Fonoaudióloga Letícia Dornelas

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01/10/2026

Seu paciente tem dificuldade para engolir comprimidos. A primeira ideia é triturar. Mas será que pode?

Nem todo medicamento pode ser triturado, aberto ou partido. E, em alguns casos, existem outras apresentações que podem facilitar a administração.

Na disfagia, a escolha precisa considerar duas coisas: a segurança da deglutição e as características do próprio medicamento.

Por isso, essa decisão não deve ser automática. Fonoaudiólogo, médico e farmacêutico têm papéis complementares nesse processo.

Antes de triturar, pergunte. Antes de adaptar, avalie.

Compartilhe com alguém que precisa saber disso.

29/09/2026

A terapia no Alzheimer começa antes do primeiro exercício.

Faça: antecipe o que vai acontecer, use comandos curtos, explique antes de tocar e dê tempo para a resposta.

Não faça: surpreender o paciente, dar vários comandos, pressionar ou insistir quando houver recusa.

Observe desconforto, fadiga e agitação. Se não funcionou, mude a estratégia — não transforme a terapia em confronto.

Mantenha o ambiente previsível, reduza distrações e, ao finalizar, avise que o atendimento terminou.

No Alzheimer, a forma como você chega, fala e toca também faz parte da terapia.

25/09/2026

Na Fonoaudiologia, assim como na vida, parece que sempre existe uma régua pronta para medir a escolha do outro.

Se você usa tecnologia, exagera.
Se não usa, está ultrapassado.

Se atende muito, é ganancioso.
Se atende menos, é preguiçoso.

Se cobra mais, é caro.
Se cobra menos, desvaloriza a profissão.

Se faz muitos cursos, nunca está satisfeito.
Se faz poucos, está desatualizado.

Se aparece nas redes, quer atenção.
Se não aparece, ninguém conhece o seu trabalho.

E talvez o problema nunca tenha sido a quantidade de pacientes, o valor da sessão, os recursos terapêuticos ou o número de cursos.

O problema é tentar definir a competência, a dedicação e até o caráter de alguém olhando apenas para um pequeno recorte da vida profissional.

Cada profissional conhece os próprios bastidores. Sabe o quanto estudou, o que precisou abrir mão, os limites que decidiu respeitar e a realidade que precisou construir.

Não existe uma única forma de ser uma boa fonoaudióloga.

No final, as pessoas podem interpretar as nossas escolhas de inúmeras maneiras. Mas opinião de fora não conhece toda a história de dentro.

Antes de julgar o caminho profissional de alguém, talvez a pergunta devesse ser:

Quanto dessa história eu realmente conheço?

Você concorda comigo? Quero saber sua opinião nos comentários.

22/09/2026

O que eu realmente trouxe do Congresso Brasileiro de Disfagia para a minha prática?

Mais do que novos exercícios e recursos, voltei pensando ainda mais sobre prescrição e raciocínio clínico.

Qual é o alvo fisiológico? Busco força, resistência ou função? Qual carga o paciente tolera? Quando progredir? E esse ganho está realmente sendo transferido para a deglutição?

Também reforçamos pontos importantes no manejo da disfagia: ausência de tosse não significa deglutição segura, higiene oral importa e o espessante precisa de indicação, objetivo e reavaliação.

Conheci ainda recursos interessantes, como o OROFORCE, para treino resistido, e propostas da MedicArte voltadas a diferentes formas farmacêuticas.

No fim, o principal aprendizado foi simples: menos receita pronta e mais raciocínio clínico.

Antes de escolher um exercício, recurso ou adaptação, preciso saber o que quero modificar e como vou medir essa mudança.

18/09/2026

Na prática clínica, aprendi que muitas vezes precisamos olhar menos para a reação isolada e mais para o que aconteceu antes dela.

Um toque, um comando, uma aproximação ou até o próprio ambiente podem gerar uma resposta de defesa quando o paciente não compreende completamente o que está acontecendo.

