Retratos do Futebol Fluminense

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Retratos do Futebol Fluminense Página atribuída aos campeões fluminenses. De norte a sul, publicando imagens e resgatando histórias.

Quase desconhecida no universo da bola, a Associação Atlética de Volta Redonda ocupa um capítulo enigmático e fascinante...
26/09/2026

Quase desconhecida no universo da bola, a Associação Atlética de Volta Redonda ocupa um capítulo enigmático e fascinante na história esportiva do Médio Vale do Paraíba fluminense. Os registros exatos da sua fundação e do encerramento das suas atividades seguem sem respostas, porém, há relatos de que a agremiação de cores azul e o branco era ligada à Escola Profissional da Companhia Siderúrgica Nacional (atual Escola Técnica Pandiá Calógeras), criada em 1944 com a missão de gerar mão de obra qualificada ao complexo industrial.

Ao longo de sua trajetória, a Atlética de Volta Redonda notabilizou-se pelo fortalecimento dos laços comunitários e por sua marcante vocação poliesportiva, promovendo ativamente a prática de modalidades como atletismo, basquete, vôlei e ciclismo, que animavam o cotidiano da Cidade do Aço.

No entanto, foi no futebol que o clube encontrou grande projeção regional e municipal. Vestindo com orgulho suas cores, a equipe participou ativamente de inúmeros torneios promovidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, o clube firmou sua importância marcando presença nas edições de 1954 e 1956 do extinto Campeonato Fluminense, integrando o grupo da Zona Sul. Em 1954, foi vice-campeonato do Torneio Início do Campeonato Fluminense, sendo superado pelo Barra Mansa no número de escanteios (dois corneres a favor do Barra). A Atlética foi a campo com o seguinte escrete: Lalado, Hélio e Tury; Didi, Setta e Armando; Toninho, Nery, Ignacio, Joaquim e Nico.

Na esfera local, a Associação Atlética disputou várias edições do Campeonato Citadino, do Torneio Início organizado pela Liga de Desportos de Volta Redonda (LDVR) e ainda realizava excursões para jogos comemorativos nas décadas de 1950 e 1960, algo comum entre os clubes brasileiros. A agremiação protagonizou grandes duelos e rivalidades históricas, tendo como seus maiores adversários a Associação Atlética Comercial, o Guarani Esporte Clube e o Rodoviário Atlético Clube.

Contemplado pela localização geográfica da sua cidade, o clube se destacava no aspecto esportivo por recrutar jogadores vindos do futebol mineiro — com destaque especial para atletas de Juiz de Fora — e também do futebol paulista, agregando diversidade e competitividade técnica ao seu plantel. Cumpre destacar que a Atlética de Volta Redonda não guarda nenhuma relação e não deve ser confundida com o Volta Redonda Futebol Clube, fundado posteriormente, em 1976.

Embora sua linha cronológica traga indefinições quanto ao início e ao término exatos de suas atividades, a Associação Atlética ajudou a erguer as bases da memória esportiva e cultural da Cidade do Aço.

Colaboração nas pesquisas: Auriel de Almeida, Diogo de Oliveira Paula e Gerson Rodrigues

Fontes:
Futebol Nacional
Jornal A Noite (Rio de Janeiro)
Jornal dos Sports
Jornal Luta Democrática (Rio de Janeiro)
Revista O Lingote (Volta Redonda)
RSSSF Brasil
Volta Redonda Antiga (Página do Facebook)

Fundado no dia 20 de agosto de 1950 como Sport Club União da Mocidade, o União Esportiva Coelho da Rocha é uma das agrem...
07/09/2026

Fundado no dia 20 de agosto de 1950 como Sport Club União da Mocidade, o União Esportiva Coelho da Rocha é uma das agremiações mais tradicionais no esporte de São João de Meriti. Sua sede se encontra no bairro de mesmo nome, assim como o seu estádio - José de Amorim Pereira - conhecido pelos moradores locais como o “Campo do União”, o qual possui capacidade para cinco mil espectadores.

