16/02/2024
Hoje eu me levantei com muita saudade, e de verdade, ainda não sabia o pq dessa saudade. Só no final do dia, depois de treinar, é que fui me lembrar daquela saudade do início do dia. Era saudade dos 23 anos que passei com meu irmão. Me deu uma vontade de caminhar, e caminhando, me lembrar de cada pedacinho de tempo juntos. Foram 6,44km de lembranças pra rir e chorar um bocado. Nem vi o tempo passando. Cheguei em casa e resolvi atualizar essa mensagem de 2018…
Exatamente 21 anos atrás ficamos sem o Guna. Hoje, assim como muitos dos meus dias, passei a maior parte do tempo me ocupando com coisas de trabalho, especialmente, um pouco mais, em virtude de algumas situações decorrentes de mudanças nos ambientes de trabalho. Mas treinei, joguei meu futevôlei que hoje se tornou rotina. Não fico me lembrando de forma triste da perda de meu irmão, até porque as lembranças que tenho junto dele nunca foram assim, tristes. Até quando rolava uma briga, era rindo que fazíamos as pazes. O Mulambo é meu irmão mais novo, o do meio, mas nessa época do ano, próximo de seu aniversário (16/1), era quando ele se gabava de ser menos “mais novo”, só pra deixar claro que a nossa diferença de idade era menor. Na cabeça dele, eu acho, pra se assemelhar mais à mim na idade...rs Mãemãe sempre lembra dessa história e faz questão de dizer. Sempre foi o mais impetuoso dos irmãos, sempre buscou fazer as coisas que sentia vontade, fumou, bebeu, se casou, comprou um carro, uma moto, foi morar fora de casa, tudo isso primeiro que nós, irmãos. Era a contradição em pessoa, encrenqueiro e amável, defendia, sem pensar nas consequências, àqueles a quem amava. Sair com ele era aventura na certa (o Juninho que o diga), e com certeza era ótima companhia. As mulheres riem de duas formas quando se tratam de homens, ou riem DELE ou PARA ELE, era fácil distinguir quando a menina se dirigia pra mim ou pra ele... ele era o dinamarquês da família, branco, loiro...rs Sempre pescamos muito, meu pai, meus irmãos e eu, sem luxo, sempre. Era o mais “corajoso”, não tinha medo do escuro. Tinha as brincadeiras mais sacanas, e sabia ser chato quando queria. A gente sempre combinava, nós três, de comprar algo no dia das mães ou dos pais, não tinha dinheiro algum, mas fazíamos planos. Até que ele aparecia com alguma coisa. Lembro que queríamos, num dia das mães, dar um forno de microondas pra Mãemãe, e ele sugeriu que vendêssemos lembrancinhas de gesso nas escolas, o único cara de pau era ele. Machão demais, ninguém acreditava q era ele quem fazia os moldes e pintava de forma delicada com as sombras de maquiagem, as peças de gesso. Vendemos tudo q fizemos, e, moeda por moeda, juntamos quase R$400,00 em 1995 (era dinheiro pacaralho), fomos no Carrefour e compramos o tal forno. E era assim que o amávamos, era assim que o Guna, meu irmão, sempre foi. Como disse no início, 15 anos atrás, quase que exatamente nessa mesma hora (02h10), eu estava no hospital, ao lado do meu irmão, com todas essas histórias vindo à tona na minha cabeça, pedindo à Deus que dividisse os anos que eu tinha pra viver, com meu irmão, não era justo ficarmos sem ele, sem o Guna, sem o Mulambo. Dói muito quando, às vezes paro e observo em volta, nos almoços na casa dos meus pais, e vejo meus filhos brincando com meus sobrinhos, filhos do meu irmão mais novo, e fico imaginando como seriam os filhos dele. Na vontade de ter sua presença é inevitável não comentarmos... “olha lá, é o mesmo que ver o Osório Júnior...” A dor da perda maltrata, nos entristece e nos fortalece ao mesmo tempo. Com certeza Deus me ouviu aquele dia, e na sua infinita misericórdia, decidiu por ter ao seu lado, mais um anjo, o Guna.
Continuo com aquela saudade…