Aline Pancieri • Psicoterapeuta

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Aline Pancieri • Psicoterapeuta O objetivo dessa página é conectar, fazer pontes, e tornar acessível o conhecimento milenar do Yo

01/10/2026

No vídeo Saulo Durso Ferreira cita a metáfora das “sagradas escrituras” utilizada ironicamente por Freud para se referir aos relatos dos sintomas, sonhos e outras produções dos analisandos, em especial no início de seus estudos sobre a histeria.

E o que ele quer dizer com isso?

Antes de Freud, a medicina e a ciência da época menosprezavam certos fenômenos da experiência humana. A revolução iniciada pela psicanálise foi colher esse material que antes era descartado para investigar o sofrimento psíquico.

De uma certa forma, isso enuncia o trabalho de um psicanalista. Um analista recolhe aquilo que sobra, ou seja, o que é jogado fora pela consciência: palavras fragmentadas, atos falhos, parampsias, tiques nervosos, gestos, delírios…

E o ponto é: nenhuma teoria pré-moldada deve calar o que um analisando traz, por mais confuso ou absurdo que pareça.

29/09/2026

As memórias da infância são construções.

Construir uma história sobre a nossa infância é uma modo de traduzir o impossível. E isso pode se dar de muitas formas.

Talvez, para um neurótico padrão, é mais suportável construir uma narrativa compreensível, ainda que dolorosa, do que encarar a falta de garantias da existência.

Por outro lado, outras construções podem ser resultantes de uma fratura psíquica, uma clivagem, um dos últimos recursos disponíveis de um corpo para sobreviver a dor e ao insuportável.

Nem sempre o impossível é apenas sobre o limite inerente à linguagem. Por vezes, o impossível diz respeito ao que foi excessivamente violento para ser suportado. Nesses casos, validar a dor é uma das tarefas mais importante em análise, e uma das mais difíceis também.


27/09/2026

Validar a própria percepção é validar a própria existência. Isso não quer dizer que toda a existência cabe na nossa percepção. Trata-se de encontrar algum lugar para aquilo que é sentido dentro da existência.

Mas por que será que isso é tão difícil de ser feito?

Eu me deparo com esse problema na clínica todos os dias. E isso me dá notícias de que talvez o problema mais desafiador de um psicanalista é desmontar um desmentido.

Validar o que se sente é poder dar um lugar para isso. Se trata de reconhecer que isso tem estatuto de verdade, de experiência, ainda que esse corpo possa em algum momento deixar de se identificar com isso.

Desmontar um desmentido me parece ser inevitável para ser possível, inclusive, fazer um uso criativo daquilo que nos aconteceu.


25/09/2026

Futuros em germes são embriões de novas formas de vida, algo que ainda não existe.

Como Suely Rolnik nos fala, trata-se de algo que ainda não tem palavra, nem gesto, nem imagem. Trata-se de um processo de criação de modos de subjetivação.

E como podemos engendra-los? Rolnik nos dá pistas valiosas nesse sentido. Primeiro, é preciso se deixar afetar pelas tensões do presente. Sair do comodismo, do conforto. Habitar uma espécie de incômodo produtor, algo que nos impulsiona para sair da mesmice.

Essa tarefa passa pela inevitável descolonização do inconsciente. Quais modos de pensar sufocam a potência de vida? O que te anestesia e te impede de sentir? O real está para muito além da cognição.

23/09/2026

Como a psicanálise e a esquizoanálise podem nos ajudar a pensar em fenômenos complexos como o fascismo, a ascensão da ultra direita e a adesão de corpos que são diretamente vilipendiados a esses sistemas?

O Brasil não cabe no quintal de ninguém e é preciso eleger Lula no primeiro turno!

Um sintoma, ao mesmo tempo, esconde, aponta e produz. Eeconde porque enuncia algum não saber. E esse não saber diz respe...
21/09/2026

Um sintoma, ao mesmo tempo, esconde, aponta e produz.

Eeconde porque enuncia algum não saber. E esse não saber diz respeito ao sujeito, ou à consciência de um sujeito e não à vida em si. A vida não se oculta, ela se exprime.

Um sintoma aponta para um impasse. Um impasse não é um erro, mas aquilo que um corpo deu conta de fazer para seguir existindo, apesar das adversidades. Trata-se de um arranjo de forças.

Um sintoma produz, pois convoca um corpo a se constituir de um outro modo. Há aqui um incômodo que pode ser produtor. Qual caminho pode ser criado a partir dele?

16/09/2026

Trans-ferir.

14/09/2026

Reflexões de um sábado sobre o que é entrar em um devi-tese, um devir-escrita.

Olho para esse texto que está se escrevendo por 4 anos e o percebo como um arquivo vivo: cheio de memórias, camadas e paisagens afetivas.

Ao pensar nesse processo afirmo um dos grandes pontos da minha pesquisa: um corpo não se esgota nos limites da própria pele.

Um texto é um corpo e eu precisei me aliar com muitas forças, viventes, pensadoras, objetos, para ampliar a minha corporeidade e tornar possível esse ato de escrever.

olhar para a vida exige a coragem de olhar para o abismo.
08/09/2026

olhar para a vida exige a coragem de olhar para o abismo.

devaneios a partir da leitura do livro a sabedoria do cipó.
06/09/2026

devaneios a partir da leitura do livro a sabedoria do cipó.

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