Em 1980, o União da Mocidade e o Novo Rio Futebol Clube, outro clube da cidade e que já atuava no profissionalismo, se fundiram, originando o União Esportiva Coelho da Rocha. O objetivo era criar um time mais forte, pois o União da Mocidade detinha apenas sede e estádio, enquanto o Novo Rio possuía um quadro competitivo, mas não tinha uma praça de esportes fixa.

Foi entre as décadas de 1980 e 1990 que o Coelho da Rocha realizou campanhas de destaque nas divisões de acesso do Campeonato Estadual. As melhores se traduzem no vice-campeonato da Quarta Divisão em 1997, no terceiro lugar da Terceira Divisão em 1981 e no quarto lugar da Terceira Divisão em 1986. Nesta edição da Terceirona aconteceu um dos momentos mais gloriosos da agremiação, quando disputou o clássico meritiense com o Tomazinho Futebol Clube em pleno Maracanã. O embate foi numa preliminar de Vasco e Flamengo, que decidiria o Estadual de 1986 em favor do Rubro-Negro da Gávea. Os vascaínos empurraram o Tomazinho, que possui escudo e uniforme inspirados no clube de São Januário, enquanto os flamenguistas doaram seus gritos para o Coelho da Rocha em sinal de rivalidade. O placar do jogo ficou em 0 a 0.

Outro episódio que enche de orgulho os fãs do Coelho da Rocha ocorreu no dia 12 de agosto de 1990, em seu próprio estádio. Nessa data, o São Cristóvão enfrentou o Tomazinho no Campo do União pelo Campeonato Carioca da categoria mirim. Os cadetes venceram o duelo por 5 a 2 e o atacante Ronaldo “Fenômeno”, que atuava no São Cristóvão, marcou três gols, sendo estes os seus primeiros registrados em súmula e que iniciam a sua contagem oficial de gols.

O feito trouxe tanto júbilo ao clube que no aniversário de 20 anos da marca (2010), diretores do Coelhão confeccionaram uma placa em menção aos gols do então jovem artilheiro.

O União Esportiva Coelho da Rocha está licenciado dos torneios oficiais desde 2003, quando o clube disputou pela última vez o Campeonato Carioca da Terceira Divisão. Naquela ocasião acabou desclassificado na primeira fase do certame estadual.

Fontes:
Blog História do Futebol
Blog Marco Túlio Paixão por Futebol
Papo Esportivo
Site da Baixada
Super-Gol

Marcado profundamente na história de Angra dos Reis, Cunhambebe foi um importante líder Tupinambá na luta contra as inva...
01/09/2026

Marcado profundamente na história de Angra dos Reis, Cunhambebe foi um importante líder Tupinambá na luta contra as invasões e a escravização promovidas pelos europeus no século XVI. Destemido, o cacique se tornou um símbolo de combate e resistência ao assumir papel de destaque na Confederação dos Tamoios, aliança formada por diferentes povos indígenas na guerra contra os colonizadores portugueses pelo controle do seu amplo território.

Existem diversas suposições sobre o significado do nome Cunhambebe. A mais aceita pelos pesquisadores aponta para a junção dos vocábulos kunhã (mulher) e mbeba (achatada), ou “peitos achatados de mulher” na língua Tupi, em alusão ao porte físico e tórax proeminente do líder indígena.

Foi nas imediações do rio Ariró que o chefe Tupinambá organizou sua aldeia - um dos primeiros polos de adensamento populacional em Angra dos Reis - onde anos mais tarde daria origem a um dos mais tradicionais bairros da cidade litorânea: o Frade, sede do distrito de Cunhambebe, cujo topônimo homenageia o lendário indígena.

Assim como Cunhambebe, a localidade do Frade também carrega um fato peculiar em sua história: seu nome é derivado da lenda de um frade franciscano que teria escondido tesouros de piratas no topo do Pico do Frade, uma formação rochosa com aproximadamente 1.500 metros de altitude que se sobrepõe na paisagem local.

Antes da intensa ocupação urbana, o Frade era composto majoritariamente por fazendas e áreas pouco povoadas. Foi justamente nesse período em que a região não antevia grandes empreendimentos que nasceu uma das mais longevas agremiações esportivas de Angra dos Reis: a Associação do Frade Futebol Clube, fundada em 15 de julho de 1947.

