09/05/2026
Exercícios são apenas a menor fatia do seu resultado.
Muitos profissionais atuam como um mecânico comum: olham para o seu carro, trocam o óleo, apertam um parafuso e te mandam de volta para a rua. Entregam uma série, uma planilha, e o trabalho deles termina ali.
O que eu entrego é diferente.
Pense em um Engenheiro de Telemetria da Fórmula 1. O carro (você) está na pista executando o trabalho, mas o resultado da corrida é decidido nos bastidores.
Meu trabalho não é apenas te dizer o que fazer — isso você aprende e, em algum momento, nem vai precisar mais. Meu trabalho é monitorar os sensores do seu corpo: seus indicadores fisiológicos de evolução, a resposta biomecânica das suas articulações, e o controle preciso da carga aplicada.
O segredo do rendimento — seja você um atleta amador ou alguém buscando sua melhor versão física — não está no exercício que você faz numa terça‑feira. Está em analisar os dados para saber o momento exato de acelerar o motor (sobrecarga progressiva) e o milissegundo certo de te chamar para os boxes (recuperação e adaptação).
Um PDF com exercícios, qualquer um pode enviar. Governança fisiológica, gestão de carga e adaptação mecânica exigem engenharia.
Por isso que eu chamo de Assessoria e Consultoria. Porque entregar o exercício e planejamento personalizado é obrigação; gerenciar a sua evolução é ciência.Interessou? Chame do Direct com a palavra TELEMETRIA.
19/04/2026
O que o campeão olímpico e mundial de Ironman, Kristian Blummenfelt, ensina a nós "pobres mortais" sobre recuperação?
Mesmo sendo um ponto fora da curva dentro do método norueguês — que é guiado 100% pela precisão científica —, o segredo da sua regeneração pós-treino não está nas badaladas imersões no gelo ou botas de compressão. Ele usa os imbatíveis SONO e ALIMENTAÇÃO.
A ciência já mostrou que essas "modinhas" flertam com o placebo. Botas de compressão trazem apenas uma sensação reconfortante, mas não reduzem marcadores de dano muscular. Já a banheira de gelo é um tiro no pé: ela bloqueia a resposta inflamatória aguda, essencial para a biogênese mitocondrial e para a hipertrofia, atenuando as adaptações crônicas.
A verdade é que as pessoas preferem comprar a "recuperação" em equipamentos caros porque dormir e comer direito dá trabalho. Kristian foge do gelo justamente para que seu corpo passe pelo processo de adaptação completo. A verdadeira evolução ocorre na fase de sono profundo e no prato de comida.
É muito mais sedutor e "instagramável" postar foto sofrendo numa banheira de gelo ou sentindo o conforto de uma bota. Alguns amadores adoram terceirizar o próprio esforço. Enquanto culpam a falta de gadgets pelas dores, continuaram sendo refém da própria preguiça de fazer o que a biologia realmente exige.
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17/04/2026
Pode ser difícil homenagear alguém que nunca vimos pessoalmente.
Quando Kobe morreu, senti uma tristeza muito parecida com a de agora.
Minha paixão pelo basquete não vem dos anos 90, da era Chicago Bulls/Jordan. Ela começou ainda na criança, com a medalha de ouro no Pan de 1987.
Hoje, vivemos uma carência de ídolos, e perder ícones assim nos entristece profundamente.
Vá em paz, Mão Santa.
Nietzsche disse: “Aquilo que foi grande uma vez não deixa de ser grande.”
13/04/2026
Eu e minhas 3 semanas sem treino: o que aconteceu e o que está acontecendo agora após uma semana voltando à rotina...
Mesmo parado, meu corpo não “zerou”. Existe algo chamado inércia da adaptação (adorei esse termo) — uma espécie de memória fisiológica. Ou seja, as adaptações que eu construí antes (cardiovasculares, neurais e metabólicas) não desaparecem de uma vez.
Quando voltei a treinar, não comecei do zero. Entrei em um processo de reativação: o corpo reconhece o estímulo e rapidamente recupera eficiência, como se estivesse “relembrando” o caminho.
Percebi que minha frequência cardíaca de repouso voltou ao "normal" rápido, mas não foi evolução nova — é recuperação inteligente do que já foi construído.
Mas atenção: eficiência volta antes da capacidade total. O corpo responde rápido, mas ainda está se reconstruindo e por isso ajustes ainda são realizados por mais algum período.
Seguimos!
12/03/2026
A ideia de que existem exercícios específicos para “abdômen supra” e “abdômen infra” é um daqueles mitos de academia que sobrevivem mais pela repetição do que pela evidência. É praticamente um folclore fitness: aparece em cartazes de treino, vídeos de “abdômen em 7 minutos” e em qualquer infográfico colorido da internet.
