Forte da Graça ou Forte de Lippe

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Forte da Graça ou Forte de Lippe Esta página pretende reunir toda a informação disponível sobre o Forte da Graça ou Forte de Lippe e sobre a nossa querida Cidade de Elvas.

Esta página mostra-nos a história do Forte da Graça/Forte de Lippe. O seu planeamento, a sua construção, a sua utilização, o seu declínio e finalmente o seu "renascimento" . Todas as fotos aqui publicadas podem ser usadas livremente desde que contenham a referência do autor. As mesmas estão proibidas de serem utilizadas para fins comerciais sem um prévio acordo com o autor.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 7O Tenente Seixas - Ou ser-se preso por uma acção humanitária. O T...
24/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 7
O Tenente Seixas - Ou ser-se preso por uma acção humanitária.
O Tenente Seixas, Guarda Fiscal, foi destacado, em Março de 1932, da secção do Gerês para o Batalhão n.º 2 da Guarda Fiscal da secção de Safara. O território que era comandado pelo Tenente Seixas ia, de Norte a Sul, de Moura a Vila Verde de F**alho e tinha como centro a vila de Barrancos. Nessa altura, existiam postos de vigilância nas Russianas, Tomina, Santo Aleixo da Restauração, Sobral da Adiça, Choças e Safara.
Com a Guerra Civil Espanhola, centenas de pessoas ficaram sem saber o que fazer, nem para onde ir, passando assim a refugiar-se em Portugal. O Tenente Seixas acolheu estes refugiados na Herdade da Coitadinha onde, em 1936, pernoitavam 340 refugiados oriundos de Jerez de los Caballeros, 294 de Oliva e 68 de Villanueva del Fresno.
Contrariando o sub-director da Policia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), que queria expulsar os refugiados, o Tenente Seixas desdobrou-se em diligências junto da hierarquia militar e conseguiu “legalizar” o campo de refugiados da Herdade da Coitadinha e criou um outro campo, clandestino, na Choça do Sardinheiro, junto ao Posto Fiscal das Russianas, onde acolheu perto de 300 pessoas.
Fortemente criticado pelas forças no terreno, em especial pela PVDE, devido à posição que tomou em defesa dos refugiados, o Tenente Seixas foi alvo de uma investigação sobre a sua actuação e, no dia 4 de Novembro de 1936, foi acusado de ocultar a existência do campo de refugiados. Sendo assim condenado a dois meses de prisão no Forte da Graça, em Elvas, passando de seguida à reforma antecipada.
Contudo, passado algum tempo, com a ajuda de um prestigiado advogado, Leal Marques, o Tenente Seixas conseguiu ser reintegrado na Guarda Fiscal e passou a comandar a secção de Sines, recebendo as devidas indemnizações.
Em Oliva de la Frontera, Badajoz, erigiram um monumento em sua homenagem e os Correos de España lançaram um selo postal onde aparece o Tenente fardado de oficial da Guarda Fiscal com a seguinte legenda “Teniente Seixas – El Schindler de La Raia”.
O MEU PAI JUSTIFICOU-SE PERANTE O SEU SUPERIOR. ALEGOU QUE TAMBÉM ELE TINHA FILHOS... QUE NÃO GOSTARIA, NEM PODERIA ADMITIR QUE LHOS MALTRATASSEM. LHE PARECIA SER DEVER DELE, TENDO À SUA GUARDA FILHOS DE ESPANHA, ESTIMÁ-LOS COMO ERA DEVIDO, POIS SÓ ASSIM PODERIA HONRAR O OIRO DOS SEUS GALÕES.
E QUE SOUBESSEM OS SEUS CAMARADAS QUE, LÁ PORQUE SE CHAMAVA SEIXAS, ELE NÃO TINHA UM SEIXO NO LUGAR DO CORAÇÃO.
Gentil Valadares (filho)
Inscrição que consta no monumento erigido em Oliva de la Frontera, Espanha

