18/09/2026
É impossível falar sobre futebol sem falar sobre quem sustenta esse esporte: o torcedor.
Por isso, causa indignação ver clubes e entidades do futebol se posicionarem publicamente em defesa da manutenção das casas de apostas como se o futuro do futebol brasileiro dependesse delas.
Não se trata de ignorar a importância financeira dos patrocínios. Sabemos que as bets se tornaram uma fonte relevante de receita para clubes, competições e veículos esportivos. Mas transformar essa dependência financeira em argumento para dizer que, sem elas, “o futebol acaba” é colocar o interesse econômico acima de uma discussão que envolve consequências reais para milhares de pessoas.
O próprio manifesto reconhece que a expansão das apostas traz impactos sociais, especialmente para pessoas vulneráveis. Então a pergunta precisa ser feita: se esses impactos são reconhecidos, por que a prioridade apresentada é defender a permanência desse dinheiro no futebol, e não discutir limites mais efetivos para a exposição do torcedor?
O futebol brasileiro existia antes das bets. Existia quando a camisa era patrocinada por empresas de outros setores, quando clubes precisavam buscar diferentes fontes de receita e quando o espetáculo não dependia da transformação da paixão do torcedor em oportunidade permanente de aposta.
Mas é preciso reconhecer que existe uma contradição em transformar o futebol em uma das maiores vitrines das bets e, ao mesmo tempo, afirmar preocupação com os impactos sociais provocados por elas.
O torcedor não pode ser tratado apenas como consumidor, apostador ou fonte de receita.
Ele é parte essencial do futebol.
São Paulo Futebol Clube e Federação Paulista de Futebol, o futebol brasileiro merece um debate mais amplo do que a defesa de contratos de patrocínio.
O futebol não pode ser colocado diante da escolha entre dinheiro e responsabilidade. É justamente responsabilidade que precisamos exigir de quem administra o esporte.