conteúdo todo foi muito bem articulado. A iluminação estava muito boa. Acredito que praticamente todo fotógrafo ou videomaker que passou por aquele evento encontrou condições para produzir boas imagens. O som também respondeu muito bem.
Mas quero destacar principalmente a banda.
Que maturidade.
E aqueles backing vocals… terríveis!
Musicalmente, havia segurança. Havia uma banda preparada a acompanhar uma artista e não competir com ela. A junção do Neloy com o Mário é de tirar o chapéu sem esquecer o baixista…Quanta classe! A Nair também sabia exactamente para onde queria levar o público.
Os convidados também não deixaram mal o evento.
Filson Motuta, imponente como sempre. Um gigante multifacetado, daqueles artistas que conseguem entrar em diferentes estilos e géneros sem perder identidade nem presença.
Mateus Sebastião, um emergente agressivo, com fome, energia e uma presença que mostra claramente que há uma nova geração a pedir espaço.
E Vitória Orenze…
Aí já estamos a falar de outro nível de entrega: Brutal!
Por mais de três horas em palco, conseguiu conduzir, dominar e praticamente manipular a atmosfera da Baía de Luanda. Quem esteve lá sabe que houve momentos em que já não parecia apenas um concerto. A atmosfera mudou completamente.
E depois vem Nair, a anfitriã! Uma pequena Gigante.
Muitos foram para aquele concerto esperando ouvir as músicas antigas. Esperavam o repertório que já conhecemos, os sucessos que naturalmente colocariam toda gente a cantar.
Mas não.
Nair fez outra coisa.
Ela não se deixou prender pela expectativa do público. Trouxe aquilo que acredita ter recebido de Deus.
E isso, para mim, diz muito sobre uma artista gospel: autenticidade ministerial é fruto de intimidade, não se fabrica, se recebe.
Porque chega um momento em que é muito fácil ser conduzido pelo sucesso, pelos números, pelos hits e pela pressão de entregar aquilo que as pessoas querem ouvir.
Nair escolheu entregar aquilo que tinha para ministrar, coerência entre o tema do concerto e a entrega final.
O público sofreu? Sofreu.
Houve gente em pé desde o meio-dia até às duas da manhã. Houve pessoas que vieram de muito longe. Houve quem apareceu preparado até com colchão.
Mas estavam ali por uma razão.
E olhando para aquela multidão, fiquei com uma certeza: alguma coisa está a acontecer com a música gospel em Angola.
Uma nova frequência foi aberta.
E Nair Nani está a carregar uma parte importante desse movimento com muita honra, zelo e responsabilidade;
Há talento, claro, há trabalho, disciplina e uma equipa madura.
Mas existe também algo nela que não se fabrica num estúdio, não se compra com marketing e não se constrói apenas com técnica: Graça.
E a graça que aquela menina carrega continua incorruptível.
Parabéns à organização.
Parabéns aos músicos.
Parabéns aos convidados.
Parabéns a toda equipa técnica.
Parabéns ao público que permaneceu firme até ao fim.
E, principalmente, parabéns, Nair Nani.
Bem-haja à música gospel angolana.
Que venham mais palcos, mais multidões e, acima de tudo, mais vidas tocadas.
Maximus
MOVIMENTO AVIVAR, O REINO É URGENTE