Até a década de 1960, a Associação do Frade competia apenas em torneios de Angra e de municípios vizinhos, mantendo um alcance e uma relevância regionais discretos. Esse cenário mudou significativamente na década seguinte com a aceleração do crescimento urbano e econômico, impulsionados entre as décadas de 1970 e 1980 pela construção da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (as usinas Angra I e Angra II), que atraiu milhares de trabalhadores de várias regiões do Brasil. Essa expansão abriu portas para novos investimentos no futebol angrense, marcando um período de verdadeira revolução no desporto local, à medida que empresários e corporações recém-chegados fundavam novos times ou garantiam respaldo financeiro àqueles já existentes.

O Clube do Frade foi diretamente beneficiado por esse progresso ao receber apoio do Hotel do Frade, estabelecimento criado em 1972 que alavancou a economia e o turismo do bairro. Esse aporte financeiro e institucional contribuiu de forma decisiva para as glórias alcançadas pela agremiação quadricolor — cujas cores oficiais são azul, verde, cinza e branco, segundo seu estatuto. Com esse suporte, o time conquistou inúmeros feitos na região, como o título do Campeonato Citadino de Angra dos Reis de 1989. A agremiação ainda venceu os campeonatos de 2004 e 2023, mas sem o patrocínio do famoso hotel.

A Associação do Frade segue em plena atividade nos dias de hoje, participando ativamente de campeonatos amadores e de categorias de veteranos em Angra dos Reis e até em municípios limítrofes, como Cunha, no alto Vale do Paraíba paulista. Sua trajetória demonstra a força do esporte comunitário, que se mantém vivo e competitivo mesmo diante das transformações econômicas do distrito ao longo das últimas décadas.

Mesmo sem nunca ter ingressado no futebol profissional, a Associação do Frade Futebol Clube consolidou seu valor cultural e esportivo, escrevendo continuamente histórias de sucesso e superação sobre as terras históricas do lendário guerreiro Tupinambá.

Colaboração:
Associação do Frade Futebol Clube
Biblioteca Nacional
Biblioteca Municipal Guilherme Briggs (Angra dos Reis)
Centro de Memória Fluminense (CEMEF-UFF)

Fontes:
Fernandes, F. A organização social dos Tupinambá. São Paulo: Hucitec, 1989.
Lima, H. Notícia histórica e geográfica de Angra dos Reis. 3ª ed. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1974.
Staden, H. Viagem ao Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013.
Angra Notícias
Jornal Esporte Total e Notícias (Angra dos Reis)
Jornal Tribuna de Angra: o jornal da Costa Verde
Rio Memórias

O ano de 1998 ficou marcado como a escalada do Friburguense Atlético Clube no cenário esportivo fluminense. Uma trajetór...
08/08/2026

O ano de 1998 ficou marcado como a escalada do Friburguense Atlético Clube no cenário esportivo fluminense. Uma trajetória que se desenhava impérvia para a agremiação tricolor, terminou de modo surpreendente com triunfos dentro e fora do estádio Eduardo Guinle e uma campanha de recuperação memorável na elite do futebol estadual.

O primeiro desafio foi o Torneio Seletivo, estágio classificatório para a fase principal do Campeonato Estadual, onde o Tricolor da Serra superou Madureira, Olaria, Volta Redonda, America e Itaperuna na classificação. Foi o primeiro colocado com 21 pontos ganhos em sete partidas, alcançando dessa forma seu maior objetivo: figurar entre os principais times do campeonato.

Na sequência, o time de Nova Friburgo disputou a Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca. A euforia, no entanto, deu lugar ao drama com o início pouco animador do clube. No certame, o Friburguense terminou na última colocação com apenas cinco pontos de 21 possíveis. Curiosamente, a vitória solitária veio foi em grande estilo, com 2 a 0 sobre o Botafogo pela quarta rodada.

Pela Taça Rio (segundo turno) o cenário parecia se repetir, com derrotas nas três primeiras rodadas (perdeu para Fluminense, Vasco e Bangu), mas o clube se redimiu, conseguindo três vitórias nas quatro partidas seguintes. E nessa fase de reabilitação, nova vitória sobre o Botafogo, mas desta vez por 4 a 2, confirmando a fama de carrasco do time de General Severiano. O Friburguense terminou o turno atrás apenas de Vasco, Flamengo e Fluminense. Já na classificação geral do campeonato, o Frizão ficou na sétima posição com 14 pontos conquistados.

