21/06/2018
Saiu na página do Juntas!
Nesta semana, circulou pelas redes sociais um vídeo de um grupo de torcedores brasileiros ao lado de uma mulher loira, onde aparentemente ela não falava português. O grupo gritava “bu**ta rosa, bu**ta rosa”, a mulher, que não estava entendendo o idioma participou dos gritos. Tal atitude, vem mais uma vez afirmar o machismo no futebol, a hipersexualização e objetificação das mulheres. Além de reafirmar uma cultura ra***ta e misógina que padroniza os corpos femininos gerando sofrimento para muitas mulheres.
O machismo no futebol não é novidade para nós mulheres, casos como, o da bandeirinha espanhola Eva Alcaide, que aos 17 anos denunciou o assédio que sofreu durante uma partida da Liga da Juventude de Andaluzia, comunidade autônoma da Espanha. Eva, desabafou nas redes sociais que não suportava mais sofrer insultos machistas e ameaças de abuso.
No início do ano, a repórter Ana Thaís Matos, candidata a musa do Goiás, sofreu uma abordagem constrangedora durante programa "Os Donos da Bola", da afiliada da TV Band em Goiânia, onde seu conhecimento ao futebol foi diminuído pelos jornalistas no programa, colocando a questão estética como seu “talento”. Em uma entrevista ao vivo, Ana desabafou, “A mulher não quer nada que não é dela. Queremos um espaço que existe para todos”.
O machismo no futebol se tornou tão latente que se consolidou como um não lugar para as mulheres, com o passar dos anos, muitas de nós não se sentiam confortáveis em estar nos estádios, ou comentar sobre uma partida. Mas no fundo, lá estava o desejo em gritar “GOL”, queremos participar muito mais do que meras espectadoras, queremos trabalhar, narrar, jogar e viver essa magia que é futebol.
A luta das mulheres cresce a cada dia e caminha na desconstrução do machismo, a história já mostrou que juntas conquistamos espaços. Essa semana, na transmissão da FOX SPORTS 2, na estreia do Brasil na Copa, aconteceu o primeiro jogo narrado só por mulheres. Uma vitória e um reflexo da nossa luta.
E se o Hexa não vir pelas mãos dos homens, lembremos que nossas mulheres já trouxeram o Hexa e até mais, a seleção brasileira de futebol feminino trouxe o Hepta para o Brasil na Copa América e garantiu o lugar nas Olimpíadas de 2020 em Tóquio.
Essas conquistas são para mostrar que não silenciaremos mais diante de situações machistas como o vídeo que circulou nas redes e os casos como os de Eva e Thaís, nos levantaremos e tomaremos nossos lugares. E vamos combinar, sou bem mais a Marta do que o Neymar!
Jéssica D’Ornellas – Juntas RS
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