18/08/2026
Pátañjali foi o autor do texto mais reverenciado do Yoga em todo o mundo. No Yoga Sútra ele apresenta dez princípios éticos fundamentais para orientar o comportamento do praticante de Yoga. Eles são os yamas e niyamas, o alicerce fundamental da prática de Yoga.
Yamas
• Ahimsa — Não-violência e compaixão.
• Satya — Compromisso com a verdade.
• Asteya — Respeito ao que pertence aos outros.
• Brahmacharya — Moderação e uso consciente da energia.
• Aparigraha — Desapego ao excesso, à posse e ao controle.
Niyamas
• Shaucha — Purif**ação do corpo e da mente.
• Santosha — Contentamento e serenidade.
• Tapas — Autossuperação e disciplina
• Swádhyáya — Estudo diligente de si mesmo.
• Íshwara Praṇidhāna — Autoentrega e confiança no fluxo da vida.
Podemos compreender estas normas éticas como instrumentos de educação da consciência. Ao colocá-los em prática, desenvolvemos uma relação mais ética e consciente conosco, com os outros e com a vida em geral. Representam um verdadeiro acelerador evolutivo da transformação proporcionada a partir das técnicas.
03/08/2026
Você mal saiu da cama e as notif**ações já começam perturbar a sua paz.
A semana ainda nem começou e o coração já está acelerado, a respiração curta, a mente aceleradíssima!
Isso é o que acontece quando o sistema nervoso se acostuma a viver em alerta.
Felizmente existe um caminho para fora dessa armadilha.
O Yoga não promete uma solução da noite para o dia mas é possível reaprender a desacelerar
Então, imagine começar o dia com a respiração tranquila, o corpo consciente, a mente em silêncio.
Isso é possível! Só depende da nossa disposição em abrir pequenos espaços de autocuidado ao longo do dia.
Este mês vamos falar bastante sobre ansiedade por aqui.
Quero estar ao seu lado para dar um passo de cada vez na direção de uma vida com mais saúde e bem-estar.
Então, me conta! O que é que anda tirando a sua paz?
21/07/2026
Gesto Ancestral
Poucos são os temas dentro do Yoga que não foram mistif**ados ou deturpados, mas talvez nenhum seja tão mal compreendido quanto os mudrás.
Basta uma rápida pesquisa na internet para nos depararmos com promessas de cura, despertar de poderes ocultos, gestos capazes de equilibrar os chakras e outros impropérios.
Este tipo de promessa costuma despertar a curiosidade, mas serve apenas para obscurecer ainda mais os verdadeiros efeitos que a linguagem gestual pode proporcionar.
Mudrá é um termo sânscrito que pode signif**ar chave, selo, senha, signo, sinete, carimbo, impressão ou marca.
No Yoga, mudrá é o nome que se dá para diversas posições específ**as de mão, utilizadas durante a prática dos ásanas, pránáyámas e da meditação.
Eles funcionam como refinamentos técnicos que favorecem determinados efeitos e estados de consciência.
Apesar de serem pouco conhecidos, os mudrás não são gestos mágicos ou místicos, como muitos querem fazer parecer.
Nosso sistema nervoso está espalhado por todo o nosso corpo. Tudo o que pensamos e sentimos influencia diretamente a nossa fisionomia, postura e posição das mãos.
Quando estamos nervosos, ansiosos ou impacientes costumamos cruzar os braços, contrair os ombros, cutucar as unhas e emburrar o rosto.
O medo e a tristeza nos fazem encolher, a vitória e a felicidade nos fazem expandir.
Seres humanos são extremamente dependentes das mãos como ferramentas de interação com o mundo.
Vivemos gesticulando, tocando objetos, digitando, apontando e manipulando o ambiente à nossa volta.
A prática de mudrás reconhece isso e utiliza essa dinâmica para gerar vivências de conexão, bem-estar e introspecção.
A grande descoberta do Yoga foi perceber que essa relação também funciona na direção oposta!
Essa relação não ocorre em apenas uma direção. Se o nosso estado interno se expressa através do corpo, modif**ar conscientemente a postura, a respiração e os gestos também influencia o nosso estado interno.
Existe um campo de pesquisa chamado de feedback facial. Ele investiga como as expressões do rosto podem influenciar a experiência emocional.
Embora ainda existam debates sobre a intensidade desse efeito, os estudos concordam que o rosto (assim como o corpo e as mãos) participam ativamente da construção da experiência.
