Minha Visão do Jogo

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23/02/2026

O DESEQUILÍBRIO COBRA O PREÇO

A eliminação do Coritiba para o Operário Ferroviário, em pleno Estádio Couto Pereira, foi vergonhosa. Com todo o respeito que se deve ao time pontagrossense, não se pode minimizar a queda de um clube grande da capital diante de uma equipe do interior que capengou para se classif**ar na primeira fase do estadual.

Contudo, para além da eliminação, o Coxa precisa se preocupar com a falta de equilíbrio da equipe. É preciso lembrar que, nos últimos três jogos — contra Operário e Chapecoense —, o Verdão marcou sete gols e sofreu outros sete. Isso é, sem dúvida, reflexo da mudança de filosofia de jogo implantada por Fernando Seabra.

Ao contratar Seabra, o Coritiba fez uma escolha: buscar um jogo mais ofensivo, ocupando o último terço do campo, em vez do padrão adotado nos últimos tempos, que priorizava a defesa e explorava as jogadas de transição. Porém, para que a decisão se mostre acertada, pesará muito o nível técnico do elenco. A qualidade dos jogadores à disposição do treinador será determinante para definir se o time pode, de fato, assumir o protagonismo nas partidas.

Nesse cenário, surge a principal preocupação: se a proposta de um time que ocupa mais o terço ofensivo já tem cobrado um preço alto contra Operário e Chapecoense, o que acontecerá quando o Coxa enfrentar adversários como Flamengo e Palmeiras?

Descrição: Arte com a ilustração de um estádio iluminado ao fundo. Em primeiro plano, Fernando Seabra segura uma balança dourada que pende para o lado direito. Ele é homem de pele clara e usa camisa azul-marinho com detalhes verdes e o escudo do Coritiba. Na parte superior aparecem os textos: “Coritiba eliminado” e “O desequilíbrio cobra o preço”. No canto superior esquerdo está o logotipo “AB Agnaldo Borcath”.

23/02/2026

QUANDO FALTA CONVICÇÃO, SOBRA INCOMPETÊNCIA

O que mais falou alto na derrota do Athletico para o Londrina, ontem, na Arena da Baixada, foi a falta de convicção de Odair Hellmann.

Se o Furacão tivesse mantido a piazada até o final da partida, a eliminação poderia entrar na conta de um planejamento que privilegia a juventude. O resultado serviria, ao menos, como aprendizado para a molecada.

Contudo, após perder o primeiro tempo com uma falha terrível do experiente Léo Pelé, Odair trouxe os cascudos para a segunda etapa. Assim, jogou a derrota na conta dos meninos e colocou nas costas dos experientes a responsabilidade de reverter o placar adverso.

No final das contas, a eliminação acabou sendo um vexame total. O time do segundo tempo, formado pelos cascudos, não resolveu.

No meio disso tudo, ainda houve mais um pênalti perdido. O que também demonstra a falta de convicção de Odair. Vale lembrar que o treinador rubro-negro afirmou, após Viveros desperdiçar duas cobranças contra o Foz do Iguaçu, que o colombiano continuaria sendo o responsável pelas penalidades. Depois disso, Julimar bateu duas (acertou uma e errou outra) e, ontem, foi a vez de João Cruz desperdiçar.

Com tudo isso, f**a ainda mais forte para o torcedor do Athletico a sensação de que a Série B do Brasileiro está logo ali. Afinal, pelo que se observa, Odair não confia na piazada do Caju, e os atleticanos terão de confiar nos cascudos para salvar a lavoura no Nacional — os mesmos que não deram conta do fraco Campeonato Paranaense.

Descrição: Arte com fundo de estádio de futebol iluminado à noite. À esquerda, Odair Hellmann aparece pensativo, com a mão na cabeça. Ele é grisalho, usa óculos e jaqueta dourada. No alto da imagem está escrito: “Athetico 0 x 1 Londrina”. Em destaque, dentro de um balão vermelho, lê-se: “Quando falta convicção, sobra incompetência”. Na parte inferior aparecem os escudos do Athletico e do Londrina. No canto superior esquerdo está a marca “AB Agnaldo Borcath”.

