10/09/2026
O básico não parou de funcionar. Só parou de impressionar.
No treinamento, existe uma tendência compreensível de associar novidade a avanço. Um exercício diferente, uma nova técnica ou uma execução mais complexa podem transmitir a sensação de que estamos diante de uma estratégia superior. Mas ser novo não é evidência de ser melhor.
Isso também não significa que devemos rejeitar variações ou defender exercícios tradicionais simplesmente porque são utilizados há décadas.
Novas estratégias podem ser úteis, e modificar um exercício pode altera suas demandas mecânicas, adequá-lo às características individuais, contornar desconfortos ou favorecer preferência e aderência.
O problema está em outro ponto: presumir superioridade a partir da novidade.
Adicionar instabilidade, modificar apoios, combinar movimentos ou tornar uma execução mais complexa modifica as demandas da tarefa. Mas complexidade, por si só, não é uma medida de eficácia. Para afirmar que uma estratégia é “melhor”, primeiro precisamos perguntar: melhor para qual objetivo, para qual indivíduo e em qual contexto?
O mesmo vale para a variação. Trocar exercícios pode fazer sentido, mas progresso não exige transformar cada sessão em uma experiência completamente diferente. Em muitos casos, manter determinados exercícios ao longo do tempo pode facilitar o desenvolvimento técnico, o monitoramento do desempenho e a organização da progressão.
Ao mesmo tempo, o treinamento não deve ser conservador por princípio.
Se novas evidências indicarem uma estratégia mais adequada, devemos mudar. Se uma nova variação atender melhor a determinado objetivo ou indivíduo, devemos utilizá-la.
Ciência não é defender o antigo contra o novo.
É exigir do novo o mesmo que deveríamos exigir do antigo: uma boa justificativa para utilizá-lo.
No final, a escolha de um exercício não deveria depender do quanto ele impressiona.
Deveria depender do quanto ele faz sentido. (Victor Lima)