02/09/2026
Pelo fundador das Running Wonders.
𝟏. 𝐒𝐞 𝐭𝐢𝐯𝐞𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐞𝐱𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚𝐫 𝐞𝐦 𝐩𝐨𝐮𝐜𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐥𝐚𝐯𝐫𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐞́ 𝐨 𝐏𝐚𝐮𝐥𝐨 𝐂𝐨𝐬𝐭𝐚, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐢𝐫𝐢𝐚𝐬?
Sou um sonhador. Sempre fui.
Talvez até tenha sonhado mais vezes do que aquilo que seria aconselhável. 😄
Mas aprendi muito cedo, lá atrás, na minha pequena aldeia, Poiares da Régua, uma coisa: sonhar não chega. É preciso trabalhar. Cair. Levantar. Voltar a tentar. Ouvir muitos “não” e continuar a acreditar que pode haver um “sim” mais à frente.
Em 2013 tive a felicidade de ser distinguido como Gestor Desportivo do Ano, pela Associação Portuguesa de Gestão de Desporto. Foi um momento muito especial e signif**ativo para mim, numa das alturas mais complexas da minha vida. Mas nunca senti que um prémio pudesse definir uma pessoa. E não definiu.
O que me define são as pessoas que caminham comigo. A minha família. A minha equipa. Os meus amigos. E esta vontade, quase teimosa, de transformar ideias em coisas que f**am.
Quem me conhece, sabe bem o que sempre costumo dizer:
“𝙎𝙚 𝙩𝙪 𝙦𝙪𝙚𝙧𝙚𝙨, 𝙩𝙪 𝙘𝙤𝙣𝙨𝙚𝙜𝙪𝙚𝙨.
𝙈𝙖𝙨 𝙩𝙚𝙣𝙨 𝙦𝙪𝙚 𝙦𝙪𝙚𝙧𝙚𝙧, 𝙢𝙚𝙨𝙢𝙤!”
Não é uma frase bonita para colocar numa parede.
É a forma como tenho tentado viver.
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𝟐. 𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐦 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐭𝐢 𝟐𝟓 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐆𝐥𝐨𝐛𝐚𝐥𝐒𝐩𝐨𝐫𝐭?
Quando olho para trás, custa-me resumir tudo a uma empresa.
A GlobalSport é uma parte enorme da minha vida.
São mais de 25 anos de sonhos, erros, noites sem dormir, dificuldades, alegrias, quilómetros, reuniões, montagens, desmontagens, partidas, chegadas… e milhares e milhares de pessoas.
Houve momentos em que parecia impossível. De muitas lágrimas. De vontade de desistir. De desaparecer.
E, provavelmente, foi precisamente nesses momentos que mais cresci, que mais crescemos.
Nunca fiz isto sozinho. Fizemos isto em família, com uma equipa extraordinária, com amigos, parceiros, municípios, voluntários e com milhares de pessoas que acreditaram nos nossos projetos. E continuam a acreditar.
Se hoje pudesse encontrar aquele menino que começou a sonhar com tudo isto, a partir da Barragem de Bagaúste, ali bem no coração do Douro, provavelmente não lhe conseguiria contar tudo o que conseguimos fazer acontecer.
Dir-lhe-ia apenas:
𝘾𝙤𝙣𝙩𝙞𝙣𝙪𝙖! 𝙑𝙖𝙞 𝙫𝙖𝙡𝙚𝙧 𝙖 𝙥𝙚𝙣𝙖.
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𝟑. 𝐇𝐨𝐣𝐞 𝐭𝐞𝐧𝐬 𝐜𝐢𝐧𝐜𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐞𝐯𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬. 𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐞𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐮𝐦 𝐝𝐞𝐥𝐞𝐬?
É curioso, porque não consigo olhar para eles simplesmente como cinco corridas.
São cinco projetos que não cabem numa história. Cabem em milhares de histórias.
A Meia Maratona do Douro Vinhateiro representa as minhas raízes mais profundas. O Douro não é um cenário. É terra, memória, família, dureza e beleza. É parte de mim. Sou parte dele.