18/10/2026

O Cante Alentejano.
Ontem no Forte da Graça.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 6João José Sinel de CordesJoão José Sinel de Cordes nasceu em Barc...
18/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 6
João José Sinel de Cordes
João José Sinel de Cordes nasceu em Barcarena, a 18 de Agosto de 1867, e veio a falecer em Lisboa no dia 29 de Janeiro de 1930.
Era filho de Baltazar António Sinel de Cordes (oficial do Exército) e de Mariana Clementina Braamcamp Ludovice da Gama, era irmão de José Maria Sinel de Cordes e Maria Conceição Sinel de Cordes.
João José Sinel de Cordes não deixou descendentes.
O General João José Sinel de Cordes foi Chefe de Estado-Maior General do Exército entre 1926 e 1928 e Ministro das Finanças em 1928.
Alistando-se, em 1883, no Regimento 2 (Caçadores da Rainha), frequentou, nos anos seguintes, o curso de Cavalaria da Escola do Exército, pelo que obteve, em 1890, a primeira promoção da sua carreira, que culminaria com a obtenção do posto de general, em 1926.
Ao serviço do Exército desempenhou diversos lugares e funções, como o de ajudante-de-campo do general-comandante do Grupo do Estado-Maior (1896), chefe da Repartição do Recrutamento e Reserva (1906), chefe do Estado--Maior da 4.ª Divisão do Exército (1913), comandante do Regimento de Infantaria 12 (1913), instrutor da Escola Central de Oficiais (1914 1915), comandante do Regimento de Cavalaria 5 (1915), chefe do Estado-Maior da 1.ª Divisão do Exército (desde 1916), chefe do Estado-Maior do Corpo Expedicionário Português (1917-1919), quartel-mestre-general (1921),
O general João José Sinel de Cordes foi director da Aeronáutica Militar (1929), presidente do Conselho Superior de Disciplina do Exército e vice-presidente do Conselho do Ar, havendo ainda participado em várias comissões. No plano da administração civil, foi vice-governador do Banco Nacional Ultramarino, por parte do Estado.
O seu historial político remonta aos tempos da Monarquia, regime pelo qual nutria simpatias, quando, em 1899 e 1900, foi eleito deputado.
Passando despercebido durante os primeiros anos da República, ganha destaque quando é acusado de ter atrasado o embarque das tropas portuguesas estacionadas na Flandres, no período em que exercia o lugar de chefe do Estado-Maior do Corpo Expedicionário Português, com a suposta intenção de dificultar o combate das forças republicanas à Monarquia do Norte.
Envolvido em planos putschistas desde, pelo menos, 1923, protagoniza o movimento militar de 18 de Abril de 1925, no decurso do qual tentou negociar a substituição do Governo de então por um outro presidido por Filomeno da Câmara e onde figurava como ministro da Guerra. Malograda essa tentativa, é durante a sua prisão no Forte da Graça, em Elvas, onde esperava julgamento com a acusação de crime de rebelião, que elabora o movimento militar de 26 de Maio de 1926, embora nunca apareça a chefiá-lo.
Mantendo, no entanto, uma posição de grande influência, estará na origem da deposição dos dois primeiros chefes de governo da Ditadura Militar, José Mendes Cabeçadas e António Gomes da Costa, e da nomeação do executivo chefiado por Óscar Fragoso Carmona, em que assume, ele próprio, a pasta das Finanças.
À frente deste ministério, que dirigiu entre 9 de Julho de 1926 e 18 de Abril de 1928, com algumas interrupções, tenta obter um empréstimo externo de 12 milhões de libras, sem o qual, dizia, nunca conseguiria o equilíbrio financeiro e a estabilização monetária do País.
No entanto, como a concessão do empréstimo dependia da aprovação da Sociedade das Nações, os republicanos exilados mobilizaram-se para influenciar negativamente a decisão desta, conseguindo-o, pois o empréstimo passou a depender da satisfação de quesitos políticos e de condições consideradas vexatórias.
Face a isto, o Governo, numa manobra que também serviu de resposta à oposição, recusou o empréstimo em Março de 1928, o que lhe valeu o apoio exaltado da Nação. As suas opções político-financeiras não deixariam, todavia, de se traduzir num desaire, pelo que é afastado da governação em 18 de Abril de 1928, vindo a falecer pouco depois em 1930.
A Recordar:
João José Sinel de Cordes foi um bracarense de algum modo empenhado, vindo mesmo a apoiar, naquela época, diversas iniciativas de carácter social, na ajuda a pessoas menos favorecidos da freguesia em particular de Barcarena e Leceia.
A revolução, aliada com o extremismo e o revanchismo político do pós 25 de Abril de 1974, varreram completamente da história a memória deste filho de Barcarena (e deste português, homem de Estado). Retirando-lhe mesmo o seu nome das ruas, de Lisboa e da principal rua de Barcarena, para nela colocar outros nomeados do novo sistema político (iludindo a história e os factos).

