Caminhos do Padawan

Caminhos do Padawan Algumas pequenas aventuras de um Padawan que anseia ser um Mestre :)

Os anos passam e nada muda...
16/09/2024

Os anos passam e nada muda...

Um orgulho!!!! Espero também festejar os 50 assim 😊
06/09/2024

Um orgulho!!!!
Espero também festejar os 50 assim 😊

De Vila Nova de Gaia, o Fernando concluiu a aventura pela Mítica Estrada Nacional 2, em 🚴 , com sucesso ✅.
Onde? No claro 😁.
Obrigado amigo pelos simpáticos momentos partilhados.
Boa continuação e até breve ✌️

www.temploN2.pt/certif**ado

23/07/2024

De oporto ha Santiago en 24horas hay que estar locos

Drave 2Caía a noite e eu sentava-me no cadeirão junto à lareira a beber um wh**ky (sim, na lareira em pleno agosto, a hi...
17/08/2023

Drave 2

Caía a noite e eu sentava-me no cadeirão junto à lareira a beber um wh**ky (sim, na lareira em pleno agosto, a história é minha e eu faço o que quiser).

Começo a contar as aventuras passadas com o Jorge Silva, quando começo a ouvir uns risinhos, era a minha excelsa esposa.

Levanto-me, e zangado pergunto qual a razão de tal risinho mordaz.

Com um tom anafado diz que o Jorge não existe e é tudo fruto da minha imaginação.

Irado, falo-lhe da nossa última ida a Santiago de Compostela há 2 anos e de todas as peripécias,
mas ela não acredita e diz-me para lhe ligar, mas de certeza que não atende, porque não existe.

Salto do cadeirão e marco o número no telefone.

Sim Jorge, tudo bem pá, olha podíamos marcar uma saída de bike, olha podíamos ir a Drave,
porque da última vez não levei calções extra para tomar banho nas lagoas.

Do outro lado ouço um pi pi pi pi.

Com um sorriso tímido digo que devem ser problemas da linha e do nada ela transforma-se.

Sabes, estou farto das tuas histórias, por isso no Domingo vais a Drave, não és obrigado, mas tu
é que sabes, ou isso ou mando-te internar, precisas de expurgar esses demónios.

Estava mais que visto que não tinha escolha, teria de me pôr a caminho.

Domingo de manhã parto do parque de campismo de Merujal em direção a Drave e será sempre a descer até Póvoa das Leiras, não me aventurando nos trilhos porque a dor nas costas não o permitia e a pedaleira começava a ranger desalmadamente.

Em Póvoa das Leiras começo a subir em direção à Fraginha e uma senhora diz-me que vou ter muito que sofrer, e digo-lhe que faz parte da minha penitência e subo calmamente, sempre a dizer em alta voz:

O JORGE NÃO EXISTE!!! O JORGE NÃO EXISTE!!! O JORGE NÃO EXISTE!!!

E realmente era muito estranho ele não aceitar os últimos convites.

Aproveito para observar a paisagem, porque a descida a Drave também é muito penosa, sempre
com cuidado para não aquecer demasiado os travões, nem sofrer uma queda penhasco abaixo.

Desta vez trago umas sapatilhas na mochila para poder calcorrear o chão xistoso de Drave.

O som da música já se fazia ouvir, os escuteiros entoavam cânticos e as pessoas vindas de todo
o lado já se juntavam em redor da pequeníssima capela.

Tinha chegado a tempo da eucaristia que se realiza todos os anos a 15 de agosto.

Começa a eucaristia e os sons das canções dos escuteiros ecoam através das montanhas, a aldeia desabitada ganha vida e a procissão abeira-se do alto da cruz da aldeia e a fila ainda não tinha terminado de sair da capela, originando um pequeno engarrafamento.

Estava cumprida a minha penitência, mas teria de ir à lagoa de Drave banhar-me debaixo de um
sol que começava a f**ar mais forte. Um mergulho e sentia-me limpo de todos os pensamentos.

Desço da montanha e encontro um mar de gente a almoçar, oferecem-me comida, mas digo que estou em jejum, que faz parte da penitência, mas aqueles panados, rissóis, vinho e outras iguarias, quase me tentavam, mas fui forte e segui rumo a Regoufe.

