12/01/2015
O MILIONÁRIO RUGBY PROFISSIONAL
Estamos acostumado a ouvir de gastos excessivos com salários no futebol, mas pouco se fala no Brasil sobre os gastos com salários no rugby profissional. A polêmica, que já dura algum tempo, no rugby mundial, é a escalada de contratações por parte de clubes europeus de estrelas do Hemisfério Sul, que se tornou mais evidente com a contratação de Dan Carter pelo Rancig Metro a partir da temporada 2015-16.
A verdade é que o teto salarial das equipes francesas da 1ª e 2ª divisões já é alto:10 milhões de euros anuais por clube. O Toulon, atual campeão europeu, por exemplo, que mantinha um contrato de peso com o inglês Johnny Wilkinson, se manteve abaixo dos 9 milhões de euros na última temporada. O que acontece é, como já é de praxe no futebol, os rendimentos dos principais jogadores serem complementados com contratos de direito de imagem, como aconteceu com Wilko e também acontecerá com Carter.
Diz-se que o abertura dos All Blacks receberá um salário anual de 500 mil euros, mas que outros 300 mil virão de contratos publicitários com outras empresas, lhe gerando uma renda anual próxima a um milhão de euros. Tudo começou no final da década passada com o contrato milionário feito pelo mesmo Racing de Paris na época com a estrela publicitária Sebastién Chabal, ícone francês na campanha da Copa do Mundo de 2007 realizada no país.
Apesar da maledicência, boa parte vinda do rugby inglês, que também contrata cada vez mais a peso de prata (vamos deixar o ouro pro futebol) jogadores sul-africanos, australianos, ex all blacks e uma leva de argentinos, sem falar na naturalização de samoanos e fijianos e seus descendentes, que jogadores tem seus salários depositados em paraísos fiscais, o que f**a é que cada vez mais uma gestão profissional tomando conta do rugby, o que acaba gerando essa competição entre ingleses e franceses e uma readequação do mercado no rugby profissional. Ambas ligas sofrem um forte controle orçamentário para tentar estancar a desigualdade entre clubes e estimular a igualdade de oportunidades (tentando seguir o exemplo de ligas de outros esportes, tais como a NFL com o futebol americano).
Nas últimas semanas os clubes ingleses tem renovado antecipadamente contratos com suas principais promessas. A última foi a renovação do abertura galês do Leicester Tigers, Owen Williams, de apenas 22 anos. O teto salarial atual dos clubes ingleses é de cinco milhões de libras, contra 3,5 milhões de libras dos galeses, o que gera uma crise inclusive nos dragões, a seleção galesa, que chegou a proibir a convocação de jogadores que não estivessem vinculados a clubes galeses. A Irlanda não f**a longe disso, e muitas seleções estão começando a relativizar a obrigação de jogadores atuarem em clubes locais para que sejam convocados a troco de perderem força nos confrontos internacionais.
Do outro lado do planeta, o Super Rugby tenta se inovar com a entrada de franquias japonesas e argentinas e uma maior regionalização a partir de 2016, com isso gerando mais renda e tentando segurar por mais tempo jogadores de alto rendimento. Estes, de olho nos euros e libras, deixam de lado até mesmo a oportunidade de defenderem seus países em competições importantes, já que se torna impraticável jogar na Europa e treinar e se preparar com suas seleções a milhares de quilômetros de distância. Isso sem falar nos calendários díspares de sul e norte, com as férias de cada hemisférios seguindo a tradição de descansarem no verão.
É tudo ainda muito confuso, mas com o tempo o mercado vai se adequando aos novos tempos milionários no rugby mundial. Equipes com maior poder de marketing e publicidade, jogadores elevados ao nível de estrelas publicitárias e, claro, tudo isso tentando manter a alma do rugby, um esporte que oficializou o profissionalismo somente em 1995. O profissioanlismo ainda sofre fortes resistências em muitas regiões, principalmente na Argentina e Uruguai, dois participantes da Copa de 2015 a ser realizada na Inglaterra. A nós brasileiros resta observar e aprender com a experiência externa, já que, cedo ou tarde, o profissionalismo chegará por aqui também. Ou será que já chegou?
Marcelo Benvenutti
(na foto Dan Carter com a camiseta que vestirá a partir do final de 2015 no Top 14 francês)