Durante uma prática de Yoga, a vivência dos mudrás consiste na escolha de um gesto, no aquietamento do corpo e da mente e finalmente na concentração do pensamento sobre as mãos.
A linguagem gestual do acervo do Yoga Antigo remonta a milênios de prática, transmissão e aperfeiçoamento dentro da tradição do Yoga.
O verdadeiro poder dos mudrás costuma se revelar na forma de maior presença, insights profundos, intuições e uma percepção mais refinada da própria experiência.
Pense nisso durante a sua próxima prática!
Aprenda a perceber melhor a textura dos dedos, a pressão entre as mãos ou o contato com a pele.
É justamente na simplicidade dessas atitudes que está o poder do gesto.
Não é por acaso que os mudrás atravessaram os séculos e continuam ocupando um lugar tão importante dentro da tradição do Yoga.
Professor Vernon Maraschin
07/07/2026
Certa vez, eu estava prestes a ministrar um curso sobre respiração consciente quando um dos meus alunos comentou que um amigo havia zombado dele ao descobrir que ele iria participar do meu curso. — Como você é bobo! Vai pagar pra alguém te ensinar uma coisa que todo mundo já nasce sabendo?
A piada era infeliz, mas fiquei com a pulga atrás da orelha. Será que as pessoas realmente duvidam do quanto a respiração influencia nossa saúde física, emocional e mental?
Isso é surpreendente para mim pois existem muitos artigos que comprovam que respirar é muito mais do que simplesmente trocar oxigênio por gás carbônico. Na respiração nasal, por exemplo, o ar é filtrado, aquecido e umidif**ado antes de chegar aos pulmões. Com a respiração lenta e ritmada, milhões de receptores nervosos presentes no epitélio olfatório são estimulados e enviam informações para regiões profundas do cérebro relacionadas à memória, às emoções e ao comportamento.
No Yoga, essa relação entre respiração e mente é conhecida há milênios. Os pránáyámas sempre foram descritos como ferramentas capazes de modular estados mentais, estabilizar emoções, ampliar a concentração e favorecer estados profundos de consciência. Hoje, muitos desses efeitos encontram respaldo na neurociência. Respirar de forma nasal, lenta, ritmada e consciente influencia positivamente o funcionamento do sistema nervoso autônomo, melhora a eficiência respiratória e modif**a a maneira como o cérebro processa informações internas e externas.
Respiramos cerca de vinte mil vezes por dia sem perceber. Este movimento inconsciente acompanha o mesmo piloto automático que governa nossos pensamentos, emoções e hábitos. Ela reflete nossos medos, tensões, ansiedades e condicionamentos, quase sempre de forma inconsciente. A respiração consciente rompe com esse automatismo.
Ao trazer consciência para um processo inconsciente, passamos a iluminar regiões do psiquismo. Insights e intuições surgem espontaneamente e a respiração se revela como uma ferramenta de autoconhecimento. Cada inspiração consciente abre uma pequena janela para observar quem somos, como reagimos e quais padrões dirigem a nossa vida sem que percebamos.
15/06/2026
Nadí Shuddhi: a purif**ação dos canais de energia
As nadís são os canais sutis por onde circula a energia vital em nosso corpo. Os textos do Hatha Yoga medieval afirmam que, quando esses canais estão limpos e desobstruídos, o fluxo de prána ocorre de forma livre e harmoniosa. Isso favorece a saúde, a concentração e nos predispõe à meditação.
Existem diversas técnicas e procedimentos para promover esse refinamento do sistema energético. Trata-se de um processo gradual e contínuo, que depende tanto da prática regular quanto da adoção de hábitos adequados. Entre as técnicas tradicionalmente mais utilizadas para se alcançar o nadí shuddhi destacam-se os mantras, kriyás, pránáyámas e ásanas. De longe, o respiratório mais aplicado de todos é o nadí shodhana pránáyáma, a respiração alternada.
Os mestres de Yoga também enfatizaram que a conquista desse efeito depende de outros elementos, tais como a alimentação adequada, equilíbrio emocional, disciplina pessoal e repouso suficiente. Essas recomendações para a atualização de hábitos de vida não são secundárias ou complementares. São fatores essenciais para o sucesso na conquista desses efeitos.
