25/09/2026
Nem toda experiência social bem-sucedida termina em uma grande amizade.
Às vezes, ela aparece de outras formas.
Na tranquilidade de fazer parte de um grupo sem precisar ser igual às demais.
Na capacidade de conviver com personalidades diferentes.
Na descoberta de que é possível admirar uma colega sem se diminuir, discordar sem romper e colaborar mesmo quando não existe intimidade.
Quando falamos sobre pertencimento na infância e na adolescência, é comum imaginar um grupo em que todas são muito próximas. Mas pertencer não significa ocupar o mesmo lugar afetivo na vida de cada pessoa.
Uma criança pode se sentir segura em uma turma sem ter ali sua melhor amiga.
Pode ser respeitada sem ser o centro do grupo.
Pode aprender a participar, contribuir e reconhecer o valor das outras sem precisar transformar toda boa convivência em amizade profunda.
Isso também é uma experiência social importante.
Porque, ao longo da vida, nossas filhas não conviverão apenas com pessoas que escolheriam como melhores amigas. Elas também precisarão construir relações respeitosas com colegas, equipes e grupos formados por afinidades, histórias e maneiras de pensar diferentes das suas.
No Meraki, cuidamos para que a turma seja um espaço de vínculo, mas não exigimos uma proximidade artificial entre as alunas.
A amizade, quando nasce, precisa ter liberdade.
O que a escola pode fazer é cultivar um ambiente em que ninguém precise competir por atenção, em que as diferenças não impeçam a colaboração e em que cada menina possa encontrar sua maneira de participar do coletivo.
Algumas relações se tornarão amizades profundas.
Outras permanecerão como boas lembranças de uma convivência respeitosa.
E nenhuma delas precisa ser diminuída por não ter se transformado em “amizade para a vida”.
Talvez uma das aprendizagens mais bonitas de pertencer a um grupo seja justamente compreender que há muitas formas verdadeiras de estar ao lado de alguém.