31/08/2026
As abelhas são provavelmente os insectos mais rodeados de mitos na cultura popular — e alguns desses mitos têm consequências directas na forma como as pessoas interagem com elas e com as políticas de conservação.
O mito de que todas as abelhas morrem depois de picar vem da experiência com a abelha-mel, que de facto tem o ferrão farpado que f**a preso na pele de mamíferos durante a picada, levando à morte da abelha. As vespas, as abelhões, as abelhas solitárias e a maioria das 700 ou mais espécies de abelha de Portugal têm ferrões lisos que podem picar múltiplas vezes sem qualquer problema para o insecto.
A visão das abelhas é fundamentalmente diferente da humana: as abelhas não detectam a cor vermelha mas detectam ultravioleta. Muitas flores que parecem simples ao olho humano têm padrões elaborados de marcas ultravioleta que funcionam como guias de aterragem para as abelhas — invisíveis para nós, mas inequívocos para elas. É por isso que a dália vermelha é menos atraente para as abelhas do que a tanchagem aparentemente modesta.
A cristalização do mel não é deterioração — é exactamente o oposto: é sinal de mel de qualidade com baixo teor de humidade e com a composição correcta de açúcares. O mel que nunca cristaliza foi aquecido excessivamente, adicionado de xarope de frutose, ou ambos.
Os neonicotinóides — a classe de pesticidas mais usada mundialmente — são os compostos mais directamente associados ao declínio de polinizadores em estudos experimentais controlados. O impacto das alterações climáticas é real mas secundário.
A abelha merece o diagnóstico correcto. Para as soluções certas.