Entre os sinais do desenvolvimento de nadí shuddhi estão a respiração mais suave e equilibrada, maior clareza mental, estabilidade emocional e crescente facilidade para a concentração e a meditação. Sob uma perspectiva contemporânea, esses efeitos podem ser compreendidos como resultado da regulação do sistema nervoso, da redução do estresse e do aumento da consciência corporal. Independentemente da linguagem utilizada, o objetivo permanece o mesmo: criar a plataforma ideal para o aprofundamento da prática e para a exploração de estados mais sutis de consciência.
Não por acaso, o nadí shodhána pránáyáma foi escolhido pelos integrantes do Observatório da Consciência como prática diária de aprofundamento no estudo e na vivência do Yoga. Se você quiser se juntar a nós, acrescente você também a permanência de 15 minutos neste respiratório em suas práticas diárias. Eu tenho certeza de que você irá me agradecer depois!
14/06/2026
Hipo e Hiperventilação
Eu sempre gostei de praticar o náḍí shodhana pránáyáma seguido de bhástriká, pois essa combinação me proporciona uma sensação muito agradável de clareza e bem-estar. Recentemente, resolvi investigar os efeitos fisiológicos dessa sequência e descobri que essas técnicas aparentemente opostas se complementam de forma extraordinária.
Durante a hipoventilação, gerada por respiratórios lentos e com longas retenções, ocorre um aumento gradual do dióxido de carbono e uma leve redução do oxigênio, favorecendo o relaxamento e a ativação do sistema nervoso parassimpático. Já as respirações rápidas e vigorosas promovem o efeito oposto, despertando o sistema nervoso simpático e produzindo uma sensação de energia, alerta e vitalidade.
Essa alternância funciona como um treinamento para o sistema nervoso, desenvolvendo a capacidade de transitar com mais facilidade entre estados de repouso e ação. Além disso, as mudanças nos níveis de oxigênio e dióxido de carbono influenciam diversos mecanismos neurofisiológicos relacionados ao foco, à atenção e ao bem-estar.
Ficou claro para mim que técnicas respiratórias introspectivas e energizantes não se contradizem: elas se complementam. Talvez seja justamente essa dança entre silêncio e movimento, relaxamento e ativação, que explique a sensação de equilíbrio, vitalidade e serenidade que tantas pessoas experimentam após a prática.
09/06/2026
⚡Bhúta Shuddhi Pránáyáma
Muita gente jáconhece o clássico respiratório alternado (nadí shodhana), mas poucos conhecem a sua versão mais profunda e potente: o bhúta shuddhi pránáyáma.
Codif**ada no texto clássico Gheranda Samhita, essa técnica se utiliza de mentalizações para a purif**ação dos elementos fundamentais da natureza em nós (terra, água, fogo, ar e éter).
Tentar despertar sua energia vital (prána) ou a força de Kundaliní sem antes limpar seus canais energéticos (nadís) é o equivalente biológico a ligar uma corrente elétrica de alta voltagem em uma fiação velha, suja e descascada. O resultado pode ser um curto-circuito que se manifesta como ansiedade, instabilidade mental ou desgaste físico. É por isso que os textos clássicos colocam esse respiratório como um pré-requisito absoluto!
Ao sentar-se para praticar, coordenar o ritmo, os mantras e as cores, você assume o controle do seu próprio sistema nervoso. É o passo definitivo para quem deseja deixar de ser um mero “alongador de músculos” e se tornar um verdadeiro cientista da própria consciência!
Se você quiser um passo a passo detalhado desse exercício, entre em contato comigo aqui pelo direct que eu vou ter o maior prazer em te enviar!
**ra YogaSaoPaulo
22/05/2026
Memória, identidade e envelhecimento à luz do Yoga
Estou lendo o livro Viagens a Terras Inimagináveis, da terapeuta Dasha Kiper. Ele fala sobre os efeitos da perda da memória sobre a identidade humana e impacto disso sobre familiares e cuidadores. Para ilustrar um contraponto, a autora menciona o conto Funes, o Memorioso, de Jorge Luis Borges. Nele, o autor descreve um homem incapaz de esquecer. Funes se lembra de absolutamente tudo: cada detalhe, cada sensação, cada nuance vivida. Sob o peso de lembranças perfeitas ele se torna incapaz de abstrair, generalizar ou simplif**ar a realidade. Sua mente f**a aprisionada em um excesso de registros.