20/02/2026

SÓ FALTOU TUDO

A atuação do Athetico na derrota por 1 a 0 para o Corinthians foi muito elogiada por Odair Hellmann. Na entrevista coletiva, o técnico atleticano ressaltou que o time, contrariando a expectativa de muitos analistas, não foi reativo e conseguiu propor o jogo. Por ter desperdiçado diversas oportunidades, afirmou que “só faltou o gol”.

O Corinthians, por sua vez, não fez nada na partida — só o gol.

O discurso está completamente equivocado. Dizer que para o Furacão só faltou o gol equivale a dizer que, para eu ir à Disney, só falta o dinheiro necessário para bancar todas as despesas da viagem. Já tenho mala, roupas e muita vontade — só falta a grana.

Faltou tudo ao Athetico na noite de ontem.

Faltou atenção ao rebote, e por isso a bola sobrou para Rodrigo Garro finalizar com qualidade. Faltou pontaria a Julimar para acertar o gol na cobrança de pênalti. Faltou qualidade a Viveros para colocar a bola no barbante. Faltou agilidade a Odair Hellmann para colocar a piazada ainda no primeiro tempo. Faltou repertório ao time, que não pode viver apenas de bola esticada. Faltou a Zapelli entender mais rápido que o jogo já havia começado.

Concordo que a derrota para o Timão não deve servir para fazer terra arrasada. A disposição em campo ao menos traz a sensação de que o time está mais competitivo do que nas últimas temporadas. Todavia, ser competitivo não basta; é preciso mostrar qualidade.

E a qualidade de que o rubro-negro precisa está à disposição: os meninos. Odair precisa se conscientizar de que Bruninho, Chiqueti, Dudu, João Cruz e companhia estão prontos. Têm todas as condições de disputar o Brasileirão em alto nível. Pode parecer exagero, mas poucos times no Brasil têm à disposição atletas jovens com esse potencial.

Agora, é preciso apostar tudo na piazada. Caso contrário, tudo o que vai sobrar é esse discurso vazio de que o Athetico fez tudo — só não fez o básico.

Descrição: Arte com fundo de estádio iluminado. À esquerda, o jogador Julimar aparece com as mãos na cabeça e expressão de frustração. Ao centro e à direita, estão os escudos do Athletico e do Corinthians. Em destaque, o placar “Athletico 0 x 1 Corinthians” e a frase em letras grandes: “Só faltou… tudo”. No canto superior direito, há a marca “AB Agnaldo Borcath”.

13/02/2026

Gol no apagar das luzes e cem por cento no Brasileirão

Um jogo como Athletico e Santos, ocorrido ontem na Arena da Baixada, não é fácil de avaliar. São muitos detalhes e diversos vieses possíveis de análise. Mas, como a meta deste blog é tentar fugir do lugar-comum, vou procurar mesclar algumas situações recorrentes na maioria dos comentários com aspectos que pouco tenho ouvido na cobertura regular.

Quero começar pela dificuldade apresentada por Odair Hellmann em conciliar discurso e prática. Quando Kevin Viveros perdeu dois pênaltis contra o Foz do Iguaçu, pelo Campeonato Paranaense, o técnico atleticano afirmou categoricamente que, caso surgisse nova penalidade, convocaria novamente o atacante colombiano para assumir a responsabilidade.

Pois a chance apareceu contra o Santos, em uma penalidade sofrida pelo próprio Viveros. Só que, dessa vez, o escolhido para a cobrança foi Julimar. A decisão se mostrou acertada, já que o ponta marcou o primeiro gol rubro-negro na partida.

Ainda sobre o pênalti marcado a favor do Athletico, finalmente a torcida atleticana encontrou algum motivo para se alegrar com Zé Ivaldo.

O gol de empate do Santos surgiu de uma falha do Santos. Explico: o goleiro atleticano, homônimo do adversário, tentou uma reposição estilo jornada nas estrelas e meteu um “balão” para cima. Miguelito aproveitou e a bola sobrou para Thaciano, que marcou.

No panorama geral, é possível afirmar que o Furacão mostrou virtudes, mas também apresentou falhas que não podem ser ignoradas.

A principal qualidade do Athletico neste início de temporada tem sido a competitividade. Errando ou acertando, não se pode dizer que o time não se dedica na busca pelo resultado. Na partida de ontem, após um primeiro tempo morno, o segundo foi intenso, de muita trocação. Tanto Athletico quanto Santos poderiam ter saído com a vitória. Prova disso é que o goleiro Santos — redimindo-se da falha inicial — fez pelo menos duas grandes defesas. Ainda assim, saltou aos olhos a entrega dos jogadores rubro-negros.

