01/10/2026
No vídeo Saulo Durso Ferreira cita a metáfora das “sagradas escrituras” utilizada ironicamente por Freud para se referir aos relatos dos sintomas, sonhos e outras produções dos analisandos, em especial no início de seus estudos sobre a histeria.
E o que ele quer dizer com isso?
Antes de Freud, a medicina e a ciência da época menosprezavam certos fenômenos da experiência humana. A revolução iniciada pela psicanálise foi colher esse material que antes era descartado para investigar o sofrimento psíquico.
De uma certa forma, isso enuncia o trabalho de um psicanalista. Um analista recolhe aquilo que sobra, ou seja, o que é jogado fora pela consciência: palavras fragmentadas, atos falhos, parampsias, tiques nervosos, gestos, delírios…
E o ponto é: nenhuma teoria pré-moldada deve calar o que um analisando traz, por mais confuso ou absurdo que pareça.