09/09/2026
Quereres mudar o teu corpo não é errado, nem é errado o tempo que passas a tentar fazê-lo.
O problema é quando essa tentativa ocupa tanto espaço na tua vida que começa a retirar-te o espaço para viver e tudo aquilo que estás a deixar de viver enquanto tentas que ele mude.
🤍
03/09/2026
Hoje emocionei-me numa consulta.
E talvez isto não pareça nada, mas para mim é muito.
Já houve outras consultas em que me emocionei com histórias que me tocaram profundamente, palavras que ficaram comigo, momentos em que senti vontade de chorar.
Mas escondi.
Contive a expressão, engoli as lágrimas, respirei fundo e continuei como se nada estivesse a acontecer.
Porque, algures no caminho, aprendi que um psicólogo não deve mostrar emoções, que temos de ser sempre neutros, controlados, imperturbáveis.
Como se sermos bons profissionais significasse manter sempre a expressão neutra, a voz controlada ou os olhos secos.
Mas eu não acredito nisso e hoje dei por mim a pensar: porque não?
Não acho que o nosso papel seja despejar as nossas emoções em cima de quem está à nossa frente. Nem acho que uma consulta deva transformar-se num espaço em que o paciente sente que tem de cuidar de nós.
Mas também não acredito que, para sermos bons profissionais, tenhamos de deixar de ser humanos.
Eu posso emocionar-me com a história de alguém e continuar a estar inteira naquela sala.
Posso sentir sem fazer daquilo que sinto o centro da consulta.
Posso deixar que alguém perceba que aquilo que me está a contar me tocou, sem lhe retirar espaço para sentir aquilo que é seu.
Acredito que há uma diferença enorme entre sermos inundados pela emoção do outro e permitirmo-nos ser humanos perante aquilo que o outro nos confia.
Eu não chorei pela minha história.
Não chorei para que ela cuidasse de mim.
Não chorei para tornar aquele momento sobre mim.
Emocionei-me porque estava ali, com ela, a testemunhar uma coisa que sabia o quanto tinha sido desejada, mas também o quanto tinha sido temida.
Talvez tenhamos confundido demasiadas vezes profissionalismo com ausência de emoção.
E saber reconhecer o que sentimos, saber o que fazer com isso e, ainda assim, continuar a estar ali para o outro, é ser profissional.
Talvez um psicólogo não tenha de ser uma parede para ser um lugar seguro.
Talvez possa ser humano também.
26/08/2026
Estocolmo 🇸🇪
Dividida entre o lado histórico das ruas antigas, dos edifícios cheios de história e do encanto de Gamla Stan e o lado moderno, descontraído e minimalista mas cheio de vida.
Precisei de dois dias para gostar de ti, mas estou conquistada!
🇸🇪 🫎
20/08/2026
Calma, a sensação que estás a sentir é real enquanto experiência, o que muitas vezes não é real é a interpretação que fazemos dessa sensação.
Alguns exemplos:
“Sinto-me gorda”
“Sinto que estão todos a olhar para mim”
“Sinto que toda a gente me está a julgar”
“Sinto que estou a falhar”
Esta sensação pode ser muito intensa e, ainda assim, não corresponder à realidade.
E porque a sensação é tão forte, assumimos que tem de significar alguma coisa.
Mas intensidade não é sinónimo de verdade.
O nosso cérebro interpreta constantemente aquilo que sentimos com base nas nossas experiências, medos, expectativas e aprendizagens.
Aquilo que por vezes parece ser “intuição” pode ser ansiedade, medo ou um padrão que já conhecemos.
Isto não significa que devemos ignorar o que sentimos, mas que devemos escutar a emoção sem lhe entregar automaticamente o papel de verdade absoluta.
Da próxima vez que sentires algo com muita intensidade, experimenta questionar “Estou a sentir isto… mas que evidências tenho de que isto é realmente assim?”
Sentir é real.
Mas aquilo que sentimos nem sempre é um reflexo fiel da realidade.
🤍
15/08/2026
Imaginem três pessoas que trabalham juntas, marcam um almoço sem combinar outfit e aparecem todas vestidas de castanho 🥹
A Helena e a Rute foram recrutadas por mim para integrar a minha equipa de psicólogas e rapidamente passaram de colegas de trabalho a amigas, mas aquelas amigas que estão semanas sem se falar e quando se juntam nada mudou ☺️
Sempre que almoçamos juntas a regra é a mesma: “não vamos falar de trabalho” e acabamos sempre a falar de trabalho. E de muitas outras coisas também.
Mas nesta relação não existe hierarquia, todas ensinamos e todas aprendemos umas com as outras.
Elas são o tipo de pessoa que quero na minha vida.
🤍