13/02/2026
Gol no apagar das luzes e cem por cento no Brasileirão
Um jogo como Athletico e Santos, ocorrido ontem na Arena da Baixada, não é fácil de avaliar. São muitos detalhes e diversos vieses possíveis de análise. Mas, como a meta deste blog é tentar fugir do lugar-comum, vou procurar mesclar algumas situações recorrentes na maioria dos comentários com aspectos que pouco tenho ouvido na cobertura regular.
Quero começar pela dificuldade apresentada por Odair Hellmann em conciliar discurso e prática. Quando Kevin Viveros perdeu dois pênaltis contra o Foz do Iguaçu, pelo Campeonato Paranaense, o técnico atleticano afirmou categoricamente que, caso surgisse nova penalidade, convocaria novamente o atacante colombiano para assumir a responsabilidade.
Pois a chance apareceu contra o Santos, em uma penalidade sofrida pelo próprio Viveros. Só que, dessa vez, o escolhido para a cobrança foi Julimar. A decisão se mostrou acertada, já que o ponta marcou o primeiro gol rubro-negro na partida.
Ainda sobre o pênalti marcado a favor do Athletico, finalmente a torcida atleticana encontrou algum motivo para se alegrar com Zé Ivaldo.
O gol de empate do Santos surgiu de uma falha do Santos. Explico: o goleiro atleticano, homônimo do adversário, tentou uma reposição estilo jornada nas estrelas e meteu um “balão” para cima. Miguelito aproveitou e a bola sobrou para Thaciano, que marcou.
No panorama geral, é possível afirmar que o Furacão mostrou virtudes, mas também apresentou falhas que não podem ser ignoradas.
A principal qualidade do Athletico neste início de temporada tem sido a competitividade. Errando ou acertando, não se pode dizer que o time não se dedica na busca pelo resultado. Na partida de ontem, após um primeiro tempo morno, o segundo foi intenso, de muita trocação. Tanto Athletico quanto Santos poderiam ter saído com a vitória. Prova disso é que o goleiro Santos — redimindo-se da falha inicial — fez pelo menos duas grandes defesas. Ainda assim, saltou aos olhos a entrega dos jogadores rubro-negros.
Por outro lado, Odair demorou a perceber uma fragilidade evidente durante boa parte do jogo: um buraco no meio-campo. O Furacão atuou com dois alas — Benavides, pela direita, e Léo Derik, pela esquerda. Julimar e Mendoza jogaram muito abertos, nas costas de Viveros. Com isso, sobrava espaço pelo centro, já que Portilla e Zapelli eram os únicos responsáveis por marcar e articular. Enquanto isso, o Santos encontrava liberdade com Gabriel Menino, João Schmidt e Gabriel Bontempo povoando o setor.
A situação foi corrigida quando Hellmann colocou em campo Dudu, Chiqueti e Bruninho. Os três piás do Caju entraram muito bem e deram novo fôlego ao ataque rubro-negro.
Por fim, é preciso registrar que duas “inhacas” — espero — foram espantadas na noite de ontem. A primeira diz respeito a Viveros. Embora já tivesse marcado na temporada, o colombiano vivia aquela fase terrível para qualquer atacante, em que a bola parece não querer entrar. Com o gol de ontem, a chave pode ter virado, e a torcida já se permite sonhar com um Viveros protagonista no Brasileirão.
O segundo ponto positivo foi o gol da vitória no último minuto. Diferentemente do que vinha acontecendo nos últimos anos — quando o Athletico jogava como nunca e perdia como sempre, sofrendo gols nos acréscimos — desta vez o desfecho foi outro. E isso, convenhamos, também muda a atmosfera de um campeonato.
Descrição: Arte digital. Ao fundo, a ilustração de um estádio de futebol iluminado, com arquibancadas azuis e refletores acesos, sob um céu em tom azul degradê. À esquerda, Kevin Viveros: um homem negro, vestindo camisa rubro-negra com mangas pretas. Ele segura o escudo do clube junto ao peito com a mão direita. Na parte superior central, o escudo do Athletico Paranaense. À direita, o escudo do Santos Futebol Clube. Na parte inferior direita, um placar em letras grandes: “ATHLETICO 2 X 1 SANTOS”. Logo abaixo, em fonte ainda maior e dentro de um retângulo vermelho, lê-se a expressão: “SAI, INHACA!”. No canto superior direito, um logotipo estilizado contendo as letras “AB” e um desenho de olho.