A partir daí teria de subir ao Portal do Inferno, e agora sei porque se chama assim, a subida seria
a pior e olhando para cima, apetecia voltar para trás, mas ouvia uma voz que me impelia a escalar.

Lá em cima deslumbro a mais fantástica visão da natureza e do inferno, numa visão aterradora.

A seguir será a descer, mas mais adiante espera-me o monte de São Macário e seria mais uma subida, sem água, exausto, mas a recompensa chegaria com uma bica de água lá no alto.

A hora já se adiantava e seria mais que hora de regressar, parto em direção à fraguinha quase
sempre a subir e decido virar à esquerda em direção à mina das chãs, na esperança que depois a subida fosse menos acentuada que pelo Candal, mas seria uma subida longa e penosa, pensando que a minha penitência estaria a terminar, mas não, no final da subida avisto uma matilha de cães vadios e caio prostrado por terra.

A solução seria voltar para trás e rodear pela via romana de Gestoso, o que implicaria nova
subida.

Já não aguentava mais, por isso teria de enfrentar a minha última provação e enfrentar os cães, com berros à mistura montado no meu cavalo de ferro, vejo algumas orelhas afiadas, incrédulas, rodeando-me com os seus corpos raquíticos e esfomeados, lançando latidos ensurdecedores.

Uma última pedalada vigorosa e respirava de alívio, estava cumprida a minha penitência, nunca
mais iria acreditar que o Jorge existe.

Chego a casa, as minhas filhas abraçam-me como se eu fosse um homem novo e a minha esposa
chama por mim:

- Tens uma chamada do Jorge.

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Drave Montanhas Mágicas On-One Bikes

Já há muito tinha pensado ir a Drave, e surgia uma oportunidade para ir lá. Convite feito ao Jorge Silva  para me acompa...
12/05/2023

Já há muito tinha pensado ir a Drave, e surgia uma oportunidade para ir lá. Convite feito ao Jorge Silva para me acompanhar e muito subtilmente arranja uma atividade mais soft para fugir ao empeno.
Sozinho era muito arriscado, mas decido pegar num percurso que encontrei e faço algumas
alterações e decido fazer em sentido contrário para apanhar a subida no final.
Parto do parque de campismo de Merujal em direção à frecha da Mizarela para admirar a
imponente cascata. Mais à frente apanho a antiga via Romana que ligava o Porto a Viseu, acabando no que resta da calçada em Gestoso. O atalho que ia apanhar em Gestoso está fechado com um portão e na busca de outro caminho, encontro um cão com cara de poucos amigos que decide perseguir-me, e quando está prestes a apanhar-me, por fim deve ter-se cansado e desiste.
Refeito do susto sigo pela estrada até Gestosinho onde iria apanhar um caminho muito técnico
sempre a descer até Bondança. A partir daí começaria o primeiro calvário em direção às eólicas com passagem pela antiga mina das chãs. Passo pelo baloiço da serra da Arada e entro noutro caminho cheio de pedra. Fico sem pilhas no GPS e quando vou à mochila buscar as suplentes, não encontro. Sigo em modo farejador e alcanço o caminho para Drave. Sempre a descer, e quando avisto Drave, penso em como foi possível viver num local destes, a pedra irregular impera e o caminho faz-se a pé com cuidado. Com o calor que estava seria bom ir a uma cascata tomar banho, mas tinha-me esquecido dos calções. Até Regoufe é sempre a subir durante 4 Kms com a bicicleta quase sempre à mão. Na parte final uma descida cheia de pedra afiada pronta a rasgar um pneu. Enfim encontro um café para repor energias e voltar a subir para descer
vertiginosamente até Covelo de Paivó. A partir daí, apanho a subida final de 20 Kms junto à ribeira de Paivó em direção ao Candal, continuado serra acima até ao destino final, resmungando entre dentes comigo próprio por me ter sujeitado a tamanho empeno. Foram 75 Kms e 2200 metros de acumulado, que valeram a pena pelas paisagens, pelos trilhos e pela visita a Drave.

Trilhos das Amendoeiras em Flôr em BTTDurante umas pesquisas, surgem umas imagens dos Trilhos das Amendoeiras em Flôr em...
10/03/2023

Trilhos das Amendoeiras em Flôr em BTT

Durante umas pesquisas, surgem umas imagens dos Trilhos das Amendoeiras em Flôr em BTT, em Figueira de Castelo Rodrigo. Começo logo a investigar e as imagens de eventos anteriores eram fantásticas. Consultada a minha excelsa esposa, recebo "carta de alforria". Fico logo a pensar que seria uma rasteira, pois ela deve ter-se apercebido do empeno que seria.