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 5Carlos Augusto Krusse AfflaloPreso em 30 de Julho de 1912 por sus...
12/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 5
Carlos Augusto Krusse Afflalo
Preso em 30 de Julho de 1912 por suspeitas de implicado no «complot da Serra de Monsanto». Esteve incomunicável durante 48 dias numa esquadra e no Castelo de S. Jorge de onde foi transferido para o Limoeiro e depois para o Forte da Graça em Elvas. Restituído a Liberdade após 212 dias de prisão sem culpa formada.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 4Manuel Inácio Pamplona Corte RealComo já vimos anteriormente, hou...
08/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 4
Manuel Inácio Pamplona Corte Real
Como já vimos anteriormente, houve gente importante que passou pelos calabouços do Forte da Graça. Desde um primeiro-ministro (Afonso Costa) a ministros, todos aqui vinham parar se por qualquer motivo se punham do lado errado do poder instituído. Manuel Inácio Pamplona Corte Real foi um deles e que acabou até por morrer aqui.
F**a aqui mais uma história de um prisioneiro famoso do Forte.
A 3 de Julho passam 253 anos que em 1760, nascia Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, em Angra. Este foi uma figura de proa do Liberalismo em Portugal. Descendente dos Corte Reais, foi como seus antepassados, um combatente pelos ideais em que acreditava e defendia. Figura indelével da História do nosso país.
Manuel Pamplona Corte Real era filho de André Diogo Martins Pamplona Corte Real, o 8º morgado da Casa da Salga, e de sua mulher Josefa Jacinta Merens de Távora, da família Merens, responsável pelo governo da cidade de Angra desde o início da colonização dos Açores. Pamplona Corte Real estudou em Angra, partindo depois para a Universidade de Coimbra, onde obteve o bacharelato em Matemática. Iniciando, então, uma profícua carreira militar, como cadete no Regimento de Cavalaria de Santarém, mais tarde elevado, neste mesmo regimento, a oficial.
Pamplona Corte Real tinha um forte espírito de aventura, por isso, pediu licença para abandonar o exército português e tornou-se mercenário, partindo, em 1787, para a Europa de Leste, com Gomes Freire de Andrade. O primeiro teatro de combate foi na Guerra da Crimeia, como voluntário pela Rússia de Catarina II, a Grande contra o Império Otomano. Continuando, em 1790 e 1791, às ordens da Czarina, foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Alexandre Nevsky e feito cavaleiro da Ordem de São Vladimir. Em 1791, Pamplona Corte Real regressou a Portugal, onde permaneceu por pouco tempo. A Santa Aliança (Inglaterra, Rússia, Áustria e Prússia) iniciou uma guerra contra a França, onde entretanto rebentara uma Revolução e Pamplona Corte Real alistou-se pelos aliados, comandados à época pelo Duque de York. Em 1793, participou na tomada da cidade francesa de Valenciennes.
De regresso a Portugal, Pamplona Corte Real foi chamado para ajudante general da Divisão Auxiliar Portuguesa à Coroa de Espanha na Campanha do Rossilhão (1793-1795), em que Portugal participou ao lado do país e da Inglaterra contra a França. Portugal enviou 5 400 homens, que ficaram sob o comando do tenente-general britânico John Forbes. Pamplona Corte Real foi agraciado, pelo seu brilhante desempenho, com a Granada de Ouro, com a Ordem de Cristo, recebendo ainda a grã-cruz da Ordem Militar da Torre e Espada. Foi também nomeado tenente-coronel e 2º comandante da Legião de Tropas Ligeiras.
Em 1801, Pamplona Corte Real tornou-se coronel do Regimento de Cavalaria n.º 9 e assistiu, em finais de 1807, à desmobilização do exército nacional, em virtude da I Invasão Francesa. Foi integrado na Legião Portuguesa, sob as ordens do exército francês, partindo, de imediato, para Salamanca. Deixou-nos o seu diário, infelizmente grande parte se perdeu, com as suas aventuras e desventuras ao serviço da França napoleónica.
A 1 de Agosto de 1808, Pamplona Corte Real foi nomeado Comandante dos Caçadores a Cavalo da Legião Portuguesa e a 22 de Abril de 1810 ficou encarregado de comandar uma brigada portuguesa. Tornou-se, também, Governador militar de Coimbra. Foi ainda nomeado Comandante do 2º Regimento Português da 6ª Divisão do 2º Corpo do exército francês na Rússia, tornando-se membro da Legião de Honra. Depois da queda de Napoleão continuou em França e serviu o novo Rei (Luís XVIII), que o fez barão e foi promovido a tenente-general honorário a 24 de Abril de 1822. Pamplona Corte Real entrou, deste modo, em contacto com os ideais da Revolução Francesa e tornou-se, assim, maçon.
De regresso a Portugal, onde se tornou um liberal da ala mais conservadora do vintismo, foi amnistiado pelas Cortes, iniciando a sua vida política. Foi Ministro da Guerra, depois tornou-se deputado pelo círculo eleitoral dos Açores, eleito pela Terceira, defendendo a unidade açoriana. Aproximou-se de D. João VI, regressado do Brasil, e esteve ao seu lado durante o golpe da Vilafrancada, defendendo a integridade do Rei, entrou, então, em confronto com D. Miguel. Foi, assim, feito 1º Conde de Subserra e gentil-homem da câmara de D. João VI e seu conselheiro de Estado. Nomeado, entretanto, para a pasta da Marinha e depois para Ministro assistente ao despacho. Pamplona Corte Real foi nomeado embaixador de Portugal em Espanha, entre 1825 e Abril de 1827, altura em que regressou definitivamente ao país. Contudo, em 1828, com o retorno de D. Miguel e a instauração de uma Monarquia Absolutista, Pamplona Corte Real foi preso por ordem directa do novo Rei, que se recordava da derrota na Vila-Francada. Foi guardado em isolamento na Torre de Belém, depois em São Julião da Barra, São Lourenço do Bugio e, por fim, no Forte da Graça de Elvas, onde morreu a 16 de Outubro de 1832, poucos meses depois do desembarque dos Bravos do Mindelo, que partiram da sua terra natal rumo ao Continente, em defesa do Liberalismo.