Por outro lado, Odair demorou a perceber uma fragilidade evidente durante boa parte do jogo: um buraco no meio-campo. O Furacão atuou com dois alas — Benavides, pela direita, e Léo Derik, pela esquerda. Julimar e Mendoza jogaram muito abertos, nas costas de Viveros. Com isso, sobrava espaço pelo centro, já que Portilla e Zapelli eram os únicos responsáveis por marcar e articular. Enquanto isso, o Santos encontrava liberdade com Gabriel Menino, João Schmidt e Gabriel Bontempo povoando o setor.

A situação foi corrigida quando Hellmann colocou em campo Dudu, Chiqueti e Bruninho. Os três piás do Caju entraram muito bem e deram novo fôlego ao ataque rubro-negro.

Por fim, é preciso registrar que duas “inhacas” — espero — foram espantadas na noite de ontem. A primeira diz respeito a Viveros. Embora já tivesse marcado na temporada, o colombiano vivia aquela fase terrível para qualquer atacante, em que a bola parece não querer entrar. Com o gol de ontem, a chave pode ter virado, e a torcida já se permite sonhar com um Viveros protagonista no Brasileirão.

O segundo ponto positivo foi o gol da vitória no último minuto. Diferentemente do que vinha acontecendo nos últimos anos — quando o Athletico jogava como nunca e perdia como sempre, sofrendo gols nos acréscimos — desta vez o desfecho foi outro. E isso, convenhamos, também muda a atmosfera de um campeonato.

Descrição: Arte digital. Ao fundo, a ilustração de um estádio de futebol iluminado, com arquibancadas azuis e refletores acesos, sob um céu em tom azul degradê. À esquerda, Kevin Viveros: um homem negro, vestindo camisa rubro-negra com mangas pretas. Ele segura o escudo do clube junto ao peito com a mão direita. Na parte superior central, o escudo do Athletico Paranaense. À direita, o escudo do Santos Futebol Clube. Na parte inferior direita, um placar em letras grandes: “ATHLETICO 2 X 1 SANTOS”. Logo abaixo, em fonte ainda maior e dentro de um retângulo vermelho, lê-se a expressão: “SAI, INHACA!”. No canto superior direito, um logotipo estilizado contendo as letras “AB” e um desenho de olho.

12/02/2026

SABOR DERROTA

Uma análise fria do empate em 3 a 3 entre Chapecoense e Coritiba permite dizer que foi, sim, um bom resultado para o alviverde: um ponto fora de casa, em um campeonato tão disputado quanto o Brasileirão, precisa ser valorizado. Porém, as circunstâncias da partida deixam aquela sensação de que poderia ter sido melhor.

Bom, é isso que diz a unanimidade dos comentaristas de futebol do Paraná. Eu prefiro analisar a partida e o resultado por outro viés.

O Coxa abriu o marcador jogando bem, no fim do primeiro tempo, com Breno Lopes. Era fechar a casinha e levar a vitória para o vestiário. Porém, aos 45 minutos, a defesa bate cabeça, Morisco f**a mais perdido que peru em véspera de Natal, e Walter Clar aproveita o rebote para empatar.

No segundo tempo, a Chape voltou melhor, pressionando em busca da virada. Mas o Coxa, após as mexidas de Seabra, conseguiu ampliar para 3 a 1, com gols de Breno Lopes e Pedro Rocha. Eis a ousadia do técnico coxa-branca surtindo efeito e o ataque funcionando muito bem.

A essa altura, parecia impossível a vitória escapar. A defesa do Coritiba, marcada pela consistência nos últimos tempos, não cometeria mais de uma falha no mesmo jogo. Cometeu mais duas.

Aos 26 minutos, a defesa alviverde dorme e deixa Eduardo Doma livre para cabecear para as redes. O empate veio depois, em nova falha bisonha da zaga coxa-branca. Em um lance desastrado, Cóser deu um carrinho no jogador errado e atropelou o próprio companheiro, Jacy. A partir daí, o caminho ficou aberto para Rubens empatar e dar números finais à partida.

Jacy, definitivamente, não precisa de inimigos.