O time-base que atuou no Campeonato Estadual foi constituído assim: Adriano, Adelino, Cadão, Frei e Wendell; André Gomes, Eduardo, Jéferson e Pintinho; Júnior (Anderson) e Dionísio. Técnico: Júlio Marinho.

Colaboração:
Acervo do Frizão

Fontes:
Jornal do Brasil
Jornal dos Sports
O Fluminense
RSSSF Brasil

Nas primeiras décadas do século XX, famílias abastadas desempenharam um papel central na fundação e gestão das agremiaçõ...
05/08/2026

Nas primeiras décadas do século XX, famílias abastadas desempenharam um papel central na fundação e gestão das agremiações esportivas. Esses clubes surgiram como espaços exclusivos de sociabilidade, nos quais a elite afirmava seu prestígio social e hábitos cosmopolitas, fato que só começou a mudar anos mais tarde com a incorporação de atletas das classes populares, vislumbrando o triunfo esportivo.

Em Nova Friburgo, esse quadro não foi diferente. Na época em que as atividades urbanas começavam a suplantar às rurais, nasceu em 1º de janeiro de 1914 o Friburgo Futebol Clube, com uniformes vermelho e branco e fundado por um grupo de jovens que praticavam peladas em um terreno baldio ao lado da Praça do Suspiro, área central da cidade. Nesse conjunto, destavam-se os garotos Mário e Raul, da família Sertã, e Carlito (Carlos Alberto), da família Braune, que, com o surgimento do clube, acumularam funções de diretores e jogadores do Friburgo.

Nos campos o Friburgo foi uma potência. O clube é o maior vencedor da história do futebol da Princesa dos Órgãos ostentando incríveis 26 títulos citadinos, incluindo um tricampeonato (1945/46/47), um pentacampeonato (1966/67/68/69/70) e um hexacampeonato (1949/50/51/52/53/54) municipais. E foi ainda duas vezes campeão da Segunda Divisão do Campeonato Estadual de Profissionais no biênio 1978/79, porém, sem acesso por conta de um litígio entre os clubes do interior e da capital fluminense.

Curiosamente, durante sua afirmação nos gramados, a influência patronal no Friburgo Futebol Clube resultou em um descontentamento de parte dos dirigentes e atletas, que insatifestos com as restrições impostas por membros das famílias fundadoras (como a não utilização do campo do Friburgo nos fins de semana), saíram da agremiação e fundaram o Fluminense Atlético Clube, aquele que viria a ser o seu maior oponente na cidade, no dia 14 de março de 1921.

Décadas mais tarde, reconhecendo a perda de força do futebol friburguense e o nível de interesse cada vez menor do público pelos clubes locais, o Friburgo Futebol Clube fundiu-se com o Esperança Futebol Clube no dia 16 de setembro de 1979, após uma assembleia geral composta por 190 sócios das duas agremiações, dando origem ao Nova Friburgo Futebol Clube.

Apesar do fim melancólico da agremiação rubra, nomes como Raul Sertã, Mário Sertã, Carlito Braune, Ernani Spinelli, Tião Van-Erven, Jael Faria, Larry Faria, Cirineu, Dario Maduro, Paulo Banana, entre outros ex-atletas, seguem sendo lembrados nas celebrações esportivas de Nova Friburgo. Trata-se de um justo tributo pelos serviços prestados ao saudoso clube da rua José Engênio Müller e ao desporto friburguense.

Colaboração:
João Victor Cereja

Fontes:
Assaf, R.; Martins, C. Histórias dos Campeonatos Cariocas de Futebol 1906-2010. Rio de Janeiro: Maquinaria, 2010.

Faria, G. P. Futebol em Nova Friburgo. Nova Friburgo: editora do autor, 2008.