Pamplona Corte Real foi um liberal, combatente pelos seus ideais e como poucos deixou a sua marca junto dos inimigos. Após o fim da Guerra Civil (1832-1834), onde a sua facção venceu, os seus restos mortais foram trasladados para a Ermida de Santa Catarina, na freguesia dos Biscoitos, na Ilha Terceira.
Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real é um exemplo para todos os portugueses, pois foi alguém que defendeu ferozmente aquilo em que acreditava e não se deixou abater pelas conjunturas, mesmo quando se viu preso pelos inimigos, não renunciou aos seus princípios. Exemplos desses devem ser divulgados, meus compatriotas, não podemos, nem devemos deixar-nos enfraquecer pelos nossos rivais, mas “empenhar” a nossa espada e ir para a Guerra…não conseguimos ganhar todas as batalhas, mas com força, garra e princípios, venceremos as nossas guerras.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 3Afonso Costa, os Sindicatos agrícolas e o Forte da GraçaHá o velh...
03/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 3
Afonso Costa, os Sindicatos agrícolas e o Forte da Graça
Há o velho provérbio que diz “... quem com ferro mata, com ferro morre.” E este aplica-se aqui na perfeição. Como mais adiante iremos ver, Afonso Costa que mandou para o Forte da Graça trabalhadores rurais e sindicalistas durante o seu primeiro mandato como primeiro-ministro não lhe passava pela cabeça nem nos seus piores pesadelos que pouco depois seria ele também inquilino do Forte. Vejamos então.
1913 é o ano do I Governo de Afonso Costa, alcunhado pelos trabalhadores de “racha-sindicalistas”. Foi um ano de perseguições ao movimento operário, como nunca tinha acontecido desde a proclamação da República, em 1910. Em Fevereiro de 1913 estavam presos 110 trabalhadores rurais. Dezenas de sindicatos foram encerrados e mais de uma centena de sindicalistas foram encarcerados no Forte da Graça, em Elvas.
Causou-me uma certa estranheza o facto de nesta altura haver movimentos grevistas convocados pelos sindicatos em todo o mundo rural, mas não tenho notícias de tais movimentações terem chegado a Elvas
Em Junho de 1913 (época das ceifas) de novo os trabalhadores rurais alentejanos lançam-se em greve, enquanto em Lisboa era fechada a segunda “Casa Sindical”. Perante a repressão governamental e a recusa patronal a Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais prepara uma greve geral para 1913, a qual seria contra os patrões e contra o Estado: contra patrões, pela fixação de horários de trabalho e novas tabelas salariais; contra o Estado, por causa da lei sobre os terrenos incultos e o desrespeito da lei sindical. Mas a greve não vai avante, por várias razões, uma das quais era que os mais destacados sindicalistas encontravam-se presos no Forte da Graça em Elvas.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 2Saldanha Sanches Comecemos pelo último cliente VIP.Um dos “client...
02/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 2
Saldanha Sanches
Comecemos pelo último cliente VIP.
Um dos “clientes do hotel” Forte da Graça foi Saldanha Sanches já no pós 25 de Abril de 1974.
Em Junho de 1974, contestando o projecto neo colonial do então Presidente da República António Spínola, escreve no "Luta Popular" um editorial cujo título diz tudo: "Desertemos e com armas". Por tal motivo, esteve preso durante 4 meses no Forte de Elvas. Foi o primeiro preso político de esquerda após o 25 de Abril.
José Luís Saldanha Sanches (Lisboa, 11 de Março de 1944 - Lisboa, 14 de maio de 2010) foi um jurisconsulto e professor universitário português. Especialista em Direito Fiscal, leccionou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se licenciou (1980) e obteve os graus de mestre (1986) e doutor (1996) em Ciências Jurídico-Económicas. Enquanto docente foi, sucessivamente, Monitor (1979-1980), Assistente (1980-1996), Professor Auxiliar (1996-1999) e Professor Associado (a partir de 1999). Foi igualmente autor de numerosos artigos e alguns manuais e monografias, tendo-se também dedicado a questões relacionadas com a tributação do lucro das empresas. Membro do Centro de Estudos Fiscais, de 1984 a 1996, e do Conselho Nacional de Fiscalidade, de 1996 a 2000, dirigiu as revistas Fisco, de 1988 a 1998, e Fiscalidade, a partir de 2000. Nomeado por António Sousa Franco, foi representante do Ministério das Finanças na Comissão Monti, destinada à harmonização fiscal europeia, em 1996, presidente da Comissão de Estudo e Análise da Regulamentação do Processo Fiscal, em 1997, e presidente da Comissão para a Codificação dos Impostos Especiais de Consumo, em 1999. Saldanha Sanches ficou também conhecido pela sua militância no PCTP-MRPP, na década de 1970, o que o levou à prisão. Era casado com Maria José Morgado, que participou nas mesmas actividades de oposição ao Salazarismo. Em 2007 foi mandatário do candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa, António Costa. Morre em Lisboa a 14 de Maio de 2010.