O problema é que a anatomia não concorda muito com essa história. (Agora entendem o espanto do Leonardo da Vinci rs)
O reto abdominal não é composto por vários músculos independentes que você pode ligar e desligar como botões de um painel. Ele é um único músculo que vai do esterno ao púbis. As divisões visíveis são apenas intersecções tendíneas — tecido conjuntivo que dá o aspecto segmentado. Ou seja, não existem “músculos do abdômen superior” e “músculos do abdômen inferior” como entidades separadas.
Quando o reto abdominal contrai, ele contrai como um todo.
O famoso mapa do abdômen dividido em “infra”, “supra” e “lateral” funciona muito bem para marketing de treino, mas muito mal como descrição de anatomia ou fisiologia muscular.
Se a ideia for realmente entender o treino dessa região, faz mais sentido pensar em funções — flexão do tronco, controle pélvico, anti-extensão, anti-rotação e estabilidade — do que em pedaços imaginários de um músculo que a internet insiste em fatiar.
No fim das contas, o “treino de abdômen inferior” é menos uma realidade anatômica e mais uma tradição cultural do fitness moderno.
03/03/2026
O técnico proibiu o atleta de treinar força, alegando que a genética dele já faz ele carregar peso suficiente.
Sinceramente, espero que isso seja um engano — ainda mais vindo de um clube europeu. Parece mais uma exploração midiática para minimizar o burburinho sobre “shape x performance”.
Mas, supondo que seja verdade, a justificativa é questionável.
Treinar força no futebol não é sobre “ficar maior”. É sobre manter explosão, aceleração curta (20–30m), potência no salto e, principalmente, reduzir risco de lesão.
Mesmo um atleta muito musculoso precisa de estímulos de alta intensidade para manter sua capacidade de produzir força rapidamente. Sem isso, pode haver perda de explosão, redução da rigidez tendínea e queda de eficiência em ações decisivas do jogo.
O problema não é treinar força.
É como se treina.
Para um perfil como o dele, o ajuste ideal poderia ser menos volume, mais intensidade, foco neural, isometrias (overcomimg) e integração com sprints — não a exclusão do treino de força.
Suspender completamente dificilmente parece a melhor solução.
Ou será que darão uma "Aquabag" para ele??
23/02/2026
A "Ativação" com Elásticos é Ciência ou Placebo? O Teatro do Aquecimento Moderno.
A musculação moderna sofre de uma crise de identidade clínica. Indivíduos perfeitamente saudáveis andam lateralmente com elásticos nos joelhos, sob a promessa de "ativar" os glúteos antes do agachamento. Mas a fisiologia nua e crua questiona: isso é ciência ou teatro fitness? Para indivíduos funcionais, a prática beira o placebo sensorial.
Fisiologicamente, um músculo não é um roteador Wi-Fi que precisa de uma "senha" de borracha rs. Se está tudo intacto, o músculo responde imediatamente ao comando. Pelo Princípio do Tamanho de Henneman (é obrigação saber eim!!), acionar unidades motoras de alto limiar exige carga alta ou intenção de velocidade máxima, não movimentos lentos contra resistências leves que recrutam apenas fibras do tipo I.
A biomecânica é igualmente implacável. Tentar melhorar um agachamento (força vertical no plano sagital) fazendo abdução com elástico (força horizontal no plano frontal) é como treinar pingue-pongue para vencer no tênis. A coordenação neural específica da tarefa simplesmente não se transfere dessa forma.
A famosa "queimação" sentida no glúteo não significa ativação, mas mera acidose metabólica. Confundir ardência local com potenciação neural é um erro amador, e a ciência confirma que essa pré-exaustão não aumenta a força. Pior ainda: fadigar o glúteo médio — seu principal estabilizador pélvico — antes de colocar peso nas costas é sabotagem biomecânica e um convite direto ao valgo dinâmico do joelho.
Essa prática sobrevive graças à "complexidade performática". começar com cargas com a barra “vazia” parece simples demais ou até um achamento com peso do corpo com velocidade, até um salto dá, mas elástico entra para criar uma falsa sofisticação técnica, justificando a intervenção do treinador através do medo infundado de treinar "desalinhado".
Exceto na reabilitação ou no ensino motor de iniciantes (onde o elástico serve como excelente feedback tátil), a caminhada de caranguejo para pessoas saudáveis focadas em performance real é perda de tempo. O melhor e mais específico ativador para um agachamento sempre será o próprio agachamento e fazer força.
