Charles Lopes

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Charles Lopes Doutor em Biodinâmica do movimento humano pela Unicamp. Pesquisador no Doutorado UNIMEP. Palestrant

04/10/2026

Quantas vezes teremos que ficar provando que o melhor recovery é o sono?

03/10/2026

Nosso estudo recente (2026) investigou os efeitos de diferentes métodos de alongamento dos isquiotibiais antes da execução da cadeira extensora.

🧪 Metodologia:
A amostra foi composta por 22 homens treinados que realizaram 4 condições experimentais:
* Alongamento Estático (30s)
* Alongamento Dinâmico (30s)
* PNF / FNP (30s)
* Controle (sem alongamento)
Após cada protocolo, os participantes realizaram 3 séries na cadeira extensora até a falha concêntrica (com 100% de 10RM e 90s de intervalo).

📊 Resultados do Volume Total de Treino (Carga x Repetições):
• Estático: 4011 kg
• PNF: 3513 kg
• Dinâmico: 3366 kg
• Controle: 2658 kg

⚠️ Análise Crítica:
Apesar das variações numéricas observadas nas médias, não houve diferença estatisticamente significativa entre as condições (p = 0,320).
Portanto, o principal achado não é que alongar o antagonista melhora a performance, mas sim que 30 segundos de alongamento dos isquiotibiais (seja estático, dinâmico ou PNF) não prejudicaram o volume de treino realizado posteriormente pelos extensores do joelho.

🔬 Limitações do Estudo:
Analisar ciência vai além de olhar apenas para a média mais alta. É preciso considerar o tamanho do efeito, a variabilidade dos dados e as limitações do desenho:
• Amostra reduzida (22 homens)
• Um único exercício testado
• Dose única de alongamento (30s)
• Avaliação apenas de respostas agudas

💡 Aplicação Prática:
O alongamento dos antagonistas pode ser utilizado no aquecimento sem necessariamente comprometer o desempenho subsequente. No entanto, ainda não há evidências suficientes para afirmar que essa estratégia seja capaz de aumentar a performance do agonista.

02/10/2026

Dia muito especial na cob_expo onde discutimos o Processo do treinamento esportivo a longo prazo junto de grandes profissionais Antonio Carlos Gomes Ph.D. e Pablo Greco

29/09/2026

⚠️ CUIDADO AO USAR A FREQUÊNCIA CARDIÁCA NO TREINO DE CORRIDA! 🏃‍♂️💨

📊❤️ Usar o frequencímetro é ótimo para acompanhar as zonas de intensidade, mas não baseie todo o seu treino apenas nisso!

☀️ 🌡️💨 Fatores climáticos mudam tudo: treinar ao meio-dia sob o sol quente ou com umidade elevada faz a frequência cardíaca subir, sem que isso signifique necessariamente mais esforço físico.

🏋️‍♂️ Correr no ar-condicionado de uma academia é completamente diferente de encarar a rua no calor.

💡 A frequência cardíaca deve ser uma ferramenta adicional, e não a regra única do seu treino! Use o Time Trial e o teste de pace para ajustar seu rendimento de forma correta

29/09/2026

⚠️ CUIDADO AO USAR A FREQUÊNCIA CARDIÁCA NO TREINO DE CORRIDA! 🏃‍♂️💨

📊❤️ Usar o frequencímetro é ótimo para acompanhar as zonas de intensidade, mas não baseie todo o seu treino apenas nisso!

☀️ 🌡️💨 Fatores climáticos mudam tudo: treinar ao meio-dia sob o sol quente ou com umidade elevada faz a frequência cardíaca subir, sem que isso signifique necessariamente mais esforço físico.

🏋️‍♂️ Correr no ar-condicionado de uma academia é completamente diferente de encarar a rua no calor.

💡 A frequência cardíaca deve ser uma ferramenta adicional, e não a regra única do seu treino! Use o Time Trial e o teste de pace para ajustar seu rendimento de forma correta.

27/09/2026

Essa confusão é extremamente comum, tanto na literatura científica quanto no dia a dia do treino, mas há uma distinção importante entre os dois termos:

A distinção entre Método e Mecanismo

O erro ou a simplificação ocorre porque as pessoas frequentemente misturam o método de treino com o fenómeno fisiológico que o sustenta.

Treino Complexo (Complex Training): É o nome do método/protocolo. É a "receita" ou a estrutura do treino. Quando alguém diz "vou fazer um treino complexo", refere-se à organização da sessão: realizar um exercício de força (cargas altas) seguido de um exercício de potência (velocidade/saltos). É a parte prática, a execução.