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 1Na última visita nocturna que fiz ao Forte da Graça contei alguma...
01/10/2026

Histórias do Forte da Graça e de "hóspedes" famosos - 1
Na última visita nocturna que fiz ao Forte da Graça contei algumas histórias aos participantes. A partir de hoje vou contar aqui muitas histórias de que a Jóia é testemunha.
Um alho no cu
Hoje gostava de vos contar uma história desconhecida de muitos, mas que é real.
Decorriam os anos 60 fui testemunha de uma conversa entre o meu pai e um senhor que nessa altura era comandante do Hospital Militar de Elvas. Dizia então o Major Violante ao meu pai: "Começaram a aparecer presos no Forte da Graça com febres altíssimas e que eram evacuados para o Hospital Militar. A febre atingia por vezes os 42 ou 43 graus sem motivo aparente, Os médicos que então aí trabalhavam não tinha a menor ideia de que epidemia estava a assolar os presos do Forte. E o número ia aumentando. É certo que ao fim de uns dias e presumo que mesmo sem tratamento algum, a febre passava e o pessoal que estava de "baixa" lá voltava para o Forte e para o seu dia a dia."
Não me perguntem como é que se descobriu (presumo que tenham "apertado alguns), mas o que é certo é que se veio a descobrir a origem da "doença". Era tão simples como isto: introduziam um dente de alho descascado no â**s e esperavam pelo efeito.
Mais tarde veio-se a saber o porquê de tal fenómeno. O alho tem uma enzima que ao entrar na corrente sanguínea produz o chamado efeito de "febrão".
Bem, era um processo de virem passar "umas férias" ao hospital que comparando com as instalações que tinham no Forte, era um hotel de 5 estrelas.
Segundo julgo saber, durante a Guerra Colonial, o "esquema" voltou a repetir-se.