Tinha de arranjar maneira de distribuir o esforço e ligo para o Jorge Silva. Ele tinha programado para esse fim de semana uma saída romântica mas, perante a minha insistência, acho que se deve ter chateado com a sua amada e liga-me, todo emocionado, a dizer que ia.

Saltei de alegria! Disse-lhe que íamos de comboio no dia anterior e ficávamos lá hospedados. Ouço um suspiro do outro lado, parecido com o de um moribundo. Acho que se lembrou da nossa aventura pela Nacional 222, em que tivemos de arranjar s**os para embalar a bicicleta e ele deambulou pelo Pinhão em busca de uma farmácia para comprar "pomada acalma-nádegas".

— Não seria igual — disse-lhe eu — agora dá para levar as bicicletas e são só 70 km, mais a viagem até lá de 50 km para cada lado.
Ele desligou-me o telefone.

No sábado, encontro o Jorge à hora marcada na estação de Campanhã. Vamos comprar os bilhetes e o funcionário diz que temos de pagar ao revisor, porque não sabe se há lugares para as bicicletas. O Jorge f**a amarelo e começa a barafustar:
— Vamos ter de arranjar s**os de plástico outra vez?

Esperamos ansiosamente pelo comboio. Para nossa surpresa, tinha uma carruagem com lugar para 12 bicicletas! Pela primeira vez soltamos um largo sorriso e fomos todo contentes em direção ao Pocinho.

Chegados ao Pocinho, toca a aquecer na longa subida até Foz Côa e numa longa descida até ao rio. A partir daí seria sempre a subir. Passámos Castelo Melhor e a imagem era linda com o sol a pôr-se. Apetecia-me ir lá, mas o olhar do Jorge fez-me desistir da ideia. Finalmente em Almendra, encontramos a placa do fim da N222. Tiramos a foto da praxe e, de certa forma, cumprimos a parte que faltou fazer na aventura anterior.

Entrámos em Almendra já de noite. A partir daí, encontrámos uma estrada sem iluminação e um frio gelado que não nos largaria os pés. Entrámos em Vale de Amargo, ansiosos por chegar ao destino, quando avistámos um café. O Jorge pára, abeira-se da janela e, aos saltos, grita que está aberto!

Entramos e olham para nós com surpresa. Pedimos uma cerveja e um Chipicao para nos dar forças para enfrentar a noite. Zarpamos, passamos Figueira de Castelo Rodrigo e vamos em direção a Vilar Torpim, onde consegui marcar estadia.

Avistada a albergaria, entrámos no café por baixo. Olhámos para a lareira, meios moribundos e sem sentir os pés. Fomos deixar as coisas ao quarto e descemos logo para colocar os pés junto ao lume, a ver o jogo Chaves – Porto. Não reagíamos aos golos, porque o dono era adepto do Chaves. Por incrível que pareça, os pés não aqueceram; mesmo na cama, só a meio da noite sentiria algum calor.

De manhã, acordamos com chuva. O Jorge só dizia que queria ir embora e barafustou o caminho todo até Figueira de Castelo Rodrigo. Chegados lá, fomos aconchegar o estômago e levantar o dorsal.

Partimos em direção ao Castelo e era sempre a subir. Depois, direção à Marofa: mais subida. A última parte foi feita quase toda à mão, tal era a inclinação e a abundância de pedra. Ao lado, um senhor a arfar queixava-se:
— Em 6 km já tenho 500 metros de acumulado!

A partir daí foram trilhos técnicos, lama e chuva intensa. Ainda avistámos um casal que tinha vindo de Lisboa; ficámos espantados com tal devoção. No abastecimento, havia uma lareira acesa e aproveitámos para aquecer os pés.

Informaram-nos que, devido ao mau tempo, não seria possível fazer os 70 km; teríamos de f**ar pelos 35 km. O olhar de alívio do Jorge dizia tudo. Infelizmente, não passaríamos na ponte de comboio junto ao Douro nem veríamos as amendoeiras em flôr de Barca de Alva. F**a para o ano.

