01/10/2026
🚨 VASCO CONTESTA CRITÉRIOS TÉCNICOS DA FLA-FLU, APONTA VIOLAÇÃO ÀS REGRAS DA CONCESSÃO E CITA DECISÃO DO TJRJ EM AÇÃO PELO MARACANÃ
O Vasco protocolou nesta quarta-feira (1º) uma ação de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência para tentar garantir o Maracanã contra o Boca Juniors, no dia 20 de outubro, pela semifinal da Sul-Americana.
Na ação, o clube questiona diretamente os critérios técnicos utilizados pela Fla-Flu para negar o estádio, aponta tratamento desigual, sustenta violação às regras da concessão e também explora uma contradição envolvendo o Memorando de Entendimentos.
📌 O QUE A FLA-FLU ALEGOU
Na resposta ao Vasco, a concessionária apontou o desgaste acumulado do gramado, as condições climáticas de julho e agosto e a necessidade de preservar os intervalos destinados à manutenção do campo.
Para 20/10, a Fla-Flu citou especificamente jogos de Fluminense em 18/10 e Flamengo em 22/10. Com Vasco x Boca entre essas partidas, seriam três jogos em cinco dias.
Segundo a concessionária, essa sequência impediria procedimentos como corte helicoidal, adubação localizada, iluminação suplementar e reparação dos danos ao gramado.
📌 VASCO QUESTIONA A JUSTIF**ATIVA TÉCNICA
O primeiro contraponto é o próprio gramado.
O Vasco destaca que, três dias depois da negativa, foi anunciada a retirada do campo existente e a colocação de novos rolos de Bermuda Celebration, com retorno do futebol previsto para 08/10.
Vasco x Boca será em 20/10.
A tese do clube é que não seria possível utilizar o desgaste acumulado do gramado antigo como justificativa para uma partida que acontecerá 12 dias depois do retorno do futebol ao campo renovado.
📌 DOCUMENTO DA PRÓPRIA GREENLEAF É USADO PELO VASCO
O Vasco também recupera o planejamento técnico elaborado pela Greenleaf, empresa responsável pela manutenção do gramado, em agosto.
Segundo a ação, o documento demonstra que os mesmos procedimentos citados pela Fla-Flu para negar Vasco x Boca já foram realizados de forma concentrada entre partidas.
A petição afirma que corte helicoidal, adubação localizada, iluminação suplementar e reparação de danos chegaram a ser reunidos em um único dia após um jogo, mesmo em um cenário de inverno e desgaste do gramado.
O questionamento feito pelo Vasco é direto: se esse trabalho pôde ser realizado em agosto para atender à sequência de jogos de Flamengo e Fluminense, por que não poderia ser repetido em outubro, depois da troca integral do gramado?
📌 INTERVALO ENTRE OS JOGOS
O Vasco também contesta o argumento dos três jogos em cinco dias comparando a situação com o próprio calendário recente do Maracanã.
A ação sustenta que já foram admitidas sequências com intervalos reduzidos para partidas de Flamengo e Fluminense.
Para o Vasco, se o intervalo necessário para recuperação do gramado é determinante para negar uma partida, esse critério precisa ser aplicado da mesma maneira para todos os clubes.
📌 SHOWS E OUTROS EVENTOS
A ação também aponta que o Maracanã recebe shows, encontros religiosos e eventos de outras modalidades, inclusive com instalação de estruturas e ocupação da área do campo.
O Vasco questiona como a administração consegue conciliar esses eventos com a preservação do gramado, mas considera tecnicamente inviável receber uma semifinal da CONMEBOL.
Segundo o levantamento apresentado na ação, entre 2025 e 30/09/2026 foram realizados ao menos sete eventos extraordinários alheios ao futebol oficial.
📌 EDITAL DA CONCESSÃO
O Vasco cita o item 3.4 do Termo de Referência, que determina prioridade aos eventos de futebol dos calendários oficiais da FIFA, CONMEBOL, CBF e FERJ em relação a outros eventos.
