22/08/2026
Quando treinar capoeira era uma conquista
Quem começou na capoeira há 15, 20 ou 30 anos sabe que a realidade era diferente.
Hoje, temos academias, projetos, rodas, vídeos, redes sociais, aulas online e facilidade para encontrar conhecimento e lugares para treinar. A nova geração tem ferramentas que nós sequer imaginávamos.
E isso não diminui a nova geração. Cada época tem dificuldades e oportunidades.
Mas existe uma diferença que merece ser lembrada.
Antigamente, estar próximo de um mestre era uma dádiva.
A atenção do mestre era conquistada com tempo, respeito, disciplina e dedicação. Estar ao lado dele durante um treino, ouvir uma conversa, acompanhar uma roda ou receber uma correção tinha valor.
Era o aluno que procurava o mestre. Chegava mais cedo, f**ava depois do treino, perguntava, observava e queria aprender.
Hoje, em alguns lugares, parece que a situação se inverteu.
O professor precisa chamar a atenção do aluno, agradá-lo, elogiá-lo constantemente e, muitas vezes, “passar a mão na cabeça” para mantê-lo interessado.
Se a aula está difícil, o aluno desanima. Se o professor cobra demais, procura outro lugar. Se não recebe atenção suficiente, entende que não é valorizado.
Não estamos dizendo que o mestre precisa ser autoritário ou que devemos voltar aos excessos do passado.
Respeito não é medo. Disciplina não é humilhação. Autoridade não signif**a falta de diálogo.
Mas também não podemos transformar a capoeira em um lugar onde o professor precisa disputar a atenção do aluno.
A capoeira nunca foi sobre receber tudo pronto. Foi sobre conquistar espaço, conhecimento e confiança através da caminhada.
A capoeira mudou. Os métodos mudaram. O acesso ao conhecimento mudou.
Mas algumas coisas não deveriam mudar: respeito, disciplina, humildade, dedicação e vontade de aprender.
O mestre pode ensinar o caminho, corrigir, incentivar e compartilhar aquilo que aprendeu durante anos.
Mas ninguém consegue treinar pelo aluno.
A facilidade de hoje é uma oportunidade. Não deveria ser uma desculpa para perder o valor da conquista.