Quando encontrámos a estrada nacional, o Jorge queria ir direto para o Pocinho; recusava-se a terminar a prova para não ter de fazer mais quilómetros de regresso. Um senhor da organização, sabendo que íamos para o Porto, insistiu para irmos comer as migas de peixe e o porco no espeto, prometendo boleia no final. Não conseguimos dizer que não. Depois de um banho e de uma excelente confraternização, fomos levados ao comboio.

Lá partimos em direção ao pôr-do-sol. No comboio, fico desconfiado por o revisor não pedir o dinheiro do bilhete ao Jorge…

Afinal, o Jorge não tinha vindo.

Chorei baixinho. Só o abraço das "pestinhas" que me esperavam ansiosamente em casa me fez aquecer o coração.






life is too short
21/10/2021

life is too short

TikTok: Make Every Second Count

Como no fim-de-semana anterior estava a chover, adiamos a ida a Santiago pela costa para os dias 9, 10 e 11 de outubro. ...
21/10/2021

Como no fim-de-semana anterior estava a chover, adiamos a ida a Santiago pela costa para os dias 9, 10 e 11 de outubro. No dia anterior da partida, à noite, ligo para o Jorge para confirmar se sempre vai, apanhei-o ocupadíssimo a tentar cortar a escova de dentes…o quê??? Disse-lhe para chegar cedo e despedi-me com a impressão que as minhas brincadeiras tinham causado mossa. Cortar a escova, fez-me lembrar o Mr. Bean e imaginava-o a fazer o mesmo. No outro dia aparece cedinho e lá partimos, na zona a seguir à Póvoa de Varzim distrai-se, olha para o lado e quando olha para a frente trava de repente evitando de se espetar contra uma floreira gigante. A roda da frente estancou e vejo o Jorge, tipo Matrix a saltar por cima da floreira e cair de costas. Eu travo o mais rápido que posso, s**o do telemóvel, mas ele ainda mais rápido perante uma plateia sentada na esplanada, levanta-se e não consigo tirar a foto. Resmunguei com ele e pensei que uma câmara para filmar teria sido o ideal. O rapaz estava bem, rasgou um pouco a mochila, mas a co**ha de Santiago tinha-se aguentado bem. Lá continuamos o caminho comigo a pensar se a coisa tivesse corrido mal teria de levar as 2 bikes de transporte público, que canseira que ia ser. Seguimos em direção a Viana do Castelo e paramos numa versão do Natário sem fila para comer a bola de Berlim, mas pareceu-me uma bola igual às outras, polvilhada com canela. A partir daí o caminho deixa a costa e segue por um misto de caminhos de paralelo e trilhos fabulosos com muita pedra, muito bonitos. O Jorge passava o tempo a parar para subir o espigão do selim e apertar o chouriço que levava no selim e eu achava que tinha os alforges com excesso de peso, devia ter cortado a escova de dentes, teria feito toda a diferença . Chegamos a Vila Praia de Âncora e a partir daí seguimos junto ao mar, com bastante nevoeiro e penso se conseguiremos passar o rio Minho de barco. Decido acelerar, pois tinha como objetivo chegar a Vigo. Olho para trás e vejo o vulto de um senhor idoso numa bicicleta, não, afinal era o Jorge mais morto que vivo, desmoralizado com a minha investida. Chegados ao barco o senhor diz que pode levar-nos, entretanto chegam 2 ciclistas que dizem que junto ao Ferry Boat o senhor do barco estava com medo de passar. Lá passamos os 4 com as bicicletas e parecia que estávamos nos fuzileiros, a picar as ondas e a água e entrar, mas lá conseguimos chegar à outra margem e saímos diretamente na praia. Olho para o relógio e vejo que são 3 horas e digo para nos apressarmos para chegarmos a Vigo. O Jorge diz que já são 4 horas em Espanha e que o rabo estava a acusar os Kms. Contrafeito aceito f**armos no albergue de A Guarda, éramos os primeiros a chegar e só apareceriam mais 2 peregrinos a pé, o fim-de-semana passado tinha enchido, mas este estava mais calmo. Lá seguimos para uma visita à cidade e sua fortaleza e seguimos em busca de local para jantar, um hambúrguer com batatas acompanhado de uma estrela Galícia.