O que aconteceu ontem na Arena Condá não é comum. O Coritiba não costuma nem fazer nem sofrer muitos gols. Isso deixa uma missão clara para Fernando Seabra: encontrar o equilíbrio do time daqui para frente. Quanto ao peso do empate, só saberemos no fim do campeonato. Pode ser aquele ponto fora de casa que salvou a vida do Coxa na Série A — ou que contribuiu para algo maior. Pode também representar os dois pontos que faltaram na rodada decisiva.

Descrição: Arte digital com fundo ilustrado de estádio de futebol. Na parte superior, em uma faixa amarela, lê-se “CHAPE 3 X 3 COXA”. Abaixo, sobre uma faixa vermelha, está a frase “SABOR DERROTA!” em letras grandes e amarelas. No canto superior direito aparece a marca “AB Agnaldo Borcath”, com um ícone de olho estilizado.Na parte inferior central, há a imagem recortada do influenciador Tiago Toguro, Ele tem a pele clara e usa camiseta do Coritiba, boné cinza para trás e óculos escuros. Com o braço esquerdo esticado, ele segura uma garrafa azul com tampa rosa, que exibe o escudo do Coritiba e da Chapecoense.

06/02/2026

Coxa 2, Cruzeiro 1: o jogo dos clichês

Existem clichês do futebol que são inescapáveis. O jogo que é uma “caixinha de surpresas”, aquele em que, volta e meia, surge o tal do “imponderável futebol clube”, está sempre nos lembrando que não há exatamente nada de novo no mundo da bola.

Basta olhar para o jogo de ontem entre Cruzeiro e Coritiba: uma verdadeira coleção de clichês.

Começando pelo mais clássico de todos: mais uma vez ficou provado que “o futebol é o único esporte em que o mais fraco pode vencer o mais forte”. O Cruzeiro, com investimento (ou gasto?) de R$ 173,5 milhões, aparece entre os três favoritos ao título nacional, ao lado de Flamengo e Palmeiras. Já o pobre Coxa, 18º no ranking de valor de elencos do Brasileirão e recém-promovido à elite, é apontado por muitos especialistas como forte candidato a mais um rebaixamento em sua história.

Pois bem. Dentro desse contexto, o favorito Cruzeiro perdeu para o Alviverde. A Raposa até saiu na frente no primeiro tempo, com um bonito gol de Matheus Pereira. O camisa 10 deixou Willian Oliveira no chão e finalizou no alto, sem chances para o goleiro Morisco.

O gigante achou que terminaria a primeira etapa com o placar a seu favor. Só que o Coxa não se deu por vencido. Após a pausa para hidratação, o Cruzeiro voltou com sono, e o Verdão empatou aos 44 minutos, com Lavega. Dá até para dizer, com a p***a de um comentarista mais erudito, que “o gol saiu na hora certa”.

Veio o segundo tempo e a Raposa resolveu “deixar o Coritiba gostar do jogo”. Erro fatal.

A virada coxa-branca nasceu em um lançamento do goleiro Pedro Morisco para Lucas Ronier. O atacante fazendense matou a gorduchinha no peito e encontrou Breno Lopes entre a marcação. O ponta esquerda driblou o goleiro Cássio e empurrou para o gol vazio, aos 7 minutos da segunda etapa.

Depois disso, o Coritiba tratou apenas de “cozinhar o galo” — que não se confunde com o principal rival da Raposa — e administrou o 2 a 1 até o apito final.

E, para fechar com ainda mais clichês: no Mineirão, ontem, repetiu-se a velha história de Davi contra Golias. O pequeno derrubou o gigante. Porque, afinal, “favoritismo se confirma dentro das quatro linhas” e, como todo bom boleiro sabe, “quem morre de véspera é peru”.

Descrição: Em um estádio de futebol estilizado, com arquibancadas azuis ao fundo e gramado verde em primeiro plano, duas figuras centrais representam a cena bíblica de Davi e Golias. À esquerda, Golias aparece caído no chão. Ele veste uniforme do Cruzeiro, capacete metálico e segura a cabeça com a mão. À direita, Davi está em pé, em posição de ataque. Ele veste uniforme do Coritiba e segura uma funda na mão direita. No topo da imagem, há elementos gráficos com os textos “Coxa 2, Cruzeiro 1” e “O jogo dos clichês”. No canto superior direito, aparece a logomarca “AB Agnaldo Borcath”.