Blog História do Futebol
Jornal A Noite
Jornal A Voz da Serra
Jornal dos Sports
Jornal Última Hora
Nova Friburgo Futebol Clube (sítio oficial)
Revista Sport Ilustrado

Em um passado distante, São Gonçalo contava com rios navegáveis e fauna abundante que era motivo de grande comércio nas ...
31/05/2026

Em um passado distante, São Gonçalo contava com rios navegáveis e fauna abundante que era motivo de grande comércio nas terras do município: jacarés, variedades de peixes e caranguejos usados na alimentação. No caso desse último, a espécie mais encontrada nos cursos d’água que banhavam o solo gonçalense era o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), hoje somente visto nos manguezais protegidos do fundo da Baía de Guanabara.

Na região onde hoje se situa o bairro de Alcântara, nos idos de 1900 a 1920, era possível identificar o crustáceo, andando sobre as margens do rio homônimo, que possuía vegetação pouco modificada. Mas esse cenário começou a mudar na década de 1930 com a chegada das indústrias que se instalaram estrategicamente no local, pela facilidade de escoamento das produções ou pelo aproveitamento das águas do rio do Alcântara.

Uma dessas indústrias foi a Companhia Eletro Química Fluminense, que se estabeleceu no município em 1933, sendo a primeira fábrica voltada para a produção de álcalis sódicos (cloro, cloreto de cálcio e soda cáustica) no Brasil. E anos mais tarde, aproveitando a febre futebolística que havia consumido todo o país, um grupo de operários da empresa reuniram-se no bairro para fundar no dia 8 de junho de 1948 o Esporte Clube Eletro Química. As cores escolhidas para a nova agremiação foram o verde e o amarelo, enquanto que o escudo foi inspirado no artrópode de dez patas, símbolo da fauna gonçalense, que durante séculos representou uma parcela grandiosa dos valores da economia na margem oriental da Baía.

Filiado a Liga Gonçalense de Desportos (LGD), o Eletro Química disputou algumas edições do Campeonato Citadino de futebol, onde faturou o título máximo em 1952 e 1956, superando os rivais Mauá, Metalúrgico de Neves e Tamoio. Com os louváveis trabalhos do presidente Lino da Costa Quintão, do diretor Jair Cortines Laxe e sob o comando técnico de Admário Amorim, o “Auriverde do Alcântara” assegurou sua última conquista (1956) com essa formação: Benicio, Délio e Dilon; Rubem, Miro e Cid; Nizoca (Hélio), Rubinho, Dú, Carlinhos e Vavani.

Vitorioso na década de 1950, o Esporte Clube Eletro Química começou a regredir nas disputas futebolísticas nos anos 1960. Nesse período, a agremiação de São Gonçalo resolveu ingressar em outras modalidades esportivas como futebol de salão, vôlei, tênis de mesa e basquete, nas quais obteve notável destaque nas duas primeiras. Já na década de 1970, os eventos sociais na sede da agremiação na rua Doutor Alfredo Backer, número 579, se tornaram mais noticiados pelos jornais de circulação local do que as atividades esportivas.

Na mesma década de 1970, a fábrica encerrou suas operações no bairro e em seu lugar foi erguido pela João Fortes Engenharia o Condomínio Solar de Alcântara, um conjunto habitacional composto por pouco mais de mil moradias. Provavelmente, o fechamento da fábrica foi a causa da extinção da simpática agremiação de Alcântara.

Se por um lado, a Companhia Eletro Química Fluminense gerou demissões e deixou um passivo ambiental (assim como as outras fábricas que existiram em Alcântara) que até hoje pode ser observado por moradores e transeuntes, com o conhecido rio que percorre o bairro de águas poluídas e margens assoreadas, por outro, não há como negar que o fim da indústria desencadeou uma profunda comoção na região com o encerramento da vida cultural e esportiva por ela patrocinada.