No outro dia acordamos cedo e fartos de esperar pela luz do dia, partimos, e ao raiar do dia paramos na esplanada do Horizonte que estava a abrir, para um cafezinho. Lá seguimos e antes de Bayona o caminho segue pelas montanhas acima ou pela estrada numa versão mais soft. Decidimos subir e viria a tornar-se o melhor local do caminho para mim, aquela subida não tinha fim e consegui fazer tudo sem desmontar, estava orgulhoso, depois trilhos de pedra que me deixaram com um sorriso de orelha a orelha, mas o pior estava para vir, a travessia de Vigo, diversos relatos e até o senhor do barco diziam que o melhor era junto à costa, um inferno atravessar aquela cidade, mal sinalizada. Penso que o caminho mais interior será mais agradável. No final da cidade subimos e subimos outra vez, aí tive de desmontar e já estava um pouco cansado, mas no final encontrámos um caminho em terra muito agradável, onde o Jorge pôde pôr em prática a sua veia escutista e ajudar uma senhora que se tinha magoado, com betadine. O Homem tinha tudo. Em Redondela apanhamos o caminho central e seguimos até Pontevedra. A minha ideia era fazer o caminho espiritual, uma versão muito bonita que passa na ria de Arousa, mas o caminho aparentava ser duro, por isso já tinha desistido da ideia com medo de me atrasar na chegada a Santiago. F**amos no albergue de Pontevedra e não seguimos com receio de não ter lugar no albergue seguinte, andava muita gente naquela parte do caminho, porque no dia seguinte era feriado em Espanha. Com os supermercados fechados ao domingo, lá tivemos de jantar fora outra vez e conhecer um pouco a cidade. O Jorge aproveitou para ir a uma farmácia comprar halibute e a menina com pena do estado deplorável dele, ofereceu-lhe uma amostra de um creme.
Essa noite dormi maravilhosamente, o que signif**ava algum cansaço. Partimos e a partir daí encontraríamos muita gente no caminho, grupos e até cavalos, o que dificultava a nossa passagem, mas dava para observar a beleza do caminho. Na interseção do caminho central com a variante espiritual, despeço-me do Jorge e viro à esquerda, seguindo ele pela direita. Passado um pouco volto para trás e encontro-o no final de uma subida, sentado, fizemos as pazes e eu meio lacrimejante desisto em definitivo da alternativa com que sonhava dias antes. O resto do caminho ainda nos reserva algumas partes duras, mas lá chegamos ao fim. Tiramos um ticket para levantar a Compostela e fomos almoçar enquanto esperávamos pela nossa vez. Quando estava quase a ir buscar a Compostela recebo um email da Flixbus a dizer que não seria possível levar as bicicletas, ma***to email, fiquei stressado, levantei a Compostela e partimos depressa para a estação para perceber o que podíamos fazer, tínhamos de regressar a casa. No balcão dizem que podemos levar as bikes embaladas, mas o nosso receio era que aparecessem muitas bicicletas e o motorista não deixasse embarcar. Lá embalamos as bicicletas e esperamos ansiosamente, eu afogando o stress com uma cerveja, e a pensar o que iríamos fazer. O autocarro chega e pegámos nas embalagens e atiramos para a bagageira, o motorista vê e pergunta se temos bilhete para as bikes, lá explico que não dá para comprar no site e que temos de pagar a ele. Lá nos deixa seguir e respiramos de alívio. Como é possível não permitirem o transporte de bicicletas em Santiago, só a partir de Vigo, não entendo.
Chegamos a Vila Nova de Gaia, junto ao metro e vamos até General Torres, tendo de esperar pelo comboio que nos levaria até minha casa. Uma longa espera e o Jorge desesperava e pela milionésima vez dizia que queria um táxi, mas lá fomos no último comboio. Ele ainda tem uma viagem de 50 Kms até casa de carro. Obrigado Jorge, pela paciência em me aturar, foi um prazer pedalar contigo!
Adorei a “Peregrinação” e no outro dia digo ao Jorge para treinar que para o ano vamos fazer o Caminho Primitivo. Ele achou que eu era maluco, ainda o rabo não se refez desta aventura e já falo noutra, e logo o caminho mais difícil?
Como dizia um colega com quem tive o prazer de pedalar e que já nos deixou,

“É sempre a descer até lá acima!”

