16/09/2026
Na segunda semana de Setembro, Portugal transforma-se num dos principais corredores de migração de aves do mundo ocidental. A posição geográfica do país — estreito de terra entre o Oceano Atlântico e o interior da Península Ibérica — canaliza para o território português uma fracção extraordinária das aves que migram da Europa do Norte e do Ártico em direcção aos quartéis de Inverno em África.
A maioria desta migração é completamente invisível durante o dia: as aves migratórias voam maioritariamente de noite, usando as estrelas e o campo magnético da Terra para a navegação, e a maioria passa sem parar — o que significa que sobre os jardins e as cidades portuguesas passam dezenas de milhares de aves por noite que nunca são vistas, apenas excepcionalmente ouvidas.
A andorinha-das-chaminés que nidificou em Portugal durante o Verão está agora a partir: as últimas partem em Setembro, e cada andorinha individual voará 10.000 a 12.000 quilómetros até ao Sul de África, guiando-se por sistemas de navegação que ainda não foram completamente compreendidos pelos investigadores, incluindo a detecção do campo magnético da Terra, a memória de padrões estelares aprendidos nos primeiros dias de vida, e a memória visual de pontos de referência terrestres.
A borboleta-almirante — que em Setembro está a visitar as últimas flores do jardim a alimentar-se intensivamente — é simultaneamente migrante: partirá para Marrocos antes do fim do mês, cruzando o Estreito de Gibraltar numa viagem de três mil quilómetros que completará em duas a três semanas.
Os jardins com bagas maduras de cotoneaster, espinheiro e sabugueiro em Setembro funcionam como postos de abastecimento para as aves que param brevemente para comer antes de continuar a viagem nocturna. Um jardim com estas plantas em fruto pode receber dezenas de espécies diferentes numa única semana de migração.