Colaborações:
Auriel de Almeida (Museólogo e pesquisador de futebol)
Sergio Mello (Historiador e pesquisador de futebol)

Fontes:
Palmier, L. São Gonçalo Cinquentenário, história, estatística e geografia. São Gonçalo, IBGE, v. 194, n. 0, 1940.
Álbum da Liga Gonçalense de Desportos, com registros das associações filiadas, presidentes e resumo dos campeonatos
Blog História do Futebol
Diário da Noite (Rio de Janeiro)
Jornal O Estado (Niterói)
Jornal O Fluminense
Jornal Última Hora (Rio de Janeiro)

O bairro de Alcântara é conhecido como importante centro comercial e de serviços de São Gonçalo e do Leste Metropolitano...
01/05/2026

O bairro de Alcântara é conhecido como importante centro comercial e de serviços de São Gonçalo e do Leste Metropolitano. A localidade, que homenageia o imperador Dom Pedro de Alcântara, surgiu junto a uma parada de trens da Estrada de Ferro Leopoldina e desenvolveu-se às margens da RJ-104, denominada de Tronco Norte Fluminense, que foi construída com a função de interligar a capital estadual Niterói aos municípios do norte do estado na década de 1940.

Embora apresentasse vocação para o comércio atacadista e varejista, o famoso bairro também se inseriu na festa do esporte bretão em São Gonçalo. Entre as décadas de 1940 e 1960, período efervescente do futebol na “Manchester Fluminense”, uma agremiação silenciada nos dias atuais nasceu para fazer grandes exibições nos gramados da cidade: o Nacional Futebol Clube, o Rubro de Alcântara.

De acordo com os arquivos da Liga Gonçalense de Desportos, o Nacional Futebol Clube se filiou à entidade municipal no dia 23 de julho de 1943, que foi presidida na época por José Mana Júnior. O detalhe é que nos mesmos documentos da Liga, há registros de outro Nacional (Nacional Atlético Clube), que foi filiado no dia 15 de janeiro de 1974. Esse Nacional foi campeão citadino em 1975, algo mais recente, no tempo em que a Liga Gonçalense era administrada por Ary Ferreira Anastácio. Dessa forma, não existe um consenso se o Nacional Atlético Clube campeão de 1975 é o mesmo que surgiu na década de 1940 com nomenclatura posteriormente reformulada ou se trata de uma outra agremiação.

Considerando que o Nacional Futebol Clube e Nacional Atlético Clube sejam agremiações distintas, o Nacional filiado à Liga em 1943 atuou pelo campeonato amador de São Gonçalo em 1944, 1946, 1949, 1953 a 1956, 1958 e 1959. Seu maior feito é o vice-campeão do Torneio Início do Campeonato Gonçalense de 1953, quando na ocasião foi superado pelo Esporte Clube Metalúrgico na decisão.

O Nacional Futebol Clube foi o time de José Carlos Alvim, o Zequinha, em 1952. Filho de Itaperuna, o centroavante vestiu a camisa do Flamengo entre 1949 e 1950, mas escreveu sua história ao defender o Canto do Rio entre 1954 a 1961, tornando-se um dos maiores artilheiros do clube de Niterói, especialmente no período em que disputou o Campeonato Carioca. No Cantusca, Zequinha atuou ao lado de figuras tarimbadas do futebol, como o goleiro Veludo e o meia-esquerda Orlando Pingo de Ouro, que brilharam juntos no Fluminense, e o lateral e volante Ely do Amparo, que jogou no Vasco, no famoso “Expresso da Vitória”.

Colaboração:
Liga Gonçalense de Desportos

Fontes:
Palmier, L. São Gonçalo Cinquentenário, história, estatística e geografia. São Gonçalo, IBGE, v. 194, n. 0, 1940.
Álbum da Liga Gonçalense de Desportos, com registros das associações filiadas, presidentes e resumo dos campeonatos
Blog História do Futebol
Diário do Povo (Niterói)
Futebol Nacional
Jornal dos Sports
Jornal O Estado (Niterói)
Jornal O Fluminense

Na primeira metade da década de 1990 o Canto do Rio viveu momentos que mesclaram superação técnica e desafios administra...
18/04/2026

Na primeira metade da década de 1990 o Canto do Rio viveu momentos que mesclaram superação técnica e desafios administrativos. Sob a gestão do presidente Roulien Pinto Camillo, do vice-presidente de futebol, Carlos Henrique Paes Cruz, pai da atriz Juliana Paes, e do supervisor administrativo, José Tito Jacomini, lendário desportista fluminense, o clube de Niterói buscou retomar seu protagonismo no cenário estadual.