Nacional 222Dia 3 de junho 2021 eu e o Jorge partimos em direção ao Km 0 em Gaia para percorrer a nacional 222, com o so...
30/06/2021

Nacional 222

Dia 3 de junho 2021 eu e o Jorge partimos em direção ao Km 0 em Gaia para percorrer a nacional 222, com o sol no horizonte…não, espera, esqueci-me das luvas em cima do marco Km 0, tenho de voltar para trás sob o olhar atento de uma senhora idosa com o seu olhar reprovador. Agora sim, de luvas postas sinto-me um motoqueiro, o problema é que vim de bicicleta de estrada e para primeira experiencia, já adivinhava que ia doer. Poucos kms depois a primeira paragem para o pequeno-almoço, uma cola e um croissant para ver se a coisa animava, e animou, começaram a aparecer subidas e mais subidas, ufa, só me apetecia voltar para trás, mas a estadia já estava paga, por isso até ao Pinhão teríamos de ir. Perto de Castelo de Paiva entramos numa espécie de auto-estrada, mas como dizia N222 lá seguimos, e quando aquilo parecia uma parede, já era tarde, o GPS acusava uma linha à esquerda e só em casa vi que afinal havia um desvio mais agradável, mas a descida compensou, ou não. Até Peso da Régua foi um sobe e desce constante, só amenizado com uma cerveja em Caldas de Aregos com vista sobre o Douro. Chegamos a Peso da Régua, fotografia da praxe na ponte e apanhámos a estrada mais bonita do mundo até ao Pinhão com o Douro pela esquerda e de tão bonito que era que nunca mais lá chegávamos, os kms eram cada vez mais, e mais e mais, que até as placas aumentavam os Kms.
Estava à espera de mais no Pinhão, mas talvez também devido ao Covid, parecia um pouco abandonado. Chegados à casa que tinha alugado, o Jorge vê que os 160 Kms fizeram mossa, a farmácia estava fechada e não dava para comprar hirudoid para amenizar o tempo passado em cima do selim. Jantamos e fomos apreciar a paisagem do Douro na esplanada da casa. Lá no alto avista-se uma luz, a casa redonda na quinta das Carvalhas, apetecia ir lá, mas as pernas não permitem.
No outro dia temia que tivéssemos de apanhar o comboio, mas a custo lá fomos em direção a Espanha, e começa a subida, são cerca de 20 Kms sempre a subir e sempre com o pensamento em voltar para trás, mas as vistas das vinhas e do rio Douro eram o melhor que tinha aparecido e com algum custo lá chegamos ao cimo, passamos por São João da Pesqueira e tiramos uma foto ao lado de um mapa que indicava o fim da N222 em Fôz Côa e o Jorge dizia pela milionésima vez que não ia até Almendra. Eu, no gozo, dizia-lhe para ter calma que lá chegaríamos. Acho que ficou zangado e lá seguimos até Vale da Teja, onde paramos para comer alguma coisa, na falta de bolos fui para uma fatia de pudim e um Porto, melhor não podia haver e mais uma boca que agora já tínhamos energia para chegar a Almendra. Mais umas subidas e uma descida longa em direção ao museu do Côa. Uauuu que paisagem fantástica, apetecia-me f**ar ali a desfrutar da paisagem, mas estava na hora de almoçar e toca a arranjar um restaurante, onde aparece um rapaz que estava a fazer o Portugal Divide e no dia anterior tinha feito 300 Kms e ia em direção a Faro. Que maluco!
Decidimos que seria melhor f**ar por ali e irmos apanhar o comboio no Pocinho mais cedo para chegar a casa a tempo do jantar. Como só o comboio do final da tarde permitia transportar as bicicletas, tivemos de improvisar e arranjar uns s**os do lixo para poder disfarçar as bicicletas. Uma estupidez porque havia muito espaço, mais uma medida tomada por quem não anda de comboio e não conhece a realidade. Ainda bem que fomos mais cedo porque as paisagens são fabulosas.

Uma voltinha debaixo de chuva e vento com uma queda quase a chegar a casa. Piso molhado com uma tentativa de arrepiar ca...
10/05/2021

Uma voltinha debaixo de chuva e vento com uma queda quase a chegar a casa. Piso molhado com uma tentativa de arrepiar caminho pelo passeio, fizeram-me cair e derrapar juntamente com a bicicleta. Mal vi que apenas tinha uns arranhões, esbocei um sorriso, sentia-me uma criança, e isso é o que nos mantém vivos 😁.

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