01/22/2016
Repost Alberto Duque
Amigos do Face, cerca de 2 anos pra cá temos visto uma crescente de indivíduos praticantes de musculação em busca do físico perfeito e, muitos até almejando competições de fisiculturismo. Por outro lado, vemos um desenvolvimento desordenado, não progressivo, com alcance de platôs de desenvolvimento cada vez mais acelerados, uso excessivo de hormônios, desvios posturais cada vez mais recorrentes e perigosos reduzindo as alavancas e retardando ainda mais o crescimento muscular. Sim, mas qual seria a razão disso? Por que vemos cada vez menos corpos simétricos e bem desenvolvidos? A razão é a mesma pela qual boa parte da população brasileira reclama do esporte nacional: FALTA BASE. E sobre isso tentarei discorrer um pouco mais correlacionando partes da Aprendizagem Motora, Cinesiologia, Anatomia, Fisiologia do Esforço e Treinamento Esportivo (no Instagram você não vê isso né?).
APRENDIZAGEM MOTORA
Temos como aprendizagem motora como “Mudança interna no domínio motor do indivíduo, deduzida de uma melhoria relativamente permanente em seu desempenho, como resultado da prática.” Que uma vez aprendidas podem ser alteradas por fatores fisológicos, por exemplo. Para que tal aprendizagem ocorra, passamos obrigatoriamente por estágios de aprendizagem imprescindíveis à assimilação das informações fornecidas pelo meio e pelo corpo do treinee, são eles:
Estágio cognitivo – há grande quantidade de erros, pois o treinee se apega prioritariamente ao feddback fornecido pelo professor (vide iniciante na musculação nos primeiros dias).
Estágio Associativo – reduz-se os erros devido a associação feita pelo meio externo ao feedback do professor, porém assimilando mentalmente os estímulos externos (o mesmo iniciante começa a perceber, por exemplo, o desalinhamento ou descoordenação do movimento pelo espelho).
Estágio Autônomo – fase em que o treinee é capaz de detectar os próprios erros e corrigir sem problemas, visto que o feedback aqui é dado pelo próprio trainee.
Para o que se propõe este texto irei me ater tão somente a estes conceitos (dentre tantos) da aprendizagem motora.
CINESIOLOGIA – CADEIAS CINÉTICAS (figura 1)
Esta é uma área que promove muitas dúvidas dos praticantes, professores, estagiários e até do papa.
Temos por cadeia cinética o conceito da mecânica em que uma série de estruturas se interligam permitindo assim que ocorra o movimento, ou seja, suas articulações seriadas são suas cadeias cinéticas. O que então as faz serem fechadas ou abertas? Bom, alguns autores discorrem desta como exercícios de peso livre (solto) como aberta e exercícios de máquina como fechada, o que é a maior estupidez nunca antes vista na história deste país. Cadeia Cinética Aberta (CCA) são cadeias onde a porção distal se encontra sem resistência e por consequência, tem liberdade de mover-se livremente no espaço, enquanto Cadeia Cinética Fechada (CCF) são cadeias onde a porção distal se encontra com resistência e por consequência, lhe falta liberdade para mover-se livremente no espaço. As implicações disso são diversas, as quais podemos citar como predominância da contração concêntrica nas CCA, enquanto na CCF há predominância de contrações excêntricas associadas à estabilização dinâmica muscular, estímulo proprioceptivo reduzido à articulação exigida nas CCA, maior estímulo proprioceptivo devido ao maior número de mecanoreceptores envolvidos etc..
As Cadeias Cinéticas são importantes na escolha dos exercícios de acordo com a fase de aplicação de carga frente ao desenvolvimento do treinee. Ignorá-las é fadar seu cliente ao fracasso.
ANATOMIA – ENCAIXE ARTICULAR NA PRODUÇÃO DE FORÇA
Muitas pessoas veem alterações posturais e pensam “ah, mas isso aí é dele”, é óbvio que é do treinee, alterações posturais não são presentes comprados e entregue aleatoriamente, são desenvolvidos. Sim é claro, existem alterações congênitas inalteráveis, mas obviamente estamos tratando aqui de relações de hiperatividade muscular devido às posturas viciosas ou má execução de exercícios ou má seleção dos mesmos. Vejam bem, suas articulações devem possuir melhor encaixe possível o tempo todo, do contrário poderemos atingir um ponto de lesão em pouquíssimo tempo. Exemplo? Leg Press, Agachamentos, enfim, ao realizar a flexão de quadril seguida de flexão de joelhos e dorso-flexão, não é incomum observarmos nos praticantes a adução do quadril (aproximando um joelho do outro), expondo fraqueza dos glúteos médios e mínimos, podendo acarretar aumento do ângulo Q (figura 2) e lesões ligamentares nos joelhos, alongamento excessivo dos rotadores externos do quadril (gêmeo superior e inferior, obturador interno e externo, piriforme – este excessivamente alongado pode pressionar o nervo ciático desencadeando um quadro de dor - e quadrado femoral), enfraquecimento dos abdutores do quadril (vastos laterais – contribui para a abdução do quadril – e tensor da fáscia lata), sem contar o possível encurtamento dos adutores do quadril como adutor magno e curto, pectínio e grácil. Portanto manter as estruturas devidamente alinhadas é mais que uma questão estética, é questão de longevidade.
FISIOLOGIA – DISPOSIÇÃO DOS SARCÔMEROS
Leia aqui:
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TREINAMENTO ESPORTIVO
Os conceitos mais básicos do treinamento esportivo seguem parâmetros de desenvolvimento e progressão, em que se deve desenvolver primeiro o centro para depois desenvolver periferias corporais, primeiro exercícios mais simples para depois exercícios mais complexos, ou seja, seguimos sempre uma progressão. Também é sugerido que inicialmente em fase de adaptação, o volume semanal de treino seja relativamente mais alto devido à baixa intensidade dos treinos e subsequente recuperação rápida, tornando o praticante apto a novos estímulos.
Portanto, para o melhor e seguro desenvolvimento físico devemos nos atentar em utilizar inicialmente o máximo de informações e o mais bem explicadas possíveis, preferir cadeias cinéticas fechadas para melhor coordenação inter e intramuscular, manter sempre a correta postura preservada, em boas amplitudes a fim de estabelecer adequada curva de comprimento-tensão dos músculos, progredir dos exercícios mais simples para os mais complexos e reduzir gradativamente o volume de treinos semanais por grupamento muscular a medida que aumentamos a intensidade.
CUIDADO: VOLUME SEMANAL DE TREINO ALTO NÃO SIGNIFICA UTILIZAR 12 SÉRIES POR GRUPO MUSCULAR EM INICIANTES. ESPECIFICIDADE É USAR POUCO, MAS CERTO.
BOM TREINO!