Meu conselho é: antes de insistir em uma técnica, tente compreender o paciente. Observe seus sinais, respeite o tempo de aproximação e adapte a sua abordagem.

Nem sempre a primeira pergunta deve ser “como eu faço esse paciente colaborar?”, mas sim: “o que ele está tentando me comunicar com esse comportamento?”

Compreender também faz parte da terapia.

Letícia Dornelas | Fonoaudióloga
CRFa 6-9652

15/09/2026

☕ UMA XÍCARA DE DISFAGIA

Disfagia é muito mais do que simplesmente “engolir”.

Na avaliação, não quero saber apenas se o paciente tossiu, penetrou ou aspirou. Quero entender quanto, quando, por quê e em quais condições isso aconteceu.

Aspiração, isoladamente, não significa pneumonia. Engasgo também não significa que a primeira conduta seja espessar.

O sinal precisa ser interpretado.

E com os exercícios é a mesma coisa: não existe exercício apenas porque o paciente “tem disfagia”. Primeiro identificamos o déficit fisiológico, definimos o objetivo e então escolhemos a intervenção.

Disfagia envolve segurança, eficiência, respiração, cognição, nutrição, hidratação, funcionalidade e qualidade de vida.

Antes de tratar o sintoma, entenda o mecanismo.

Se esse conteúdo fez sentido para você, salve e compartilhe com quem também precisa olhar para a disfagia além do óbvio.

10/09/2026

ELIB na paralisia facial: qual é o verdadeiro objetivo?

O ELIB é uma forma de fotobiomodulação vascular realizada de maneira transcutânea sobre a região da artéria radial, com proposta de atuação sistêmica.

Na paralisia facial, ele pode ser utilizado como recurso complementar, e não como responsável direto pela recuperação do nervo facial.

O foco da reabilitação continua sendo funcional: recuperar simetria, controle e seletividade dos movimentos, reduzir compensações e prevenir ou manejar sincinesias.

Tecnologia não substitui raciocínio clínico. Cada recurso precisa ter objetivo, indicação e fazer sentido dentro de um tratamento individualizado.

08/09/2026

Só emoção hoje🗣️😭♥️🥹. Vou contar um pouquinho da nossa história…

Comecei a atendê-la após um AVC isquêmico extenso no hemisfério esquerdo, com acometimento frontoparietal, temporal e insular. Ela não emitia nenhum som de fala.

Ao longo de 15 sessões de fonoterapia, cada pequena conquista foi comemorada. Primeiro vieram alguns sons. Depois, novas tentativas e novas possibilidades de produção.

E hje aconteceu isso.

Pela primeira vez, ela falou uma frase. E falou o próprio nome.

Ela se emocionou. Nós também, né! Como não chorar junto?!

São momentos assim que fazem cada hora de estudo, cada planejamento e cada escolha terapêutica valerem a pena.

O processo vem sendo conduzido de forma individualizada, com terapia fonoaudiológica convencional e recursos complementares, como ELIB e tDCS, sempre associados ao raciocínio clínico e aos objetivos terapêuticos.

Na reabilitação neurológica, cada cérebro tem seu tempo. Cada paciente responde de uma forma. E cada pequena evolução pode representar uma conquista imensa.

Ainda estamos no início desse processo e temos um longo caminho pela frente.

Mas hoje é dia de celebrar.

Pq voltar a falar o próprio nome não é apenas produzir uma palavra.

É identidade. É autonomia. É história.

E hjee foi só emoção.

03/09/2026

Algumas situações acontecem com muita frequência no atendimento domiciliar, mas quase nunca aparecem nas redes sociais.

Por trás de cada atendimento, existem imprevistos, desafios, decisões difíceis, responsabilidade e muito envolvimento emocional.

Nem tudo cabe em uma foto bonita.

Me conta: alguma dessas situações já aconteceu com você? O que também faz parte do seu atendimento domiciliar, mas você não posta?

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