PPA (Potencialização Pós-Ativação): É o nome do mecanismo fisiológico. É o "porquê" de o treino funcionar. É o fenómeno que ocorre dentro do músculo e do sistema nervoso quando a série pesada (o exercício de força) prepara o terreno para a série de potência ou velocidade.

Por que hoje em dia se usa tanto o termo "PPA"?

O termo "PPA" ganhou muito protagonismo porque a ciência do esporte moderno focou-se intensamente em tentar medir e entender esse fenómeno. Quando um treinador ou cientista diz "estou a trabalhar PPA", na verdade, ele está a tentar estimular esse efeito fisiológico.

No entanto, chamar o método de treino de "PPA" é tecnicamente impreciso.

A lógica neurofisiológica da PPA:
1- Recrutamento de unidades motoras.
2- Fosforilação da cadeia leve de miosina.
3- Aumento da exposição do Ca a tropinina.

Eu fico só imaginando o Verkochansky se remoendo na tumba, quando chamam Treino Complexo de PPA.

Nas minhas aulas eu explico a origem do método e porque hoje chamam de Treino Complexo ou Contraste e suas possíveis diferenças na prática, tudo isso NÃO cabe num post de Instagram!

26/09/2026

O treinamento baseado em velocidade (VBT - Velocity Based Training) é frequentemente mal compreendido como sendo um "método de treino" em si, quando, na verdade, sua natureza é fundamentalmente distinta. Para trazer clareza a esse conceito, podemos definir o VBT não como uma METODOLOGIA de treino mais sim como FERRAMENTA de prescrição de carga, controle, monitoramento e ajuste de intensidade.

Aqui estão os pontos centrais que diferenciam o VBT de um método de treino:

1. Uma Ferramenta, não um Método
Um método de treino.

O VBT não dita o "como" do seu objetivo (hipertrofia, força máxima ou potência), mas sim dita a precisão do esforço. Ele é uma lente através da qual você enxerga a qualidade da sua execução. Ao utilizar sensores (acelerômetros ou encoders), você transforma o VBT em uma ferramenta de feedback imediato, permitindo que o treino seja ajustado conforme o estado biológico do atleta naquele exato dia.

2. O monitoramento e Controle em Tempo Real.

O VBT resolve isso atuando como um mecanismo de autorregulação:
Controle: Ele permite saber se a velocidade de execução está alinhada com a zona de intensidade desejada.

Monitoramento: Fornece dados objetivos sobre a queda de velocidade ( O loss) dentro da série, o que é um indicador direto da fadiga neuromuscular.

3. O Foco no "Que" e não no "Como"
Enquanto os métodos de treino focam na estrutura da carga (volume e intensidade relativa), o VBT foca na velocidade de EXECUÇÃO.

Eu uso o VBT como bom senso e somente nos meus treinos de Potência e monitoramento quando necessário nos treinos de Força máxima.

Além disso NÃO saio criticando quem não usa essa ferramenta como estratégia de monitoramento, pois milhares de treinadores já trabalhavam com qualidade antes de existir tal ferramenta!

22/09/2026

Embora a literatura apresente alguns estudos que possam explanar sobre diferentes estratégias de organização de treino para hipertrofia muscular, NENHUM estudo crônico buscou compreender a forma de organizar as rotinas divididas (SPLIT) focando na parte superior do corpo.
Verificamos a influência de diferentes formas de organizar o treino de força para dois grupos musculares distintos utilizando rotinas divididas para membros superiores. N = 22 homens treinados. Os voluntários foram pareados conforme os níveis basais de força no supino reto e espessura muscular do bíceps braquial.
METODOLOGIA:
Foram distribuídos em dois grupos experimentais: rotina não-sinergista que treinou peitoral e bíceps braquial mais dorsal e tríceps braquial e rotina sinergista que treinou peitoral e tríceps braquial mais dorsal e bíceps braquial.
INTERVENÇÃO: 8 semanas.
Frequência semanal = 4x, e 2x treino A e B (SPLIT).
Te**es realizados:Espessuras musculares do tríceps braquial , bíceps braquial e peitoral maior e teste de 1RM nos exercícios supino reto e puxador frontal. Foi calculada a carga total levantada e foi verificada a percepção subjetiva de recuperação por meio da escala (QTR).
RESULTADOS:
Os dois grupos aumentaram a força no supino e puxada na mesma magnitude.
Hipertrofia similar (espessura muscular) no peitoral, bíceps e tríceps em ambos os grupos.
Carga total levantada: aumentou na mesma magnitude em ambos os grupos ao longo das 8 semanas.
A QTR não diferiu entre os grupos.