A Maratona da Europa – Aveiro representa a ambição. A prova de que Portugal pode criar um grande evento internacional e trazer o mundo até nós. Essa dimensão internacional e territorial está, aliás, presente desde a conceção do projeto. Em apenas cinco edições, colocar esta maratona entre as 100 melhores do mundo, é obra. De todos.
A Meia Maratona de Gaia é o Atlântico, a cidade, o mar e uma enorme vontade de crescer. Um percurso único, na maior terceira cidade de Portugal. Uma meia maratona que tem tudo para se afirmar a nível internacional como uma das melhores meias maratonas do mundo.
A Corrida do Dragão é paixão. É puro amor. Há coisas no desporto que não se conseguem explicar através de números. Sentem-se. Perdoem-me os meus amigos de outros clubes, mas este sentimento que me une ao FC Porto é absolutamente arrebatador e inexplicável.
E a Maratona do Algarve é o nosso novo grande sonho. Levar milhares de pessoas de todo o mundo a correr num dos lugares mais extraordinários de Portugal. O Algarve é o único destino de praia, a nível mundial, que venceu por quatro vezes os “Oscars” do turismo. Esta maratona tem tudo, mesmo tudo, para conquistar o mundo. A primeira edição será histórica.
São diferentes.
Mas todas têm uma coisa em comum:
𝐀𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬.
Sem elas, seriam apenas quilómetros e alcatrão.
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𝟒. 𝐃𝐞𝐩𝐨𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐭𝐞 𝐞𝐦𝐨𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚 𝐧𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐝𝐚?
Tudo.
E espero sinceramente que nunca deixe de ser assim.
Posso conhecer o percurso ao centímetro. Posso saber quantas grades colocámos, quantas garrafas de água comprámos ou quantos atletas estão inscritos. Posso conhecer todos os nossos parceiros pelo nome e tratá-los como verdadeiros amigos.
Mas há um momento em que tudo isso desaparece.
É quando estou junto à partida e olho para aquela multidão de Gente.
Vejo milhares de pessoas. Cada uma com a sua história. Alguém que perdeu 30 quilos. Alguém que venceu uma doença. Alguém que corre pelo pai. Pela mãe. Por um amigo. Alguém que simplesmente decidiu provar a si próprio que conseguia. Alguém que quer ser feliz. A correr. Alguém que dá sentido a tudo isto.
E penso muitas vezes:
“Meu Deus… nós ajudámos a criar esta energia única da corrida, que hoje muitos consideram um fenómeno, ao longo dos últimos vinte anos.”
Ainda me arrepia.
No fundo, foi isto que aprendi nestes anos todos: uma corrida nunca são apenas 5, 10, 21 ou 42 quilómetros. São milhares de histórias a correr ao mesmo tempo. São milhares de almas a criar energia positiva, no mesmo lugar, em simultâneo.
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𝟓. 𝐀𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐭𝐞𝐧𝐬 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐨𝐬 𝐩𝐨𝐫 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫?
Todos.😂
Esse talvez seja o meu maior problema… e uma das minhas maiores virtudes.
Continuo a acreditar que podemos fazer melhor. Todos os dias. Que os nossos eventos podem estar entre os melhores do mundo. Que podemos trazer ainda mais gente dos quatro cantos do planeta… a Portugal. Que o Douro, Aveiro, Gaia e o Algarve podem chegar a milhões de pessoas através do desporto e de uma experiência ativa irreplicável.
Mas, com mais de 25 anos de GlobalSport, há uma coisa que valorizo muito mais do que valorizava quando comecei.
O legado.
Cada vez sinto menos vontade de realizar apenas mais um evento.
Quero criar coisas que sobrevivam a nós. Que sejam únicas.
Quero que um miúdo que hoje esteja na berma da estrada a ver passar a Maratona do Algarve, a Maratona da Europa, o Douro, Gaia ou o Dragão possa, daqui a vinte anos, levar o filho pela mão para assistir à mesma prova.
E talvez lhe diga:
“Eu já vinha aqui com o teu avô.”
Quero que qualquer um dos nossos amigos, já com cem ou mais anos, consiga lembrar-se de quanto foi feliz nos nossos eventos.
Se conseguirmos isso…
Então conseguimos muito mais do que organizar corridas.
Criámos memórias.
E, no fim de contas, talvez seja isso que verdadeiramente f**a.
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