16/02/2021
Um dos motivos do diabetes promover diversos problemas é que a hiperglicemia leva ao aumento da glicação, que é a ligação não-enzimática e não-controlada da glicose a hemoglobina (aumento da hemoglobina glicada).
O aumento da hemoglobina glicada eleva a liberação de citocinas inflamatórias, como TNF-a, que gera danos aos vasos sanguíneos, processo chamado de disfunção endotelial, e consequentemente aumento da formação de placas de ateromas que poderá levar a obstrução do fluxo sanguíneo para o miocárdio (infarto agudo do miocárdio) ou cérebro (AVC).
Quando a glicemia não está controlada temos também maior atividade da enzima aldose redutase que converte glicose em sorbitol. A elevação do sorbitol promove comprometimento na retina, rins, vasos sanguíneos e nos neurônios impacta na diminuição da condução do impulso nervoso, o que poderá gerar neuropatia diabética.
Sendo assim, é imprescindível que o tratamento promova controle da glicemia e isso pode ser realizado por meio da musculação. Pena que quando se fala em tratamento do diabetes a ênfase continua sendo o treinamento de moderada intensidade, como a caminhadinha. Chega disso!!!
Arora E et al verificaram que 8 semanas de treinamento de musculação realizado em apenas 2 sessões por semana promoveu significativa redução da hemoglobina glicada em diabéticos tipo II, levando ao controle glicêmico e redução do risco de doenças cardiovasculares. Além disso, houve aumento no Score de saúde e bem-estar geral dos diabéticos (qualidade de vida).
Baldi et al. randomizaram 18 pessoas com diabetes tipo II durante 10 semanas para o grupo da musculação ou grupo controle (apenas tratamento medicamentoso).
Os resultados mostraram que apenas o grupo que treinou musculação reduziu significativamente a hemoglobina glicada, glicemia de jejum e insulina de jejum, o que mostra aumento do controle glicêmico e redução do risco de doenças microvasculares (retinopatia diabética, nefropatia diabética, neuropatia diabética) e macrovasculares (doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral).
Definitivamente, não dá mais para prescrevermos o treinamento e a dieta da mesma maneira que muitas vezes aprendemos na graduação e até mesmo em várias pós-graduações que temos por ai, que de tão fracas chegam a ser vergonhosas.
Referências: estão nos comentários.