21/12/2025
anotações a partir da leitura do livro “a espécie que sabe” da viviane moisé.
O objetivo dessa página é conectar, fazer pontes, e tornar acessível o conhecimento milenar do Yo
21/12/2025
anotações a partir da leitura do livro “a espécie que sabe” da viviane moisé.
18/12/2025
uma análise bem feita produz no sujeito a capacidade de pensar por si mesmo. e o que é o pensamento? para spinoza trata-se de um atributo infinito da natureza. a mente é sempre a ideia de um corpo que existe.
O paradoxo do familiar
A interpretação que eu faço do complexo de Édipo não passa tanto por uma ideia de apaixonamento pelos cuidadores, de rivalidade com o cuidador do s**o oposto.
Também não penso que o complexo de Édipo é universal ou filogenético, como Freud buscou sustentar.
Édipo para mim tem a ver com o modo como aprendemos a fazer vínculo.
Em uma sociedade patriarcal burguesa, uma família é composta de papai, mamãe e filho e o cuidado circula entre essas posições. Em outras sociedades a própria concepção de família é diferente, o cuidado é mais horizontal, mais transversal, perpassa toda uma coletividade. A experiência da amamentação, inclusive, é mais circular e coletiva, menos centralizada na figura de uma única mãe.
Ou seja, a depender de qual modelo de sociedade estamos falando, os vínculos primários vão se constituir de uma ou de outra forma. Mas, no fim das consta, a questão aqui é o vínculo e a sua qualidade.
Em famílias disfuncionais, onde há negligências, violentas, agressões, isso acaba sendo introjetado para o bebê ou para a criança de algum modo, pois para o bebê ou a criança, que se encontram na posição mais vulnerável de todas, é mais importante construir algum laço do que nenhum. É mais importante
Tudo isso me faz pensar que por vezes repetimos alguns padrões que são violentos para conosco mesmo porque isso é o conhecido, é o familiar, é o seguro. No entanto, o familiar pode ser uma grande prisão. E é tão libertador quando essa ficha cai em análise.
12/12/2025
Conflito é pulsão de vida.
Em um vídeo recente eu falei sobre o fato do nascimento da psicanálise ter implicado numa ruptura com o poder-saber médico vigente, possibilitando o nascimento de uma outra epistemologia e de uma ética da escuta.
Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre um tema que ocupa um triplex na minha cabeça, um paradoxo que a meu sentir decorre desse movimento, um certo modo dualista de pensar corpo e mente, natureza e cultura, etc.
Quando alguns psicanalistas dizem: “não somos apenas o nosso corpo orgânico”, o que exatamente está sendo dito com isso? Seríamos uma alma? E em nome dessa alma, quantas capturas sociais são autorizadas? A Inquisição talvez tenha sido a maior delas…
Não há corpo sem história. O corpo é a expressão dos saberes-poderes articulados em nossa sociedade e a alma, por sua vez, é o instrumento de atuação desses tais saberes-poderes sobre o corpo. Michel Foucault afirma que a alma é o próprio fundamento que autoriza a gestão do corpo pelos saberes-poderes. A alma é instrumento de uma anatomia política.
Me pergunto: o problema está em reduzir a nossa subjetividade ao orgânico ou em tratar do orgânico e da fiscalidade de um modo reducionista?
02/12/2025
a palavra heresia vem do grego haíresis, que significa escolha.
esse conceito foi apropriado pela igreja para denotar um desvio teimoso da doutrina ortodoxa.
um herege é aquele que não se submete ao dogma,
um herege é quem escolhe criar a sua própria ética ao não se submeter à moral vigente.
nietzsche, um grande herege, pontua a diferença entre ética e moral: a moral equivale a um conjunto de regras que enfraquece a existência, ao passo que a ética consiste em um processo de reflexão e construção singular que busca dar passagem à vida.
na psicanálise, lacan acrescenta que heresia não é somente o contrário de um dogma mas uma escolha singular diante do saber, um modo único do sujeito responder ao mal estar e ao gozo. nesse sentido, o sinthoma é uma heresia pois trata-se da invenção de uma solução singular diante do desamparo.
26/11/2025
memória: fura, cose, costura e cola.
24/11/2025
diálogos entre spinoza, deleuze e moisé.
21/11/2025
a repetição não é uma mero recordar, mas um agir, um jeito de lidar com aquilo que ainda demanda produção de sentido.
uma repetição nunca é exatamente igual, mas guarda algo de comum com aquilo que a precedeu.
repetir já é uma tentativa de diferenciar:repetimos na tentativa de dar lugar a algo.
e até que esse algo seja efetivamente elaborado, por vezes precisamos retornar a lugares que já passamos, pois algumas coisas ainda não foram escutadas.
talvez a repetição aconteça pois antes não havia um corpo disponível para lidar com aquela demanda.
é necessário criar um corpo para poder elaborar.
18/11/2025
fato e história não são sinônimos.
05/11/2025
a ambivalência dos mecanismos de defesa: a psicoterapia deveria fortalecer as defesas ou desconstruí-las?
os mecanismos de defesa produzem um jogo, um ir e vir entre contenção e vazamento. o recalque funciona como uma espécie de armadura que protege a consciência, impedindo que certos conteúdos aparecem de forma excessivamente intensa. sem essa armadura, a consciência seria enxurrada, tomada. sem as válvulas que são os outros mecanismos de defesa, o psiquismo implodiria.
entretanto, a defesa também denuncia o desejo. se a psicoterapia opera apenas para fortalecer o ego, serão reforçados os mecanismos que impedem a escuta daquilo que o sintomas quer dizer.
toda máscara já é o sinal de um desejo escondido. o recalque e os mecanismos de defesa não são só uma muralha, mas também nos dão pistas. o inconsciente nunca perde, como nos fala freud. o que foi recalcado sempre encontra um jeito de retornar.