09/10/2026
Capoeira, política e Eu.
Morar fora do Brasil não me retira o direito, nem a responsabilidade, de me preocupar com o país. Minha família vive no Brasil, é negra como eu, e as decisões políticas tomadas aí têm consequências reais sobre a vida de quem eu amo.
Defender a democracia não significa fazer culto a político. Significa ter o direito de criticar governos, cobrar, discordar, votar livremente e, principalmente, reconhecer quando valores democráticos estão sendo ameaçados. Eu tenho lado quando a escolha é entre democracia e autoritarismo. Ao fascismo, eu digo não.
Brasileiros deixam o país há décadas, sob diferentes governos, por trabalho, estudo, segurança ou melhores oportunidades. Morar fora não apaga nossas raízes, nossa história nem o compromisso com quem ficou.
Como capoeirista negro, sei de onde venho. A capoeira não nasceu do silêncio. Nasceu da resistência de pessoas que tiveram sua liberdade, sua dignidade e até sua humanidade negadas.
Estamos diante de um segundo turno. Este não é o momento para indiferença. Informe-se, reflita, questione e vote com consciência. Não permita que o medo, o ódio, a desinformação ou o fanatismo decidam por você.
Pense no Brasil que queremos deixar para nossos filhos. Pense em quem mais sofre quando direitos são atacados. Pense na população negra, nas mulheres, nos trabalhadores, nas crianças, nos mais vulneráveis e em todos aqueles que dependem de uma democracia forte para terem voz.
Eu não faço culto a políticos. Políticos passam. Princípios permanecem. Posso cobrar e criticar qualquer governo, mas existem coisas que não estão em negociação: democracia, dignidade, direitos e liberdade.
Neste segundo turno, participe. Vote. Faça sua escolha. Não se cale.
A democracia precisa de pessoas dispostas a defendê-la.
Eu escolhi não me calar.
Ao fascismo, digo NÃO.