07/02/2026
O que Bruce Lee pode nos ensinar sobre o treinamento no fitness atual?
Vivemos um momento em que as redes sociais nos bombardeiam com exercícios novos, variações mirabolantes e propostas “inovadoras”. Algumas até fazem sentido, mas esse não é o ponto central.
A frase é conhecida:
“Eu não temo uma pessoa que treinou mil chutes, mas temo aquela que treinou mil vezes o mesmo chute.”
No contexto do treinamento físico, essa ideia dialoga diretamente com o que vemos no dia a dia. É comum ouvir: “Professor, enjoei disso” ou “cansei daquilo”. Muitas vezes, por uma questão comercial — afinal, alguém precisa pagar as contas — o profissional acaba cedendo.
Do ponto de vista técnico, porém, a essência da frase está na qualidade sustentada pela repetição, e não na variedade incessante. Não se trata de fazer mais coisas, mas de fazer melhor as coisas certas.
Por que iniciar todo treino com longos blocos de mobilidade se é possível desenvolvê-la treinando padrões fundamentais, como o agachamento, de forma consistente ao longo do ano?
Aqui está um ponto crítico: quando o praticante começa a melhorar em algo específico, o corpo responde. A eficiência aumenta, os padrões se refinam e a evolução acontece.
Isso não significa que a alternância de estímulos não seja necessária — ela é. O diferencial do profissional está em saber quando e como variar, e não em variar o tempo todo.
Por fim, um alerta importante: não é normal que todo treino termine com o aluno exausto ou “morto”. Se isso acontece sempre, algo está fora do lugar. Treinar bem não é sofrer sempre; é evoluir com consistência.
02/02/2026
Para mim, Novak Djokovic representa o maior atleta de todos os tempos quando o critério é o desempenho físico-funcional-mental em ambientes competitivos de alta exigência. Ao dizer “atleta”, refiro-me exclusivamente às capacidades biomecânicas, fisiológicas e neuromusculares expressas em quadra, não a aspectos comportamentais ou extraquadra.
O confronto contra Jannik Sinner ilustra esse ponto de forma exemplar. Uma partida com mais de quatro horas impõe alternância contínua entre os sistemas energéticos anaeróbio alático, anaeróbio lático e aeróbio, em ciclos repetidos de acelerações, desacelerações, mudanças de direção e gestos técnicos de alta velocidade. Além de manter precisão motora e tempo de reação após milhares de contrações indica não apenas resistência muscular, mas também preservação da eficiência do sistema nervoso central sob fadiga metabólica progressiva.
Aos 38 anos, já há declínios graduais em potência muscular, taxa de desenvolvimento de força e recuperação tecidual. O que Djokovic demonstra, ao competir em alto nível contra atletas mais jovens como Sinner e Alcaraz, é uma gestão excepcional de carga, recuperação e adaptação crônica ao treinamento.
Trata-se de um exemplo raro de longevidade atlética sustentada por economia de movimento e manutenção da capacidade cardiorrespiratória compatível com o mais alto patamar do esporte profissional.
Mais do que vencer partidas, Djokovic evidencia a possibilidade de estender o pico funcional humano no esporte por meio da integração entre ciência do treinamento, biomecânica e autorregulação fisiológica.
27/01/2026
O Paradoxo da Hiper Técnica descreve como o excesso de instruções verbais detalhistas tende a tornar o movimento mais rígido, menos eficiente e menos adaptável.
Certa vez li um trabalho de Nikolai Bernstein, destacava-se que o sistema motor humano opera sob o princípio da Redundância Motora: diferentes combinações musculares e articulares podem atingir o mesmo objetivo funcional.
Exemplo: a segmentação da retração escapular em remadas ou puxadas expõe o controle excessivo — em muitos ambientes isso já virou quase uma “religião” técnica. Comandos como “retrai a escápula” e “agora puxa” tendem a gerar rigidez e baixa transferência, ignorando que escápula, úmero e tronco se organizam de forma acoplada e automática no ritmo escápulo-umeral, quando o foco está na tarefa, não nos segmentos isolados. Ou seja, Papai do céu já fez tudo certinho. Há exceções? Há ! Mas não é regra.
O corpo não é um manual de instruções em PDF que precisa ser seguido linha por linha. Ele aprende em movimento: se ajusta, se organiza e encontra o melhor jeito de se mover quando você foca na tarefa, não nas partes do corpo.
Ajustes e correções são necessários, mas o excesso de detalhes que fogem da lógica cinesiológica tende a gerar rigidez e estresse mecânico desnecessário.