Escola de Capoeira Angola situada na região da Vila Brasilândia em SP. Rua: Rubens Raul da silva, Momento muito especial para o aluno.
Foi quando cheguei de mudança, num bairro chamado Jardim princesa na zona noroeste de São Paulo, em 1979, passado alguns dias, no primeiro sábado de Dezembro em frente de casa nosso vizinho chamado Raimundo juntamente com seu irmão Johnny, mais um grupo de amigos que tocavam e movimentavam-se, rápido e devagar dentro daquele ritmo que embriagava meu corpo e deixara-me eufórico, percebendo minha an
siedade, convidara-me para " brincar" (quanta inocencia) e fiquei contente pela consideração e fui entrando na brincadeira, nesse dia aprendi muita coisa, sentir o gosto do chão e de pé no meu corpo e a malícia que existia naquele grupo de pessoas. Raimundo, depois disse que era professor de e treinava com o mestre bigode. Durante aquele momento fiquei com raiva deles, porém depois da roda, eles disseram que gostaram de mim e se eu gostaria de aprender Capoeira, fiquei contente respondendo que sim, ainda falaram que levar-me-iam para conhecer seu Mestre, depois é claro, passou tudo que estava sentindo de negativo, pois o calor daquela amizade fortaleceu minha alma e conversamos muito sobre capoeira. Falei que meus pais não gostavam que eu ficasse com aquele pessoal, e por isso saia escondido para treinar com eles no campinho perto de casa, fiquei um bom tempo treinando com aquele pessoal. Meu pai viajava muito, só vivia de mudanças e como sabia já capoeira esperei o tempo certo fazendo meus treinos;
Alguns anos depois fui conhecer o espaço com eles, e pensei que seria numa academia cheia de equipamentos, daquelas que a gente vê nos filmes de artes-marcias e perguntei se tinha saco de pancadas e eles sorriram e disseram que seria melhor ver pessoalmente. Chegamos em frente de uma Escola chamada João Amós Comenius no Jardim Vista Alegre e fiquei surpreso que de longe ouvia musica de Capoeira. Entrando aquele senhor já cobrando a nossa ajuda para afastar as mesas e cadeiras que a aula já estava para começar. Achei estranho aquele lugar, uma escola para aprender a lutar( esse era meu pensamento náquele dia) e logo depois foi chegando crianças, jovens e adultos, foi enchendo aquele pátio do refeitório escolar. Eu com aquela tímidez de costume, fiquei sentado assistindo toda aquela aula, e vou dizer a verdade, aqueles meus vizinhos durante o treino pagaram o que fizeram comigo e quando fizeram a tal roda de jogo aí que foi minha alegria, e coisa de admirar que aquele senhor, fazia com os jovens, tive até pena deles e também fui entender o porque eles tinha garra e força de vontade e malícia. No final da aula apresentaram aquele senhor, fiquei um pouco assustado com ele, porque disse com um leve sorriso de malícia e aquele olhar firme e fixava sério a minha pessoa se realmente gostaria de aprender
Capoeira, respondi que só hávia ido para conhecer e que iria pensar, (e vou dizer a verdade, que por dentro tinha arrependido de ter ido para aquele lugar). Passado algumas semanas com meus vizinhos, eles ensinando aqueles golpes e movimentos de corpo é que tive coragem para entrar naquela escola. Logo encontrei um emprego já no mes seguinte, já estava treinando aos sábados e domingos e meu irmão depois de um mes entrou também, hoje ele é o mestre Caroço do grupo ginga brasil,(bem essa é outra história), treinei um ano seguido, como foi difícil os treinos, aquele senhor não aliviava o pé de jeito nenhum, ele disse que deveria pegar minha primeira graduação, não entendia isso que não corria roda como hoje e minha mente era fechada ao assunto. O mestre reuniu todos os amigos dele na escola e foi nesse dia que meu coração quase sai pela boca, fora o nervosismo descontrolado. Conheci mestres que hoje fazem parte da história da capoeira de são paulo e da nossa região, ajudamos também nos preparativos, até começar o tal batizado, que eles diziam que era um reconhecimento do capoeira na roda...
Bem, como era o meu primeiro, ví os mais novos indo na frente, aí sim que tremi, até parece que eles estavam bravos com aquelas crianças, e de vez em quando uns olhavam para minha pessoa, quase fui embora, mas como hávia pago e ele o mestre Bigode dizia algumas palavras encorajadora, não fui. Ouço meu nome para se apresentar no pé da roda, vai a homem para o meio das cobras, começa o toque e o berimbau marca a saída, pensei que como os menores era um professor ou um mestre, comigo seria o mesmo, enganei-me, e ainda o mestre Bigode falou assim para os convidados da roda, o menino é bom, ouvindo isso congelei. Acredita que não consegui fazer nenhum movimento direito, que havia aprendido. Experiencia essa que entendo os mais novos no seu momento especial de consagração apara ser um capoeira. Quando ouvi o mestre dizer aquelas palavras, pensei, esse velho me paga. Depois daquele dia realmente dediquei meu tempo para treinar, ha se não treinasse mesmo, porque aquelas aulas ministradas por aquele mestre eram duras de se aguentar, depois daquele batizado ficaram no espaço menos de 30% dos alunos que treinavam.Perguntei aos meus amigos o por que?. Fiquei admirado com a resposta, disseram que isso sempre era assim, todo evento sumiam os alunos e qiue pouquissimo que ficavam e eram esses que seriam capoeiristas.Fui um dos poucos como daquela época. O interessante que nosso grupo chamava-se Associação de Capoeira Paz e Amor, (de Paz e Amor não tinha nada) pois era pancadaria pura. Curioso da saber mais sobre a história do mestre Bigode, comecei a questioná-lo de onde veio e quem era o mestre dele. Aquele senhor de origem bahiana gostava de castigar a gente, e quanto mais tentava dar uma pegada nele, sentia em mim cada vez mais o pé pesado, (véio) danado.
22/09/2024
Sem palavras, honrado. Desde 1980 na caminhada...Salve nossa capoeragem.Mestre Cicero Reis.
18/09/2024
Como Sacerdote de Umbanda, desde os 10 anos na Religião, sendo reconhecido mais uma vez, a outra foi na Câmara Municipal de São Paulo, gratidão para nossa Espiritualidade Maior.