22/07/2026
“O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...”
(Soneto do Amigo, Vinicius de Moraes)
É com o poema do Poetinha que saúdo meus amigos e irmãos de ideal que o Movimento Escoteiro me deu. Na verdade, foi o Grupo Escoteiro Mauá — grupo que deixou de existir em 2013 — o grande responsável por esses encontros. A amizade que nos une extrapola qualquer tipo de explicação, sentimento ou razão. Somos diferentes, únicos e nos aceitamos em nossas imperfeições e limitações.
Já são mais de 30 anos seguindo juntos. O Escotismo nos trouxe até aqui e nos proporcionou inúmeras aventuras e aprendizados. Mas, com toda certeza, a maior delas foi a travessia de jangada realizada em julho de 1997, do Rio Benfica, na vila de mesmo nome, até a Praia da Baía do Sol, em Mosqueiro.
Era uma jangada construída com câmaras de pneu de caminhão, chapas de compensado, ripões de madeira, cordas de sisal e uma imensa vontade de viver o extraordinário. Naquele ano fomos em seis: eu (Leonel), Pig, Jovanne, Rômulo, Nael e Hélio Júnior. Eu era o chefe escoteiro daqueles jovens, dos quais o mais velho ainda não havia completado 17 anos. Foi uma aventura inesquecível.
O ano de 2026 marca os 29 anos desse feito. Para celebrar essa história, decidimos reviver a travessia, desta vez com a participação de outros antigos escoteiros do Mauá que não puderam participar daquela aventura. Em vez da jangada, escolhemos fazer o percurso em canoas havaianas.
E, por obra do acaso (ou seria dos deuses polinésios?), chegamos à Amazônia Va’a (Amazon Paddle Club). Por indicação de Paulo Carvalho, proprietário da Amazônia Va’a, definimos o roteiro: Ilha do Combu – Ilha de Cotijuba (Praia do Seringal) – Ilha do Combu. Ao todo, seriam 74 quilômetros sobre as águas.
Na manhã de sábado, 11 de julho, às 9h10, iniciamos nossa jornada. Remávamos não para celebrar um suposto espírito aventureiro, mas para homenagear aquilo que realmente nos move: a amizade.
Em Cotijuba, ficamos hospedados na Pousada Grão, que pertenceu a Bosco Maia e Carla Fagundes e hoje é administrada por Alex Amir Khan, um s