Um dos capítulos mais formidáveis desse período ocorreu em junho de 1991, na Granja Comary em Teresópolis. O Cantusca, então na Segunda Divisão, surpreendeu a todos ao empatar por 1 a 1 com a Seleção Brasileira principal de Paulo Roberto Falcão em um jogo-treino. Com gols de Biro-Biro para o Canto do Rio e Neto para o Brasil, o Alviveleste Niteroiense segurou estrelas como Taffarel, Careca e Ricardo Rocha, em uma exibição de gala que entrou para a história, mas ainda é pouco conhecida pelo torcedor do próprio clube. Essas são as formações dos times - Canto do Rio: Lydio, Camacho, Gilmar, Marcílio e Leandro; Alencar, Jair Mão e Carlos (Kito); Biro-Biro, Rogério e Lino. Técnico: Toninho Baiano. Brasil: Taffarel, Mazinho, Ricardo Rocha, Wilson Gottardo e Branco; Mauro Silva, Valdir e Neto; Renato Gaúcho, Careca e João Paulo. Técnico: Falcão.

Um novo encontro aconteceu em 1992, mas desta vez tendo a Seleção Brasileira de Juniores como adversário. E com uma atuação perfeita, o Canto do Rio levou a melhor sobre o Escrete Canarinho, vencendo por 1 a 0, com gol marcado por Jair Mão. Os times foram ao campo assim - Canto do Rio: Lydio, Marcos Wendell (Ednaldo), Tostão, Marlildo e Marcelo Nunes; Jair Mão, Jorginho e Wiltinho (Pará); Ronaldo, Perninha e Jerônimo (Peterson). Técnico: Alcides Rocha; Brasil (Juniores): Dida, Wagner, Argel, Juarez e Péricles; Rodrigo, Pereira e Tomy (Yan); Kal Baiano, Didi (Gian) e Sávio. Técnico: Julio Cesar Leal.

Esses placares nos jogos-treinos, no entanto, contrastavam com a realidade do Canto do Rio em competições oficiais, que lutava arduamente para subir de divisão e consolidar seu projeto de reconstrução. Em termos de desempenho oficial, o Canto do Rio viveu oscilando entre a Segunda e a Terceira Divisão do Campeonato Estadual de Profissionais. Após boas campanhas em 1991 e 1992, o clube enfrentou dificuldades em 1993 e 1994, não conseguindo avançar para as fases agudas do torneio estadual. Em 1995, participou da Divisão Intermediária, mas acabou eliminado na primeira fase. Infelizmente, essa temporada marcou o esforço final de uma gestão dedicada, que contava com poucos recursos para a formação de um elenco competitivo.

Após o campeonato de 1995, o Canto do Rio licenciou-se das competições profissionais da FERJ, encerrando um ciclo de fortes emoções e superações. O clube jogou a Copa Rio de 1999 e só retornaria a atuar pelo Campeonato Estadual em 2001, no Módulo Extra da Segunda Divisão. F**a, desse recorte temporal, a lembrança de um time que não se intimidou com os grandes desafios, honrando a tradição do futebol fluminense com garra e talento.

Colaboração:
Lydio de Souza (ex-jogador do Canto do Rio e professor particular de futebol)

Fontes:
Blog História do Futebol
Jornal do Brasil
Jornal dos Sports
O Fluminense
RSSSF Brasil

A profissionalização do Esporte Clube Barreira no início da década de 1990 foi o marco inicial para sua trajetória de su...
25/03/2026

A profissionalização do Esporte Clube Barreira no início da década de 1990 foi o marco inicial para sua trajetória de sucesso no futebol fluminense. Sob a gestão do presidente José Carlos Martins (Zequinha), dos diretores José Carlos Cabral e Francisco Batista (Chiquinho) (os dois últimos já falecidos) e tendo o suporte de João Batista Pereira da Silva, representante legal em assuntos administrativos e grande colaborador do clube, a agremiação estruturou-se para disputar as divisões inferiores do Rio de Janeiro.

Esse processo contou com o apoio maciço do público de Saquarema, que comparecia em grande número ao estádio Eucy Resende de Mendonça, que foi ampliado para receber partidas oficiais. Nas novas arquibancadas, o clima era de respeito mútuo entre os torcedores locais, que acompanharam de perto a montagem de um elenco competitivo e a formação de uma comissão técnica vitoriosa.