Forte da Graça - 3FORTE DE LIPPE IIIM. Valleré teve a satisfação de ouvir a el-rei D. José as mais graciosas palavras de...
16/09/2026

Forte da Graça - 3
FORTE DE LIPPE III
M. Valleré teve a satisfação de ouvir a el-rei D. José as mais graciosas palavras de aprovação, quando em Setembro de 1769 foi pessoalmente visitar o Forte de Lippe.
Também visitou esta fortaleza o príncipe de Waldeck, reputado como um dos mais esclarecidos apreciadores de semelhantes construções; e não só a achou admirável, mas não duvidou conceitua-la, segundo Link afirma , como uma obra-prima de arquitectura militar, superior a tudo quanto ele tinha visto neste género.
Visitaram o Forte de Lippe os engenheiros franceses, empregados no serviço de Inglaterra, que acompanharam o general Stewart na inspecção das fortalezas, e reconhecimento das fronteiras de Portugal.
Visitou o Forte de Lippe o célebre Maturana, brigadeiro espanhol, chefe do corpo de engenheiros em Sevilha, considerado pelos seus compatriotas como um oficial distintíssimo.
Achava-se em Badajoz, no fim do ano de 1808, quando os franceses evacuaram o Forte de Lippe. Aproveitou o ensejo de ver aquela fortaleza, que excitou sempre a curiosidade e o ciúme dos nossos vizinhos, e cuja entrada, fora até essa época vedada a todos os estrangeiros , que não estivessem ao serviço de Portugal.
Parou embevecido na contemplação deste soberbo monumento; causou-lhe tamanha admiração esta obra prima de arquitectura militar (quase que também se pode dizer obra-prima de arquitectura civil pela beleza da casa do governador), que o achou muito próprio para nele se estabelecer uma escola, onde os jovens engenheiros, depois de imbuídos nos conhecimentos teóricos, viessem adquirir os práticos; por se achar ali reunido tudo quanto havia de mais notável em fortificação, e até muitas obras, que não eram conhecidas em sistema algum, e que concorriam para que se reputasse quase inconquistavel.
Folgaríamos, que fosse adoptado o alvitre do sábio general; se fosse, não aumentariam, por ventura, as ruínas de algumas dependências do Forte de Lippe, que já eram grandes quando o visitámos. Afirmou-nos pessoa competente, que os reparos já então indispensáveis importavam em algumas dezenas de contos de réis.
A senhora D. Maria I, mais piedosa do que agradecida aos relevantes serviços do conde de Lippe, esbulhou este general da posse, em que esteve por muitos anos, da bem merecida gloria de haver dado o seu nome a este celebre monumento.
Pouco depois de haver subido ao trono ordenou, que o forte de Lippe se denominasse de Nossa Senhora da Graça, por haver existido naquele sitio com esta invocação uma ermidinha.
É certo, porém, que no povo de Elvas, e no Alentejo, onde esta fortaleza é mais conhecida, tem permanecido a denominação primitiva, reservando-se a prescrita pela rainha para a correspondência oficial entre as repartições do Estado e o governador do Forte.
F. A. Rodrigues de Gusmão.