04/02/2026

Melhor cinco do que oito?

O Athletico goleou o Foz do Iguaçu no jogo de ida das quartas de final do Ruralzão 2026. Não fez mais do que a obrigação.

Para mim, o personagem da partida em que o Furacão venceu por 5 a 0 foi Kevin Viveros. Pelo visto, o atacante colombiano começou o ano sem muita vontade de abraços. No seu primeiro jogo da temporada, contra o Internacional, Viveros perdeu dois gols incríveis. Daqueles que até minha tia reumática faria.

No jogo de ontem, na Arena, ele conseguiu se superar: perdeu dois pênaltis e mais um gol feito, após passe de Felipe Chiqueti.

Não manteve a regularidade porque acabou marcando com o gol vazio, depois de assistência de Stiven Mendoza. Mas, convenhamos, perder aquele ali exigiria um esforço extra — e o atacante já parecia cansado.

Na entrevista coletiva pós-jogo, Odair Hellmann afirmou que, na próxima vez em que houver pênalti para o rubro-negro, o batedor será novamente Viveros. Ao que tudo indica, faz parte da estratégia atleticana para a temporada desperdiçar alguns gols, evitando humilhar demais os adversários.

Com o Foz do Iguaçu deu certo. Tomara que com Palmeiras, Flamengo e companhia também funcione.

Oremos.

Descrição: Card retangular, com fundo ilustrado de um estádio de futebol. No topo, faixa amarela com texto em vermelho: “ATHLETICO 5 X 0 FOZ DO IGUAÇU”. Abaixo, retângulo vermelho, com letras amarelas: “MELHOR CINCO DO QUE OITO”. No canto superior esquerdo, logomarca “AB”, com um ícone de olho estilizado e o nome Agnaldo Borcath. Na parte inferior da imagem, à esquerda, Kevin Viveros com a mão na testa e olhando levemente para cima. À direita, Odair Hellmann, de cabelos grisalhos e pele clara, veste uma jaqueta bege. Ele sorri e olha em direção a Viveros.

03/02/2026

Desacordos de última hora

O Furacão não entrou em campo no último fim de semana, mas marcou presença — e com força — no noticiário. Tudo por conta da frustrada negociação com Edwuin Cetré. Estava tudo encaminhado para que o atacante colombiano, de 28 anos, vestisse a camisa que “só se veste por amor”. A torcida, inclusive, levou um perdido no aeroporto — o que, no fim das contas, acabou se mostrando uma decisão acertada.

O jogador já estava em Curitiba para acertar os últimos detalhes. E foi justamente aí — onde mora o diabo — que o caldo desandou.

Estudiantes e Athletico informaram oficialmente que o negócio não prosperou por “desacordos de última hora sobre os termos entre as duas instituições”. A partir daí, pipocaram versões de todos os lados. Alguns jornalistas e blogs especializados no Athletico apontaram problema cardíaco; outros falaram em joelho “bichado”; e houve ainda quem, timidamente, insinuasse um desacerto financeiro de última hora.

Ao que tudo indica, o colombiano não ficou no Furacão por um combo de problemas. Os exames teriam apontado que artérias responsáveis por irrigar o coração de Cetré apresentavam placas de gordura. Além disso, o platô tibial — o popular osso da canela — estaria lesionado. Para completar, o menisco também não estaria em condições ideais, reflexo de uma cirurgia realizada há cerca de seis anos.

Acha que acabou? Não.

Para além das questões médicas, há também o fator financeiro. O Estudiantes de La Plata, atual clube do jogador, puxou para um lado; o Independiente Medellín, ex-equipe de Cetré, puxou para o outro. Resultado: não houve consenso entre as partes. Diante do impasse — e de todo o contexto — o Athletico decidiu tirar o time de campo.

Independentemente dos motivos que levaram à não contratação de Cetré, uma coisa parece certa: Mario Celso Petraglia é, provavelmente, o único atleticano comemorando esses tais desacordos de última hora. Afinal, os cerca de 35 milhões de reais que seriam investidos em um único jogador agora podem ser distribuídos na contratação de dois ou três meia-bocas — algo que combina perfeitamente com o histórico e a filosofia de negociação do presidente do Furacão.