Fiquei profundamente impressionado porque tudo isso toca em algo essencial para a maneira como construimos a nossa identidade. Gostamos de acreditar que a nossa memória é um registro fiel da realidade, mas na verdade ela está longe disso. A memória é dinâmica, emocional e reconstrutiva. O passado não está congelado dentro de nós, mas sim em contínua reinterpretação. Pessoas que viveram juntas a mesma experiência podem guardar memórias diferentes do mesmo fato. Um evento pode ser recordado de maneiras diferentes por nós mesmos a depender do nosso estado de humor.
É justamente essa instabilidade que sustenta a nossa sanidade. Funes, o Memorioso sofre porque não pode esquecer. Portadores de Alzheimer sofrem porque se esquecem demais. Um cérebro saudável se lembra e se esquece na medida certa.
Conviver com alguém diagnosticado com Alzheimer torna tudo isso ainda mais concreto. Quando os sintomas de demência começaram a se agravar na minha sogra eu pude reconhecer um fenômeno curioso: quando perdemos as nossas memórias, o que nos resta são os nossos condicionamentos. O cérebro apaga pessoas e lugares mas ainda assim continua lutando para preservar sua identidade.
No Yoga e no Sámkhya existe um conceito que talvez justifique esse comportamento: os vásanás.
20/05/2026
Antes da internet, a cultura era uma experiência compartilhada.
Assistíamos aos mesmos programas e ouvíamos as mesmas músicas.
Essa realidade coletiva permitia grandes movimentos: o Queen reunindo 300 mil pessoas no Rock in Rio ou os Rolling Stones arrastando um milhão e meio em Copacabana. Eram eventos que transcendiam gerações e furavam todas as bolhas.
Agora, experimente abrir a Netflix de um amigo ou o Instagram do seu cônjuge.
O conteúdo é completamente diferente do seu!
A nossa realidade passou a ser cuidadosamente editada por algoritmos para prender nossa atenção.
As redes sociais não nos mostram o mundo como ele é, mas uma versão filtrada para extrair o máximo de engajamento e estímulo dopaminérgico.
Em 1992, o dramaturgo Steve Tesich chamou isso de pós-verdade: uma sociedade que aceita mentiras reconfortantes em detrimento dos fatos.
Como a vida é dura e complexa, é extremamente sedutor abrir mão do nosso discernimento.
Mas com isso, perdendo o contato com a realidade, capturados em bolhas polarizadas e intransigentes.
Muito antes da tecnologia, os antigos já sabiam que não acessamos o mundo diretamente.
Eles explicavam que a consciência vive imersa em uma ilusão de percepção chamada máyá — o mundo ilusório dos sentidos.
A diferença é que hoje carregamos uma nova e potente camada de máyá no próprio bolso.
Mas os mestres do passado também apontavam uma solução.
No mundo contemporâneo, a meditação se tornou mais importante do que nunca.
Ela reduz as interferências, limpa o excesso dos sentidos e nos permite acessar a uma experiência direta da realidade.
Em uma era que disputa a nossa atenção a cada segundo, permanecer lúcido e acordado é o maior ato revolucionário que existe.
19/05/2026
Eu sempre tenho papel e caneta comigo quando pratico a meditação.
Percebi que os pensamentos dispersivos que mais atrapalham a minha concentração são compromissos mal gerenciados.
Suprimir esses pensamentos é uma tarefa inglória! Prefiro mil vezes tirar eles da cabeça e colocar tudo no papel.
A mente serve para pensar, não para guardar informações. O papel é muito mais competente para fazer isso!
Esta maneira de esvaziar a mente também é chamada de Mindsweep, uma das ferramentas do GTD.
Se você também está sentindo o cansaço infinito da sobrecarga cognitiva, saiba que o problema não é ter muitas coisas pra fazer.
Sustentar os pensamentos no segundo plano do psiquismo consome uma quantidade absurda de energia.
Aprender a eliminar esse desperdício torna a nossa mente mais criativa, focada e tenaz.
Você já deve ter percebido que a mente funciona muito melhor quando está vazia.
O exercício de mindsweep combinado com a prática da meditação são a melhor maneira que eu conheço para esvaziar a mente.
Despejar tudo o que está me preocupando é uma rotina que me ajuda muito a dar um reset no cérebro.
Com isso, consigo começar o meu dia em estado de maior pró-atividade e ser muito mais produtivo.
Experimente! Eu tenho certeza de que você também vai gostar.
Depois me conte aqui os seus resultados.