Reforçando: o volume de séries por grupo muscular foi alto, as séries foram realizadas até a falha concêntrica, ademais investigamos o volume prévio de séries utilizadas pelos dois grupos (essas informações não cabem neste post)!

APLICAÇÕES PRÁTICAS:
As duas estratégias podem e devem ser usadas em alunos treinados em força, apresentando respostas iguigualmente efetivas para o aumento da hipertrofia muscular e força.

LÓGICO QUE O PÚBLICO DAS REDES SOCIAIS GOSTARIAM DE MAIS POLÊMICAS SOBRE QUAL ORGANIZAÇÃO DE TREINO SERIA MELHOR, MAS OS RESULTADOS NA PRATICA NÃO SUSTENTARAM ESSA BRIGUINHA , Kkkk

20/09/2026

Ontem foi dia de discuitir no ENAF 40 anos um tema bastante polêmica.

O conceito de Treinamento Concorrente a prescrição de estímulos de força e endurance na mesma sessão ou microciclo é frequentemente simplificado por dogmas da musculação.

A premissa de que "o cardio inibe a hipertrofia" é uma generalização que ignora princípios fundamentais da fisiologia do exercício e da biologia molecular. 🧬

A resposta fisiológica depende da interação entre o status de treinamento do indivíduo e a modulação das vias de sinalização celular. Precisamos distinguir dois cenários distintos:

1️⃣ Fitness e Estética (População Geral):
Neste contexto, o "efeito de interferência" é frequentemente negligenciado pelos dados científicos. O treinamento concorrente é uma estratégia eficaz para otimização da composição corporal (aumento do dispêndio calórico total).

2️⃣ Alto Rendimento Esportivo:
Aqui, a periodização deve ser cirúrgica, dada a especificidade adaptativa exigida:

🔸 Modalidades de Endurance: O treinamento de força é prescrito para melhorar a economia de movimento e a rigidez músculo-tendínea. O desafio é controlar o volume de força para evitar que a fadiga neuromuscular comprometa a capacidade de recuperação do sistema aeróbio. Nessas modalidades o treino de força e endurance NÃO são considerados concorrentes.

🔸 Modalidades de Força e Potência: O estímulo aeróbio não é recomendado para tais esportes, pois pode comprometer a razão de desenvolvimento de força.

🔸 Esportes Coletivos: A complexidade é máxima. O atleta exige competências fisiológicas antagonistas. O planejamento exige uma distribuição estratégica dos estímulos com características aeróbias, anaeróbias e das distintas manifestações de força. Nesses modalidades sugere-se inserir em determinados momentos da periodização com treinos técnicos e táticos, porém com total monitoramento das cargas de treinos.

18/09/2026

Muita gente acredita que a consciência corporal só é trabalhada em modalidades específicas (como Yoga, Pilates ou treinos da modinha).

Mas, na minha visão, a história é bem mais simples: qualquer exercício gera melhora na consciência corporal.

Por quê? Porque o simples ato de se mover, seja em uma máquina, com peso livre, elástico ou apenas o peso do corpo, obriga o seu sistema nervoso a coordenar:

1️⃣ Coordenação Intramuscular: O recrutamento das unidades motoras dentro de um mesmo músculo.
2️⃣ Coordenação Intermuscular: A sinergia entre diferentes músculos para realizar uma tarefa.

Quando você realiza um agachamento, um levantamento terra, desenvolvimento militar ou exercícios pliométricos não está apenas "movendo carga". Você está gerenciando equilíbrio dinâmico, estabilidade estática e recrutamento neuromuscular o tempo todo. 🏋️‍♂️

Se o seu corpo precisa se organizar no espaço para realizar um movimento eficiente e seguro, ele está, obrigatoriamente, refinando a sua percepção proprioceptiva.

O desenvolvimento da consciência corporal não está restrito ao tipo de exercício, mas sim à atenção e à qualidade com que você executa cada repetição.

Um agachamento bem feito, com foco na ativação correta e no controle do movimento, é uma ferramenta extremamente poderosa de conexão mente-corpo. O "segredo" está muito além do exercício escolhido; está na forma como você se coloca presente em cada série.

Para até piada, mas às vezes o óbvio precisa ser dito!!!

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