Forte da Graça - 2FORTE DE LIPPE IIAproveitaram-se os primeiros momentos depois da paz em criar um verdadeiro exercito.O...
15/09/2026

Forte da Graça - 2
FORTE DE LIPPE II

Aproveitaram-se os primeiros momentos depois da paz em criar um verdadeiro exercito.
O conde de Lippe emendou radicalmente os defeitos da nossa antiga táctica; mudou inteiramente a nossa constituição militar, adoptando os princípios da constituição prussiana, cujo regulamento resumido nos foi dado por lei e norma; melhorou consideravelmente a nossa artilharia, e lançou também as suas vistas sobre as nossas praças de guerra.
De todos os projectos militares deste ilustre general, que entre nós chegaram a realizar-se, um dos mais dignos de seus vastos conhecimentos na arte da guerra, e mais permanente pela sua natureza, e aquele a que a nação agradecia devia, por consequência vincular o seu nome, como efectivamente vinculou, foi o forte de Lippe.
Esta fortaleza, destinada a fazer respeitável a praça de Elvas, a mais importante da província do Alentejo pela sua posição, e que sem ela seria absolutamente ineficaz para a defesa da mesma província, foi projectada por sua alteza , e a construção confiada a M. Etienne, oficial de mui distinto merecimento.
Necessitou, porém, o conde que M. Etienne lhe fosse dirigir em Alemanha a construção da fortaleza de Wilhelmstein, e para o substituir na do Forte de Lippe escolheu M.Valleré.
Era este oficial sem a mínima duvida, o mais capaz de encarregar-se desta comissão importante; e, em verdade, não só continuou a construir o Forte de Lippe, segundo os planos aprovados pelo príncipe, mas fez-lhe diversos aditamentos, que concorreram para tornar aquela fortaleza muito mais apta para o fim a que era destinada.
Quiséramos descrever estes aditamentos, que são os que mais louvam e admiram os inteligentes, e particularizar todas as belezas desta obra prima de arquitectura militar, falecem-nos, porem, as habilitações para o fazermos condignamente.
O que nos deu mais nos olhos, quando visitámos esta famosa cidadela em Junho de 1856 , foi o seu reduto acastelado, que M. Valleré colocou no centro do Forte, e construindo nele armazéns para munições de boca e de guerra; a cisterna, que fornece agua com abundância, por seis meses, a uma guarnição de seis mil homens; a igreja, cujas tribunas também são feitas para nela se pôr artilheira, que defenda as quatro portas, que para ela dão entrada; e sobre estes edifícios a casa do governador, singular pela sua bem entendida arquitectura, e pelo gosto e riqueza dos estuques, que adornam o seu interior.
Do cabedal que se dependeu com esta obra magnifica, nos deixou miúda informação a douta filha de quem a dirigiu, D. Maria Luiza de Valleré, em uma das suas notas ao Elogio Histórico de seu ilustre pai, o tenente general Guilherme Luiz António de Valleré, escrito pelo saibo académico Francisco de Borja Garção Stockler.
Começou a construção em Julho de 1763; até principio de 1777 custou 734,890,174 réis; desde o ano de 1778 até ao de 1792 custou 32,308,865 réis: total 767,199,039 réis

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Elvas

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