O comando técnico foi entregue ao experiente Professor Arnaldo Cavalcanti Belota, notável figura no desenvolvimento do futebol na Região dos Lagos, que faleceu em 2020. Devido ao seu prestígio e histórico de trabalho na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Belota facilitou a realização de jogos-treino contra a Seleção Brasileira na Granja Comary, em Teresópolis.

Além dele, o preparador físico e auxiliar técnico Ercole da Cruz Rubini e o treinador de goleiros Vagner Lameirão também foram personagens importantes na instauração do profissionalismo no Tricolor de Bacaxá. Já nos campos, três jogadores foram peças-chave na arrancada do clube saquaremense: o goleiro Ângelo, o zagueiro Vinícius e o lateral-esquerdo Vanderson, que estavam desde o começo da profissionalização do futebol no clube.

Mas também houve uma série de nomes que deixaram um legado de vitórias no Barreira, mesmo com passagens abreviadas, como os defensores Rony, Tião e Jorge Luiz, os meio-campistas Eduardo, Ocimar e Cacalho e os atacantes Juarez, Julinho e Sandro, além dos técnicos Manoel Neto e Rubens Filho, o Rubinho Bueira. Na sua maioria eram atletas e treinadores que brilharam por outros times da Baixada Litorânea.

A jornada barreirense se iniciou em 1991 com uma série de amistosos preparatórios contra equipes tradicionais da capital - São Cristóvão e a Portuguesa. Já na disputa da Terceira Divisão estadual, a campanha foi avassaladora: em 18 jogos, a equipe somou 14 vitórias e apenas uma derrota, sagrando-se campeã com três rodadas de antecedência.

No ano de 1992, o Barreira ingressou na Segunda Divisão com um elenco reforçado e postulante ao acesso. Apesar da saída de Belota por questões particulares e de mudanças no comando técnico (para surpresa de todos) durante o certame, o time manteve a invencibilidade até a fase final. A equipe demonstrou consistência técnica ao longo da competição, chegando até a decisão. O clube encerrou a temporada como vice-campeão, invicto e maior pontuador da Segundona, consolidando sua rápida ascensão técnica e o crescimento institucional diante das demais agremiações do estado.

Em 1993, o clube disputou o Grupo B da Primeira Divisão, que na prática era o segundo nível do futebol estadual, em um cenário de transição administrativa. Após um início de campeonato irregular que levou à demissão da comissão técnica inicial, a diretoria optou pelo retorno de Arnaldo Belota e dos profissionais que haviam conquistado o título de 1991. A retomada dos resultados positivos foi imediata, e o prestígio de Belota permitiu novamente que o Barreira realizasse te**es com adversários de alto nível. Além do novo confronto contra a Seleção Brasileira, o time promoveu um amistoso contra o Fluminense, em Xerém, onde a disciplina e o domínio das ações da equipe no confronto foi destacada pela imprensa esportiva da época. O acesso à elite do futebol fluminense foi adiado para o ano seguinte, mas o trabalho deixou ótima impressão.

O ciclo entre 1991 e 1994 estabeleceu as bases que levaram o Esporte Clube Barreira à elite do futebol do Rio de Janeiro em 1995. A integração entre uma gestão focada, a expertise técnica de Arnaldo Belota e a presença constante da comunidade de Bacaxá no estádio permitiu que o clube superasse as dificuldades dentro e fora dos gramados.

Essa reformulação técnica e administrativa transformou o Barreira em um expoente do futebol do interior, culminando em confrontos históricos contra os grandes clubes da capital e elevando o nome de Saquarema no cenário esportivo estadual.

Colaboração e imagens:
Ercole Rubini (ex-auxiliar técnico e preparador físico do Esporte Clube Barreira)
Marcelo Santos (ex-atleta e pesquisador de futebol) (in memoriam)
Rildo do Nascimento (técnico de futebol)

Fontes:
Blog História do Futebol
Futebol Nacional
Jornal Bola em Jogo (Cabo Frio)
Jornal do Brasil
Jornal dos Sports
RSSSF Brasil

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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