01/10/2026
Reflexão
O Karaté, antes de ser uma arte de combate, é uma filosofia de vida. É um caminho de disciplina, respeito, humildade e formação pessoal. Ensina-nos que a verdadeira força não está apenas no golpe que conseguimos executar, mas sobretudo na pessoa que escolhemos ser.
É uma ética que nem todos compreendem.
Quando o ego se sobrepõe ao conhecimento, a vaidade à humildade e esquecemos de onde viemos, perde-se muito mais do que uma técnica: perde-se a essência do Karaté.
Talvez por isso assistamos ao abandono das nossas raízes e ao esquecimento daqueles que, antes de nós, abriram caminhos. Daqueles que lutaram, ensinaram e sacrificaram tempo e energia para nos fazer crescer.
Foram os nossos mestres que nos estenderam a mão quando pensávamos desistir, que nos corrigiram quando errámos, que nos fizeram levantar quando caímos e ultrapassar os nossos limites.
Por isso, há algo que nunca deveríamos esquecer:
Um mestre não deixa de ser Mestre porque o aluno evoluiu.
Podemos aprender, crescer e até ensinar outros. Mas isso nunca nos torna superiores a quem nos deu as ferramentas para chegar onde chegámos.
Renegar quem nos ensinou, abandonar quem nos apoiou e agir como se já fôssemos iguais a quem nos abriu o caminho é, muitas vezes, apenas vaidade.
Porque quem verdadeiramente aprendeu compreende que quanto mais sabe, mais humilde se torna.
Há quem saiba executar um tsuki ou um mae geri — muitas vezes nem correctamente — e, alimentado pelo ego, passe a acreditar que é superior.
Mas o Karaté não se mede pelo número de golpes que sabemos executar.
Mede-se pela forma como cumprimentamos, como respeitamos, como aceitamos uma correcção e como tratamos quem está ao nosso lado. Mede-se por reconhecer quem esteve connosco quando ainda não éramos ninguém.
E, acima de tudo, pela humildade de perceber que ninguém chega longe sozinho.
As técnicas aperfeiçoam-se. Os títulos conquistam-se Os graus sobem.
Mas se, pelo caminho, perdermos o respeito, a gratidão, a humildade e a memória daqueles que nos ensinaram, então talvez tenhamos aprendido muito sobre combate e muito pouco sobre Karaté.
Esta é apenas uma reflexão pessoal e sincera.
Outras virão.
Sensei José Rolo