Vasco x Boca é uma semifinal oficial da CONMEBOL.
A ação sustenta que estaria ocorrendo uma “inversão dessa prioridade” ao se acomodar shows e outros eventos e negar o estádio para uma partida que, pelas regras da concessão citadas pelo clube, deveria ter prioridade.
A petição fala em “desvirtuamento das obrigações da concessionária” e em “violação à isonomia exigida pelo Edital de Concessão”.
📌 TRATAMENTO DESIGUAL
O Vasco resume sua contestação em quatro pontos:
• a troca do gramado mudaria a premissa de desgaste acumulado;
• o planejamento da própria Greenleaf demonstraria ser possível realizar manutenção entre partidas;
• o calendário mostraria intervalos reduzidos já admitidos para Flamengo e Fluminense;
• outros eventos são conciliados com os cuidados necessários para conservação do campo.
Com isso, o Vasco sustenta que as restrições estariam sendo aplicadas de forma seletiva.
A ação cita ainda a cláusula 13.2 do Contrato de Concessão, que veda favorecimento e tratamento injustificadamente distinto, discriminatório ou “sem critérios técnicos” que resulte em restrição de acesso ao Complexo.
📌 A CONTRADIÇÃO APONTADA PELO VASCO
A Fla-Flu afirma não reconhecer a validade do Memorando de Entendimentos firmado em 2025.
Ao mesmo tempo, segundo o Vasco, utiliza o próprio documento — especialmente a previsão de quatro partidas condicionadas à disponibilidade e às condições operacionais — para justificar a negativa.
O Vasco aponta comportamento contraditório e invoca o princípio da boa-fé objetiva.
📌 DECISÃO ANTERIOR DO TJRJ
A ação também cita o Agravo de Instrumento nº 3023517-70.2026.8.19.0000.
Naquela oportunidade, o desembargador Alexandre Freitas Câmara analisou a discussão sobre a ausência da assinatura da Fla-Flu no Memorando.
O magistrado considerou que Flamengo e Fluminense, integrantes da concessionária, haviam assinado o documento e apontou que desconsiderá-lo posteriormente poderia representar comportamento contraditório contrário à boa-fé objetiva.
📌 RECOMENDAÇÃO DO BEPE
A questão da segurança pública também aparece como argumento para a utilização do Maracanã.
Segundo a ação, o BEPE (Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios) recomendou a realização da partida no Maracanã diante da dimensão do confronto e da expectativa de público.
O Vasco usa essa recomendação para sustentar que o Maracanã não é apenas uma preferência do clube. A petição aponta o estádio como a opção que melhor reúne capacidade, localização, estrutura, segurança e condições operacionais para receber o confronto contra o Boca.
📌 SÃO JANUÁRIO NÃO É OPÇÃO
O Vasco também diferencia a situação do processo anterior envolvendo Vasco x Vitória, quando não conseguiu uma liminar para utilizar o Maracanã.
Desta vez, segundo a ação, São Januário não pode receber a semifinal.
O Manual da Sul-Americana exige capacidade mínima de 30 mil espectadores a partir das semifinais, enquanto a petição aponta São Januário com aproximadamente 21.880 lugares.
O Vasco reconhece o Nilton Santos como uma alternativa, mas sustenta que a existência de outro estádio não resolve a questão levada à Justiça: há fundamento técnico e contratualmente legítimo para a Fla-Flu negar o Maracanã?
📌 O QUE O VASCO PEDE
O Vasco quer uma liminar obrigando a Fla-Flu a disponibilizar o Maracanã para Vasco x Boca, em 20/10, às 21h30.
O pedido inclui carga máxima de ingressos correspondente à capacidade autorizada, utilização das instalações necessárias para organização do jogo, realização de mosaico e instalação temporária de faixas nos mesmos moldes permitidos aos clubes integrantes da concessionária.
Em caso de descumprimento, o Vasco pede multa diária de R$ 1 milhão.
O Vasco precisa informar à CONMEBOL até 5 de outubro onde vai mandar a partida de volta da semifinal.