13/08/2026
Tem imagens que dizem muito sobre o que é estar ali.
Talvez essa seja uma das coisas que eu mais amo na obstetrícia: por algumas horas, o mundo lá fora f**a pequeno e aquela mulher, aquele bebê, aquela família viram o centro de tudo.
E eu tenho o privilégio de estar ali. 🤎
05/08/2026
🤍 Se você está grávida, essa informação é importante.
Com o aumento dos casos de sarampo no Estado de São Paulo, muitas gestantes têm me perguntado se devem se vacinar.
A resposta é não. A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é produzida com vírus vivos atenuados e é contraindicada durante a gestação.
Mas isso não signif**a que a gestante esteja sem proteção.
Uma das formas mais importantes de protegê-la é garantir que as pessoas que estarão próximas dela e do bebê estejam devidamente vacinadas.
📍 Moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, entre 6 meses e 59 anos, devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber a dose de reforço recomendada pela Secretaria de Estado da Saúde, independentemente do histórico vacinal.
Essa é uma estratégia que protege não apenas quem recebe a vacina, mas também quem não pode ser vacinado neste momento, como as gestantes e alguns bebês.
✨ Cuidar de uma gestante também é um gesto coletivo.
Se você será o pai, avó, avô, irmão, tia, cuidador ou acompanhante desse bebê, confira sua carteira de vacinação e procure uma UBS para receber as orientações.
💚 Compartilhe este post com quem fará parte dessa rede de proteção.
22/07/2026
Você imagina o trabalho de parto como um fluxo organizado, quase um passo a passo: começa, evolui, acelera e o bebê nasce.
E muitas vezes é assim que ele aparece nos livros, nas aulas e na internet.
Mas, quando o parto acontece de verdade, o caminho pode ser bem diferente.
Ele pode acelerar e depois desacelerar. As contrações podem mudar de padrão. Pode existir uma pausa, um cansaço, uma vontade de desistir… e, algum tempo depois, o corpo encontra novamente o seu ritmo.
Isso não signif**a que o trabalho de parto “parou”, que o seu corpo falhou ou que alguma fase deixou de existir.
O caminho torto não é um desvio.
É o processo.
Às vezes, o que ajuda é descansar. Tomar um banho. Respirar. Mudar de posição. Comer alguma coisa. Sentir-se segura. Ter alguém por perto que entenda o que está acontecendo e consiga lembrar você de que nem toda pausa é retrocesso.
Conhecer as fases do trabalho de parto é importante. Mas tão importante quanto isso é entender que elas não acontecem de maneira perfeita, linear ou igual para todas as mulheres.
Meu papel não é prometer que o caminho será simples. É segurar a sua mão, explicar cada mudança e ajudar você a atravessar esse processo com mais segurança, consciência e cuidado.
Você não precisa entender tudo sozinha. Nós caminhamos com você. 🤎
09/07/2026
“Precisa de tudo isso de gente?”
A gente ouviu essa pergunta ao entrar em uma cesárea, e eu fiquei pensando em como, muitas vezes, o cuidado ainda é visto como excesso. Como se uma mulher precisasse apenas de alguém para conduzir tecnicamente o nascimento do bebê. Como se o parto fosse só um procedimento.
Mas não é.
No parto normal, na cesárea, no antes, no durante e no depois, aquela mulher continua sendo a nossa paciente. Continua merecendo presença, segurança, informação, respeito e humanidade. A via de nascimento pode mudar, mas a necessidade de cuidado permanece.
Uma equipe multidisciplinar não é “gente demais”. É cuidado somado. É mais de um olhar atento para a mesma mulher, para o mesmo bebê e para a mesma família. É uma equipe que conversa, que se alinha, que pensa junto e que sustenta aquele momento da melhor forma possível.
Cada profissional chega com um olhar.
Quando esses olhares se encontram com respeito, ninguém perde espaço. Todo mundo soma.
Contratar uma equipe não é transformar o nascimento em evento. É escolher viver esse momento com mais apoio, mais informação e mais cuidado. É ter profissionais que conhecem seus desejos, seus medos e seus limites, e que caminham com você também quando o caminho precisa ser ajustado.
Talvez a pergunta não seja “precisa de tudo isso de gente?”. Talvez seja: por que ainda parece demais uma mulher ser cuidada por inteiro?
Eu amo trabalhar com uma equipe que entende isso. Que não disputa espaço, soma. Que não aparece para ocupar cena, aparece para sustentar cuidado.
Não é gente demais. É cuidado em equipe.
28/06/2026
No parto, a equipe não é a protagonista.
E talvez essa seja uma das reflexões mais importantes sobre o cuidado.
Pensa na construção de um prédio: o andaime é fundamental.
Ele sustenta, dá suporte, oferece segurança, permite acesso, ajuda a obra a acontecer.
Mas ele não é a construção.
No parto, nós somos o andaime.
Estamos ali para sustentar, orientar, proteger, acolher e intervir quando necessário.
Mas não para ocupar o centro da cena.
Não para tomar da mulher aquilo que é dela.
Não para transformar o nascimento em uma experiência conduzida pela nossa vontade, pelo nosso ego ou pelas nossas expectativas.
Quem vive o parto é a mulher.
Quem atravessa cada contração, cada escolha, cada medo, cada força que aparece no caminho, é ela.
O nosso papel é criar um ambiente em que ela possa viver essa experiência com segurança, informação e respeito.
Um ambiente em que ela se sinta ouvida.
Em que ela possa confiar no próprio corpo, fazer escolhas sem medo de julgamento e entender que cuidado não é abandono, mas também não é substituição.
Às vezes, esse parto vai pedir menos intervenções.
Às vezes, vai pedir mais suporte, mais recursos, mudança de rota.
E isso não diminui essa mulher.
Isso também é cuidado.
Porque estar ao lado de alguém no parto não é fazer por ela.
É estar presente de um jeito que amplie sua capacidade de viver o processo como protagonista.
Se você está grávida e lendo isso, queria te dizer: uma boa equipe não existe para tomar o seu lugar.
Ela existe para sustentar o caminho, enquanto você constrói a sua experiência.
No fim, o protagonismo continua sendo seu.
Nós somos o andaime.
22/06/2026
Toda semana saem notícias, dados e debates sobre gestação, parto, puerpério e saúde da mulher.
Mas a pergunta que eu gosto de fazer é: o que isso muda na vida real de quem está gestando?
Mortalidade materna, saúde mental perinatal, violência obstétrica e acesso à assistência não são temas distantes. Eles aparecem no pré-natal, na maternidade, no puerpério, nas escolhas possíveis e nas escolhas que muitas mulheres nem chegam a ter.
Informação de qualidade não assusta. Ela prepara, protege e ajuda a construir cuidado.
Fontes: Agência Brasil, OPAS, Senado Federal e ONG Prematuridade.com.