03/08/2026
Há 32 anos, vivi o maior contraste da minha vida.
No dia 30 de junho de 1994, nasceu meu primogênito, Lucas Natalício no qual leva o nome Natalício em homenagem meu pai e avô do lucas. A alegria de segurar meu filho nos braços era indescritível.
Mas, no dia 1º de agosto, tudo mudou. Minha mãe sofreu um derrame cerebral e foi internada. O grande sonho dela era conhecer o primeiro neto. Graças à sensibilidade de uma assistente social, ela pôde vê-lo no hospital. Pegou o Lucas no colo, olhou para mim e disse:
"Abençoe ele, meu filho. Eu não vejo mais você, mas eu te abençoo."
A partir daquele momento, ela foi para a UTI e começou uma grande luta pela vida.
Eu vivia dias de emoções opostas. Em casa, a alegria de um recém-nascido. No hospital, a dor de ver minha mãe , lutando para sobreviver. Meu coração parecia não suportar tanta emoção ao mesmo tempo.
Em um desses dias, fui até um orelhão. Coloquei uma ficha e disquei um número qualquer, sem saber para quem estava ligando. Do outro lado, uma voz disse:
"Pode falar. Estou te esperando. Conte tudo o que está passando dentro de você."
Sem entender, comecei a chorar e a contar toda a minha angústia. No final, aquela pessoa fez uma oração por mim. Quando a ligação terminou, senti uma paz que não consigo explicar até hoje.
Naquela mesma tarde, minha mãe partiu.
Amanhã completa 32 anos da sua partida. A saudade continua a mesma. Há dores que o tempo não apaga; apenas nos ensina a carregar.
Hoje, olho para o Lucas, agora Dr. Lucas, advogado, um homem de caráter que sempre me encheu de orgulho. Tenho certeza de que a bênção que minha mãe deu a ele naquele último abraço continua acompanhando sua caminhada.
A vida me ensinou que, às vezes, no mesmo coração cabem o nascimento e a despedida, a alegria e a dor. E o amor é o que permanece para sempre.
Saudades eternas, mãe. Seu amor continua vivo em mim!