23/09/2026
O ginásio não te vai subir o FTP. E ainda assim devias lá ir.
A meta-análise mais recente é clara: força pesada não altera de forma signif**ativa o
VO2max nem o estado metabólico máximo estável — o território onde vive o FTP. Quem
vende musculação com promessa de watts ao limiar está a vender o que a investigação não
sustenta.
O que muda é outra coisa, e é mais importante. A eficiência de pedalada melhora. E a
durabilidade — a potência que ainda consegues produzir depois de horas em cima da
bicicleta — melhora bastante. Em ciclistas bem treinados, doze semanas de força pesada
aumentaram em 7% a potência de um esforço máximo feito no fim de três horas de rolo.
Ganhas onde a prova é decidida: no fim.
Falta a segunda metade do argumento, que quase ninguém faz. Não se treina igual nas três
disciplinas.
Na estrada o esforço é longo, estável e numa posição fixa: força máxima, padrões bilaterais
pesados, cadeia posterior, tronco a aguentar a posição aero durante horas.
No gravel são horas de vibração e terreno que nunca repete: resistência de força,
isometrias longas, trabalho unilateral, preensão. O que cede primeiro raramente são as
pernas.
No BTT são esforços curtos, máximos e repetidos com o corpo inteiro: força reativa,
membro superior a sério, core anti-rotação, excêntrico para absorver impacto.
Mesma barra. Três exigências.
Uma nota honesta antes que alguém a peça: há estudos em que o ganho em contrarrelógio
foi quase nulo, e num deles o desempenho até piorou. Os números que mostramos são
uma ordem de grandeza, não uma garantia. E funcionam quando a força está dentro do
plano — periodizada, separada das sessões-chave, mantida em época — e não ao lado
dele.
ndurance.pt