Descrição: Fundo ilustrado de um estádio de futebol. O céu e as arquibancadas aparecem em tons de azul. O gramado ocupa a parte inferior da imagem. No canto superior esquerdo, logomarca com as letras “AB” em preto e cinza, integradas a um desenho de olho. Abaixo, letras pretas: Agnaldo Borcath. Na parte superior central, a representação de um óculos. Na lente esquerda, o escudo do Athletico Paranaense. Na lente direita, o escudo do Coritiba. Abaixo dos óculos, um retângulo amarelo. Dentro dele, em letras vermelhas: “Edwuin Cetré”. Logo abaixo, um retângulo vermelho com letras amarelas: “Desacordos de última hora”. Na parte inferior, à esquerda, a imagem de Agnaldo usando fone de ouvido e falando ao microfone. Ele usa óculos e segura uma folha de papel. No centro, Mario Celso Petraglia de camisa vermelha aparece aplaudindo. À direita, Cetré com uniforme vermelho e branco mantém as mãos unidas à frente do rosto.

02/02/2026

Coxa sai na frente no Paranaense de gol a gol

Com um time misto, o Coritiba foi a Cianorte disputar a primeira partida das quartas de final do Campeonato Paranaense 2026.

Jogo desinteressante. A Rua XV, no Carnaval, tem mais movimento do que teve na partida no Vale do Ivaí.

O Alviverde teve mais posse de bola, mas pouco criou. A melhor chance surgiu no primeiro tempo, quando Fabinho, cara a cara com o goleiro, chutou em cima de Felipe Garcia.

O goleiro do Leão do Vale até poderia ter se consagrado, segurando o zero a zero. Mas, aos quarenta e tantos minutos do segundo tempo, resolveu brincar de gol a gol com Pedro Rangel e levou a pior.

Sem confiar na saída de bola com os pebas da defesa, o goleiro do Coxa bateu o tiro de meta no estilo “se virem aí na frente”. Felipe aceitou. O gol fortuito fez injustiça a um placar que deveria ter terminado como começou.

De qualquer forma, esse 1 a 0 do Coxa sobre o Leão do Vale deveria inspirar a criação de um novo certame: o Campeonato Paranaense de Gol a Gol. Tenho certeza de que seria bem mais atraente do que o atual ruralzão do Paraná.

29/01/2026

“Tá aí o que você queria!” - Atletiba estreia no Brasileirão

O Athletico foi ao Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre, para esfriar o ânimo colorado, que ainda fervia após a vitória no Gre-Nal. E conseguiu. Venceu o Internacional por 1 a 0, com gol de Mendoza.

A vitória deve, sim, ser comemorada. Ganhar logo na estreia, fora de casa, é uma excelente largada no Campeonato Brasileiro.

Mas nada de exaltações. É preciso ponderar que o Inter é um time fraco, que dificilmente aspirará grandes coisas na competição, e que o Athletico ainda precisa apresentar um futebol melhor para convencer seu torcedor.

Foi o famoso confronto direto entre dois times ruins. Uma típica briga de bêbados. De um lado, o time gaúcho que quase despencou ladeira abaixo na temporada passada; do outro, o Furacão, recém-retornado à elite, que terá de se segurar de todas as formas para não cair novamente.

Um destaque especial desse jogo foi o excelente entrosamento entre Viveros e a defesa colorada. O atacante rubro-negro, não querendo fazer o gol, em duas chances claríssimas, facilitou a vida dos zagueiros do Inter.

Já o Coritiba começou o campeonato exibindo pouco futebol e muita disposição — uma receita perfeita para o rebaixamento.

A derrota por 1 a 0, em casa, para o RB Bragantino entristeceu a torcida, mas agradou ao treinador. Seabra elogiou o time, enaltecendo o que chamou de “caráter” dos jogadores.

O fato, porém, é que — com ou sem caráter — o Coxa segue demonstrando dificuldade para jogar no Couto Pereira. E, na real, o que o torcedor quer não são virtudes morais, mas a bola na rede dos adversários.

Destaque do jogo foi a atuação de Pedro Rocha. O atacante coxa-branca, ao sentir o vento da mão de Pedro Henrique, simulou uma quase morte. Nem Wagner Moura seria tão convincente.

Enquanto as barbas do vovô Coxa já estão de molho, rubro-negros mais afoitos já enxergam o Furacão na Libertadores. Eu diria a ambos: preparem-se para o pior. O que vier a partir disso é lucro.

Contém texto alternativo.

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